Datafolha: Lula consolida força no Nordeste, Flávio avança no Sul e Cury cresce entre jovens

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    O retrato mais recente do Datafolha, colhido em 1º e 2 de setembro, confirma a permanência dos principais redutos dos dois líderes da corrida presidencial de 2026: Lula (PT) segue hegemônico no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) assume a dianteira no Sul com margem que já supera a do levantamento anterior. A surpresa da rodada veio do escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que saltou de 1% para 14% entre eleitores de 25 a 34 anos, rompendo o limite da margem de erro nesse segmento.

    No total da amostra nacional — 2.002 entrevistados em 125 municípios, margem de erro de dois pontos percentuais — o presidente marca 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador. Cury ganhou seis pontos e chegou a 8%, desempenho que repercute principalmente em faixas etárias mais jovens e no eleitorado com ensino superior.

    Mapa regional: polos cristalizados no Nordeste e no Sul

    Lula repete 53% das preferências no Nordeste, seu recorde entre todos os recortes analisados. Flávio aparece com 22% na região, praticamente reproduzindo os 25% verificados duas semanas antes. Mesmo com a margem de erro de quatro pontos percentuais no Nordeste, o petista mantém vantagem folgada.

    O quadro se inverte no Sul. O senador chegou a 44%, ante 25% do presidente. Na sondagem anterior, os dois apareciam tecnicamente empatados, com 38% e 33%, respectivamente. Agora, a oscilação de seis pontos pró-Flávio e a queda de oito pontos de Lula, ainda que dentro da margem de erro de seis pontos para o recorte, criam uma diferença mais nítida.

    Sudeste ainda indefinido

    No Sudeste, o Datafolha aponta empate técnico: 36% para Lula e 34% para Flávio. Há duas semanas, o quadro era praticamente o inverso, com pequena vantagem do senador. O vaivém indica disputa aberta na região de maior peso eleitoral do país.

    Centro-Oeste/Norte: leve vantagem bolsonarista

    Quando Norte e Centro-Oeste são agrupados, Flávio aparece com 39% e Lula com 33%, resultado que se mantém dentro do empate técnico considerando a margem de erro de cinco pontos para esse agrupamento. Ainda assim, a curva mostra discreto crescimento do candidato do PL — ele tinha 35% na rodada anterior.

    Recortes sociodemográficos

    Religião: evangélicos com Flávio, católicos com Lula

    • Evangélicos: Flávio 45% (ante 48%), Lula 24% (era 23%). A diferença permanece ampla, mesmo após leve oscilação.
    • Católicos: Lula 44% (caiu dois pontos), Flávio 29% (estável). O petista conserva liderança folgada nesse público.

    Escolaridade: virada entre diplomados

    Entre eleitores com ensino superior completo, Flávio registra o maior ganho da pesquisa: salta de 42% para 51%, superando Lula, que cai de 45% para 37%. A diferença ultrapassa em um ponto o limite de erro para esse estrato, configurando mudança estatisticamente significativa.

    Nos demais níveis de instrução, não houve alterações além da margem: Lula segue à frente entre quem possui até o ensino fundamental, e há equilíbrio entre os que concluíram o ensino médio.

    Idade: o fenômeno Augusto Cury

    A maior movimentação da rodada é protagonizada por Augusto Cury. Entre 25 e 34 anos, o escritor passa de 1% para 14%, superando a margem de erro de quatro pontos nessa faixa etária. Ele também avança entre os mais jovens (16 a 24 anos), onde sai de zero para 10%, variação, porém, ainda dentro do erro amostral de seis pontos.

    Datafolha: Lula consolida força no Nordeste, Flávio avança no Sul e Cury cresce entre jovens - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Quando se observa o recorte por escolaridade, Cury repete os 14% entre eleitores com diploma universitário — tinha 4% duas semanas antes — e sobe de 1% para 8% entre quem concluiu o ensino médio. O avanço nesses dois segmentos ultrapassa o limite estatístico, indicando que o candidato passou a ser notado por públicos urbanos e conectados.

    Cenário de segundo turno: empate técnico persiste

    Se a disputa chegar ao segundo turno, o levantamento projeta 46% para Lula contra 44% de Flávio, resultado dentro do empate técnico para a margem de erro global. Há 15 dias, o placar era 47% a 43%, também sem diferença estatística robusta. Na prática, o Datafolha sugere corrida aberta e dependente da dinâmica nas regiões chave.

    Rejeição alta para os dois líderes

    O índice de eleitores que dizem não votar em hipótese alguma segue elevado para ambos: 47% rejeitam Flávio e 45% rejeitam Lula. A dupla concentra a maior rejeição entre todos os nomes pesquisados, fator que ajuda a explicar a volatilidade em alguns segmentos e o espaço para crescimento de alternativas como Cury.

    Avaliação do governo federal

    O Datafolha também aferiu a percepção sobre o atual governo. Para 42% dos entrevistados, a administração é ruim ou péssima; 31% a classificam como ótima ou boa; e 25% consideram regular. O saldo negativo alimenta a rejeição ao presidente e cria margem para o adversário explorar insatisfação, especialmente em regiões onde a economia patina.

    Metodologia

    A pesquisa ouviu pessoalmente 2.002 brasileiros com 16 anos ou mais em 125 municípios. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03669/2026. A margem de erro para o conjunto da amostra é de dois pontos percentuais, com índices próprios para cada segmento regional ou sociodemográfico citados neste texto.

    Principais números do primeiro turno:

    • Lula (PT): 38% no total; 53% no Nordeste; 25% no Sul.
    • Flávio Bolsonaro (PL): 33% no total; 44% no Sul; 22% no Nordeste.
    • Augusto Cury (Avante): 8% no total; 14% entre 25-34 anos e entre diplomados.

    Com mais de um ano pela frente até o pleito, o cenário segue marcado por redutos regionais consolidados, forte polarização e espaço para que candidaturas alternativas conquistem nichos específicos do eleitorado.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.