A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê com apreensão o avanço do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Pesquisa Datafolha divulgada recentemente aponta o governador com 52% dos votos válidos, patamar que garantiria a reeleição já no primeiro turno. O cenário ameaça o desempenho petista no maior colégio eleitoral do país e pressiona a equipe de Fernando Haddad, que aparece com 34%.
Estratégia do PT
Integrantes da coordenação nacional petista pretendem repetir, ao menos, o resultado obtido por Lula em 2022 em São Paulo, quando o presidente somou 11,5 milhões de votos no segundo turno. Para isso, contam com uma chapa que reúne quatro ex-ministros — Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) — e com a participação do vice Geraldo Alckmin (PSB) em caravanas pelo interior do estado. A convenção que confirmará Lula candidato também ocorrerá em São Paulo.
Movimentos de Flávio Bolsonaro
Enquanto o PT reorganiza forças, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) veem na possível vitória de Tarcísio uma alavanca para a campanha presidencial do senador. Daqui a duas semanas, o QG de Flávio deixará Brasília e passará a funcionar na capital paulista, facilitando agendas conjuntas com o governador — algo raro até agora. A expectativa do PL é que, livre da própria reeleição, Tarcísio se dedique a comícios, gravações de campanha e articulações políticas a favor do presidenciável.
“A reeleição de Tarcísio no primeiro turno ajuda muito Flávio”, afirma o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Dúvidas sobre engajamento
No entorno petista, prevalece a leitura de que Tarcísio fará campanha “solo” para se afastar de eventuais desgastes da família Bolsonaro e do caso Dark horse. “Flávio virou um elemento radioativo”, avalia o coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho.
Interlocutores de partidos de centro também consideram a hipótese de o governador preferir preservar capital político de olho em 2030, limitando-se a manifestações protocolares em favor de Flávio.
Histórico eleitoral
Entre as três últimas eleições estaduais, apenas a de 2014 terminou no primeiro turno, quando Geraldo Alckmin (PSDB) se reelegeu com 12,2 milhões de votos. Naquela ocasião, Aécio Neves ganhou 6,6 milhões de votos adicionais no segundo turno presidencial em São Paulo, enquanto Dilma Rousseff somou 2,5 milhões.
Imagem: Edils Dantas
Em 2018, o crescimento foi mais equilibrado: Jair Bolsonaro acrescentou 3 milhões de votos no estado e Fernando Haddad, 4,8 milhões. Já em 2022, Haddad atingiu 10,9 milhões de votos no segundo turno para governador, impulso que contribuiu para Lula alcançar 11,5 milhões e reduzir a vantagem de Bolsonaro no território paulista.
Análises acadêmicas
Para o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a influência de São Paulo na corrida presidencial dependerá do envolvimento direto de Tarcísio. “Se o governador não quiser o vínculo, ele já não fará tanta campanha para Flávio desde o primeiro turno”, diz.
Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que Flávio poderá explorar uma eventual reeleição de Tarcísio como demonstração de força nos palanques físico e digital. Já Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, adverte que a definição antecipada do governo paulista pode desmobilizar prefeitos e líderes conservadores, reduzindo a transferência de votos para o presidenciável do PL.
Com informações de O Globo
