Polícia liga 140 kg de cocaína apreendidos em Paulínia a carregamento de 225 kg interceptado em Campinas

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    Um carregamento de 140 quilos de pasta base de cocaína encontrado dentro de um caminhão-tanque em Paulínia, na segunda-feira (17), acendeu um alerta na Polícia Civil. Pelas semelhanças no modo de transporte, na procedência e até nas embalagens, os investigadores apontam conexão direta com a grande apreensão de 225 quilos da mesma droga realizada em abril, em Campinas. Juntas, as operações já impuseram ao crime organizado um prejuízo estimado em R$ 10 milhões.

    Na ação mais recente, o motorista do bitrem foi preso em flagrante enquanto preparava a suposta carga de combustível para seguir viagem. A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, em trabalho conjunto com a unidade de Taboão da Serra, identificou que o caminhão havia saído do Mato Grosso, entregara álcool em Ribeirão Preto e seguiria para Paulínia, onde deveria receber outro tipo de combustível – e, segundo os policiais, concluir a distribuição da droga.

    Investigação conecta as duas apreensões

    O delegado Sandro Jonasson, responsável pelo caso, afirma que a cocaína confiscada em Paulínia é “extremamente parecida” com a retida quatro meses antes em Campinas. Na ocasião, a Dise interceptou uma carreta e prendeu um suspeito logo após localizar 225 quilos de pasta base cuidadosamente ocultos na carroceria. Análises recentes confirmam que as drogas das duas ocorrências vieram da mesma região do Centro-Oeste e foram embaladas com material idêntico, reforçando a hipótese de um único fornecedor.

    Logística e embalagem idênticas

    • Ambos os veículos eram destinados ao transporte de combustíveis.
    • As cargas ilícitas estavam acondicionadas em blocos retangulares, protegidas por plástico industrial grosso.
    • Os tabletes ostentavam selos com o mesmo símbolo, um indicativo usado por organizações criminosas para identificar remessas.

    Segundo Jonasson, informações de inteligência apontam para a participação de dois empresários de Paulínia – um deles do ramo de combustíveis – tanto na compra quanto na futura “diluição” da pasta base. O termo, explica o delegado, refere-se ao processo de multiplicar o entorpecente antes da venda no varejo. “Temos convicção de que eles financiavam a operação e cuidavam da logística para inserir a cocaína no mercado paulista”, enfatizou.

    Rota partia do Centro-Oeste e usava terminais de combustível

    As apurações mostram que a droga cruzava o País por estradas federais, saindo de pontos estratégicos próximos à fronteira brasileira com países produtores de coca. O destino inicial, segundo a polícia, era a região metropolitana de Campinas, onde o produto bruto seria processado e distribuído para grandes centros consumidores.

    Etapas do percurso rastreado

    1. Carregamento em fazendas do Centro-Oeste, ainda próximo à fronteira.
    2. Travessia em caminhões-tanque, preenchidos com combustível regular para evitar desconfiança.
    3. Entrega parcial da carga lícita, manobra que criava espaço interno para esconder a droga.
    4. Chegada a polos petroquímicos de São Paulo, onde o entorpecente era desembarcado.

    O motorista detido relatou ter deixado o Mato Grosso com álcool hidratado, cumprido a rota até Ribeirão Preto e, de lá, seguido vazio para Paulínia. A versão coincide com registros de pedágio e apontamentos do rastreador veicular recolhidos pelos agentes da Dise.

    Prejuízo milionário e próximos passos policiais

    A valoração de R$ 10 milhões divulgada pela polícia leva em conta o preço da pasta base antes de sua diluição. Se chegasse às ruas, o montante renderia lucro ainda maior ao esquema. “Cada quilo apreendido significa centenas de pedras ou pinos a menos no varejo”, pontuou um investigador que participa da análise financeira do caso.

    Alvos já identificados

    Além do motorista, que permanece à disposição da Justiça, pelo menos três pessoas estão na mira da equipe: os dois empresários citados por Jonasson e um possível intermediário residente em Campinas. Mandados de busca foram solicitados para endereços comerciais ligados ao setor de combustíveis, onde a polícia acredita que ocorriam as reuniões logísticas.

    Documentos de transporte, notas fiscais e registros bancários apreendidos na primeira operação, em abril, estão sendo cruzados com os dados coletados agora. A expectativa é que a comparação comprove o uso da mesma rede de contas e quebras de sigilo reforcem a denúncia por tráfico interestadual e associação criminosa.

    Modus operandi repete padrão do tráfico interestadual

    Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que o emprego de carretas de combustível não é novidade, mas chama a atenção a ousadia de manter o esquema mesmo após a grande apreensão de abril. “Isso revela confiança na rota e, possivelmente, corrupção em pontos estratégicos do percurso”, avalia um ex-delegado da Polícia Federal que já investigou quadrilhas semelhantes. Segundo ele, a utilização de empresas legalmente estabelecidas facilita a circulação sem revistas minuciosas.

    Embora a Polícia Civil não confirme quantas viagens foram realizadas antes do flagrante, a suspeita é que o grupo atuasse há pelo menos um ano, explorando terminais de distribuição no interior do estado para fracionar e ocultar o entorpecente.

    Cooperação entre delegacias

    A força-tarefa que resultou na prisão desta semana envolveu 12 agentes das unidades de Campinas e Taboão da Serra, além do apoio técnico do Instituto de Criminalística. O trabalho articulado, segundo Jonasson, será mantido para tentar impedir que novas cargas cheguem à região.

    Ainda não há previsão para o término do inquérito, mas a polícia garante que os responsáveis “já estão suficientemente individualizados” para que o Ministério Público ofereça denúncia. Enquanto isso, o entorpecente permanecerá armazenado em local seguro, sob custódia da Justiça, até a autorização para destruição.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.