O Palácio do Planalto está testando uma configuração de cerimônias públicas em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades permanecem de pé, cercados por apoiadores. A ideia é adotar o modelo, apelidado internamente de “quadradinho”, nos atos oficiais e na campanha de reeleição que começará oficialmente em 1º de agosto, em convenção marcada para Brasília.
Objetivo é dar agilidade e interação
Segundo auxiliares, o formato busca tornar as participações mais dinâmicas, reduzir a duração dos discursos e permitir maior interação do presidente com o público. Durante os eventos, Lula costuma circular, posar para fotos, entregar o microfone a convidados e falar sem leitura de texto preparado. Assessores sussurram orientações sobre temas a mencionar — em abril, por exemplo, um áudio vazado registrou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, pedindo que o chefe do Executivo defendesse o Pix.
Riscos de improviso
Aliados reconhecem que a informalidade aumenta o risco de declarações polêmicas. Em 21 de junho, em Belo Horizonte, Lula ironizou o atacante Neymar, classificando-o como “primeiro convocado em home office” para a Copa do Mundo, devido ao apoio do jogador a Jair Bolsonaro. A provocação foi explorada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que acusou o presidente de falta de patriotismo.
Queixas sobre modelos tradicionais
Desde o início do terceiro mandato, Lula reclama do formato engessado de solenidades no Palácio do Planalto, com longas falas em palcos elevados. No ano passado, o governo já havia testado eventos simultâneos em diferentes estados, com ministros representando o presidente, iniciativa bem-avaliada pelo petista.
Primeira experiência em fevereiro
A estreia do “quadradinho” ocorreu em 15 de fevereiro, no Rio de Janeiro, durante a inauguração da nova emergência do Hospital Federal Cardoso Fontes. De lá para cá, a estrutura foi usada em pelo menos 29 agendas, principalmente na área da saúde, mas também em inaugurações de obras, compromissos de educação e visitas a fábricas.
Imagem: Ricardo Stuckert / PR
Segurança e visibilidade são desafios
Integrantes do núcleo da pré-campanha discutem como adaptar o modelo a plateias maiores sem comprometer a segurança presidencial ou a visibilidade dos participantes. A Secretaria de Comunicação Social foi procurada, mas não respondeu.
No início de maio, em Sergipe, Lula declarou: “Não é mais comício; queremos que a imprensa saiba o que está acontecendo”. Já na última terça-feira, no Rio, afirmou estar “falando que nem jogador de bola, diretamente para a câmera”. Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), o formato favorece cortes de vídeo que circulam de forma orgânica nas redes sociais.
Com informações de O Globo
