A operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã desta quarta-feira (8/7) na casa onde Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, em Brasília (DF), teve como um dos objetivos confirmar o destino das dez armas registradas em nome do ex-presidente.
Origem da investigação
O inquérito foi aberto depois que a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) apreendeu, em 15 de junho, uma Glock 9 mm pertencente a Bolsonaro durante abordagem a um agente de segurança. Em depoimento, o ex-chefe do Executivo reconheceu a propriedade da arma e alegou que a mantinha em casa “por ter três mulheres no local e não poder ficar desarmado”.
Diante do episódio, Moraes determinou que Bolsonaro entregasse todas as armas, cancelasse o porte e o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). O prazo dado à corporação militar para repassar à Polícia Federal (PF) os equipamentos que ainda estivessem sob sua guarda foi de 48 horas.
Entrega parcial
Na noite de segunda-feira (6/7), o Exército Brasileiro informou ter transferido seis armas para a PF. O comunicado foi assinado pelo comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, e encaminhado diretamente ao STF.
Lista do arsenal
- Pistola Glock 9 mm – apreendida pela PMDF, sob custódia da Polícia Civil;
- Pistola Caracal – na PF desde 2023;
- Carabina/Fuzil Caracal – na PF desde 2023;
- Pistola SIG-Sauer – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Pistola Arex – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Pistola Forjas Taurus .380 – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Pistola Forjas Taurus .40 – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Carabina/Fuzil Springfield Armory – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Espingarda Typhoon – estava com o Exército e foi entregue à PF;
- Espingarda Maestro Arms Company – permanece em importadora no RS, segundo a defesa.
Embora o Judiciário esperasse oito armas nas instalações da PF, apenas seis foram localizadas pelo Exército. Faltavam precisamente a Glock 9 mm — já retida pela PMDF — e a espingarda 12 calibre da Maestro Arms Company.
Justificativa da defesa
Advogados de Bolsonaro protocolaram petição no STF explicando que a espingarda nunca esteve com o cliente nem com o Exército. De acordo com o documento, o armamento, adquirido como presente, continua na empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, no Rio Grande do Sul, aguardando regularização de registro e transferência.
Imagem: Internet
Resultado da nova busca
O defensor João Henrique Freitas relatou nas redes sociais que a ação desta quarta-feira na residência do ex-mandatário durou cerca de uma hora e se concentrou em armas, munições, acessórios e documentação. Segundo ele, nada foi apreendido.
A Polícia Federal fará cruzamento de dados para verificar se o percurso das armas restantes corresponde às informações apresentadas pela defesa.
Com informações de Metrópoles
