Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta terça-feira (7) reforçou a imagem de que o parlamentar se opõe ao tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros por cálculo eleitoral, e não pela defesa de interesses do país.
A audiência, que não foi transmitida, ocorreu na reta final da investigação aberta pelos Estados Unidos para avaliar a adoção das tarifas. Flávio falou durante cinco minutos, classificou o período eleitoral como “o pior possível” para a medida e acusou o atual governo brasileiro de explorar politicamente o tema. O senador também defendeu o Pix, incluído pelos norte-americanos na lista de pontos em análise.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a fala seguiu roteiro previsto e não conseguiu desvincular o parlamentar da alcunha de “Tariflávio”, adotada por aliados de Lula para associá-lo à tarifa. Um auxiliar presidencial disse que o senador “politizou” um assunto que deveria permanecer em tratativas técnicas, o que pode atrapalhar as negociações em andamento.
O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, classificou a atuação de Flávio como “diplomacia clandestina da pior qualidade” e afirmou que o recado do senador foi o de “implorar para Donald Trump não fazer nada até outubro” e prometer concessões, “inclusive sobre o Pix”, caso seja eleito.
Durante a audiência, Flávio citou encontros recentes com Trump, o senador JD Vance e o senador Marco Rubio. Para auxiliares do governo Lula, essas menções deram tom eleitoral ao debate e distanciaram o processo de uma abordagem institucional.
Próximos passos
O governo brasileiro pretende manter o diálogo oficial com Washington para tentar barrar o tarifaço. Após as manifestações colhidas nos dois dias de audiência, o USTR elaborará recomendação técnica que deve ser encaminhada ao governo norte-americano até 15 de julho, data prevista para a decisão final.
Imagem: Cristiano Mariz
Segundo fontes do Planalto, novas conversas entre representantes dos dois países devem ocorrer nos próximos dias. Há expectativa de um novo encontro entre o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA no governo de Donald Trump.
Além do Pix, a investigação norte-americana analisa políticas brasileiras sobre comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Com informações de O Globo
