A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Governador Valadares, Leste de Minas Gerais, protocolou uma Notícia de Fato no Ministério Público estadual para que sejam investigados comentários transfóbicos e racistas dirigidos à travesti Tiana Cardeal, de 93 anos, após a homenagem que ela recebeu na Câmara Municipal em 24 de junho.
Investigação de LGBTfobia
Responsável pelo pedido, o advogado Washington Fabri, da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero (CDSG) da subseção local, afirmou ter encaminhado ao Ministério Público capturas de tela que identificam cerca de 100 perfis envolvidos nos ataques. “Não podemos permitir impunidade. Vamos buscar a responsabilização do maior número possível de pessoas, inclusive como medida pedagógica”, declarou.
Fabri relatou ainda que, após divulgar as providências adotadas pela OAB, também passou a receber ofensas nas redes sociais. Segundo ele, a quantidade de mensagens ofensivas é superior ao material reunido, pois a repercussão da homenagem dificultou a coleta integral dos comentários.
Proteção a Tiana
Amigos tentam poupar Tiana, que não utiliza redes sociais, do conteúdo hostil. “Explicamos que existem comentários ruins, mas evitamos mostrar a dimensão dos ataques”, informou o assessor Príncipe Fefa Bastet.
Reações nas redes
Até o fechamento desta reportagem, publicações sobre a homenagem acumulavam 4.040 comentários. Parte elogiava a trajetória de resistência da homenageada; outra parte questionava o tributo e lançava ofensas, como “Homenagem por quê? Por ser travesti?” e “Esse país virou circo”. Entre as mensagens de apoio, um usuário escreveu: “Imagino quão incrível você tem que ser para chegar nessa idade no país que mais mata pessoas trans no mundo”.
Manifestação da autora da homenagem
A vereadora Sandra Perpétuo (PT), que propôs a Moção de Aplausos, classificou os ataques como reflexo de preconceito estrutural. “Ofender uma pessoa de 93 anos mostra que o preconceito ultrapassa qualquer limite de humanidade”, afirmou, acrescentando que agressões contra pessoas trans afetam toda a sociedade.
Imagem: Internet
Cerimônia na Câmara
A homenagem a Tiana ocorreu durante audiência pública que discutiu os desafios da população LGBTQIAPN+. No plenário, Tiana relembrou dificuldades enfrentadas ao longo da vida: “Já sofri tanto no mundo. Trabalhei lavando roupa para comer; uns pagavam, outros não”. Um trecho do documentário “Meu nome é Tiana”, lançado em novembro passado, foi exibido durante a sessão.
Trajetória
Nascida em Governador Valadares, Tiana Cardeal é reconhecida como a travesti mais velha do Brasil. Sua história, marcada por episódios de violência e discriminação, ganhou visibilidade nacional após o documentário que narra sua luta e perseverança.
Com informações de Metrópoles
