Choque e comoção tomaram conta de Mogi Mirim e da comunidade jurídica após o advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, ser localizado morto numa estrada de terra do Distrito Industrial Luiz Torrani, na noite de domingo (2). Militante dos direitos das pessoas com deficiência e mestre em Direitos Humanos pela USP, Lucas era conhecido pelo trabalho contra o preconceito — cenário que leva a polícia a investigar a hipótese de crime de ódio.
O corpo, nu e com marcas de agressões no rosto, foi encontrado em posição fetal. Poucas horas depois, o carro dele apareceu totalmente carbonizado em uma área próxima. O delegado Fábio Chrysostomo afirma não haver, até o momento, relatos de desavenças envolvendo a vítima. Familiares e autoridades buscam câmeras de segurança que possam reconstituir os últimos movimentos do advogado.
Linha do crime
Local e circunstâncias
Guardas municipais que faziam patrulhamento pela zona rural encontraram Lucas em um ponto pouco iluminado do distrito industrial. Segundo a comandante Elaine Navarro, além dos ferimentos na face, havia “um tecido amarrado ao pescoço e ao corpo”. A cena indicava violência anterior ao abandono do cadáver.
Veículo incendiado
Quase simultaneamente, uma equipe da própria Guarda avistou o automóvel do advogado completamente queimado, reforçando a suspeita de tentativa de ocultar provas. A perícia foi acionada para analisar eventuais vestígios que resistiram às chamas.
Busca por imagens e testemunhas
Sem registros de câmeras no local do achado, parentes percorrem imóveis e estabelecimentos em um raio próximo ao trajeto habitual de Lucas. O tio Igor Luis de França Silva relata que qualquer gravação poderá indicar se o jovem estava acompanhado ou se foi rendido em outro ponto da cidade.
Quem era Lucas Silva Lopes
Trajetória acadêmica e profissional
Nascido em Campinas e inscrito na OAB na subseção local desde 2020, Lucas concluiu mestrado em Direitos Humanos pela USP e ingressou no doutorado na mesma área. Ele integrava, na Ordem, as comissões de Direitos Humanos e dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
O advogado era funcionário da Ambev e, antes disso, esteve na diretoria da Casa da Criança Paralítica (CCP) entre 2023 e o início de 2026, instituição onde também foi paciente na infância. O período de gestão foi descrito pela entidade como “de contribuição significativa” para a missão de inclusão.
Ativismo e superação pessoal
Nas redes sociais, Lucas declarava ter paralisia cerebral e costumava relatar experiências para incentivar outras pessoas. Amigos recordam que o engajamento começou ainda no ensino fundamental, quando ele “lutava contra preconceitos” na escola, segundo relato de uma colega.

Imagem: Internet
Repercussão e notas de pesar
OAB cobra rapidez
Em nota, a OAB Campinas lamentou a perda, destacou o compromisso de Lucas com a defesa de minorias e exigiu celeridade na apuração. A subseção frisou ser “inaceitável que um advogado seja vítima de violência por conta do exercício da profissão”, mas não descarta outras motivações.
Manifestação de amigos e professores
Mensagens de ex-professores da PUC-Campinas e da extensão de Natação Paralímpica da Unicamp ressaltaram a alegria e o “enorme desejo de viver” do ex-aluno. Uma docente descreveu o ex-estudante como peça fundamental “na construção de uma sociedade mais justa”.
Empresas e instituições
A Ambev informou que presta “todo o apoio necessário” à família. Já a Casa da Criança Paralítica divulgou pesar público, lembrando que Lucas “deixou marcas de carinho, convivência e aprendizado”.
Próximos passos da investigação
Policiais civis aguardam laudos de necropsia e exames laboratoriais para determinar a causa exata da morte. A delegacia analisa o conteúdo de aparelhos eletrônicos apreendidos e não descarta requisitar suporte de unidades especializadas em crimes de intolerância caso indícios reforcem a tese de ódio.
Enquanto isso, parentes e amigos organizam novos atos de homenagem. “Inspirou todas as pessoas que o conheceram. Que a justiça seja feita”, diz um dos posts que viralizaram em redes sociais, ecoando a principal demanda da comunidade: respostas rápidas e punição aos envolvidos.
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