A ida de Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), a um evento privado em Washington, na última sexta-feira (5), provocou desconforto entre aliados de Eduardo Bolsonaro. O encontro, realizado no clube The Executive Branch, reuniu o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o empresário Joesley Batista, do grupo J&F.
O clube, que tem Donald Trump Jr. entre seus sócios, recebeu autoridades, empresários e convidados para as celebrações dos 250 anos da independência norte-americana. A participação de Santini foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo jornal O Globo.
Flávio Bolsonaro viajou para a capital norte-americana apenas no sábado (6). Na terça-feira (8), o senador defendeu, em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que Washington não imponha sobretaxas a produtos brasileiros, argumentando que este seria “o pior momento” para a medida.
Incômodo interno
Segundo pessoas ligadas à pré-campanha, Santini não informou previamente sobre sua presença no evento a Flávio Bolsonaro, a Eduardo Bolsonaro ou a Paulo Figueiredo, responsável pela agenda internacional do senador. Nos bastidores, aliados de Flávio relatam que o episódio reforçou questionamentos sobre o papel do coordenador na estrutura eleitoral.
O desconforto surge em meio ao crescimento da influência dos irmãos Nelson e Vicente Santini na campanha. Nelson assumiu a tesouraria, enquanto Vicente responde pela organização de compromissos de Flávio. Além disso, Vicente Santini atua como advogado de empresas da J&F.
Imagem: Cristiano Mariz
Relação com J&F
Para aliados de Eduardo Bolsonaro, o trabalho do coordenador para o grupo controlado por Joesley Batista — visto como adversário do bolsonarismo — é incompatível com a função na campanha. A presença de Santini ao lado de Rubio e Joesley, afirmam, agravou o mal-estar.
Às pessoas próximas, Santini minimizou a repercussão. Disse não compreender por que sua presença estaria sendo vinculada à campanha de Flávio Bolsonaro, alegando que participa com frequência de eventos no Brasil e no exterior e que sua ida não dependia de intermediação de Paulo Figueiredo ou de qualquer outro integrante da equipe.
Com informações de O Globo
