Três crianças perderam a vida após serem picadas por escorpiões no Distrito Federal desde 2022. A morte mais recente foi a de Valentina Nobre Lima, 11 anos, que faleceu em 5 de julho, depois de permanecer três semanas internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Lúcia Norte.
Os outros dois óbitos ocorreram em 2022, envolvendo uma vítima de 1 a 4 anos, e em 2024, quando uma criança de 5 a 9 anos não resistiu ao veneno do aracnídeo. As identidades dessas vítimas não foram divulgadas.
Incidência crescente
Dados da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) indicam aumento no número de acidentes com escorpiões. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, foram registrados 6.000 atendimentos na rede pública. No primeiro semestre de 2026, foram 2.239 ocorrências, alta de 8,06% em comparação com o mesmo período de 2025, que somou 2.072 casos.
Planaltina, São Sebastião, Estrutural e Sobradinho concentram a maior parte dos registros. Em 2025, o sistema público notificou 4.640 incidentes, sendo 2.785 apenas no segundo semestre. Agosto daquele ano liderou as estatísticas, com 389 notificações.
O que aconteceu com Valentina
A menina foi picada em 12 de junho, dentro de casa, no Riacho Fundo I, enquanto colocava os tênis para ir à escola. A família buscou ajuda em um batalhão do Corpo de Bombeiros e, em seguida, levou a criança ao Hospital Regional do Guará (HRGu), onde ela recebeu o soro antiescorpiônico.
Sem apresentar melhora, Valentina precisou ser transferida para um leito de UTI. Antes de chegar ao Hospital Santa Lúcia, a criança sofreu três paradas cardíacas; uma delas durou cerca de 40 minutos.
Em nota, a SES-DF informou que o atendimento no HRGu seguiu os protocolos de estabilização e que a paciente foi incluída de imediato no sistema de regulação para transferência. A pasta ressaltou que a oferta de vagas em UTI depende de critérios técnicos de gravidade e prioridade.
Imagem: Internet
Família reclama de demora
Parentes afirmam que houve atraso na transferência de Valentina para uma unidade com suporte intensivo, o que, segundo eles, agravou o quadro. O cunhado da menina, Thiago Saúde, disse que o caso não foi tratado como grave no primeiro atendimento e que “horas importantes” se perderam até a remoção.
A família ainda avalia a possibilidade de entrar com ação contra o Governo do DF.
Onde encontrar soro antiescorpiônico
A rede pública dispõe de 111 ampolas do soro em 11 hospitais:
- Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib)
- Hospital Regional da Asa Norte (Hran)
- Hospital Regional do Guará (HRGu)
- Hospital Regional de Brazlândia (HRBz)
- Hospital da Região Leste (Paranoá)
- Hospital Regional de Ceilândia (HRC)
- Hospital Regional do Gama (HRG)
- Hospital Regional de Santa Maria (HRSM)
- Hospital Regional de Planaltina (HRPl)
- Hospital Regional de Sobradinho (HRS)
- Hospital Regional de Taguatinga (HRT)
Esses locais são referência para tratamento imediato de acidentes com escorpiões no DF.
Com informações de Metrópoles
