O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um procedimento sigiloso para investigar informações classificadas como “eventos fortuitos” localizadas no celular de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro. A decisão foi assinada na terça-feira (1º) e concede 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os indícios apontados pela Polícia Federal (PF) e as possíveis hipóteses criminais.
O novo procedimento ocorrerá de forma independente do inquérito que apura o destino de joias recebidas pelo ex-chefe do Executivo. A PGR concordou com o pedido da PF de desmembrar a investigação, argumentando que os elementos localizados no aparelho de Wassef não têm “conexão ou pertinência” com a apuração principal.
A Polícia Federal solicitou a abertura da apuração paralela em 4 de março. No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento da investigação sobre possível apropriação de presentes de luxo por Bolsonaro, alegando inexistir legislação que regulamente a destinação de brindes recebidos por presidentes de autoridades estrangeiras. Apesar do parecer, Moraes manteve o inquérito das joias ativo e requisitou que a PGR se pronunciasse especificamente sobre o material extraído do celular de Wassef.
Em nota, o advogado reiterou que a busca e apreensão realizada pela PF foi “nula e ilegal”, porque teria violado suas prerrogativas profissionais ao ocorrer sem a presença de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Wassef sustenta ainda que o aparelho fora apreendido há três anos e não conteria qualquer dado ilícito que justificasse nova investigação. “Jamais pratiquei qualquer irregularidade”, afirmou.
Imagem: CRISTIANO MARIZ
O processo tramita sob sigilo determinado pelo STF.
Com informações de O Globo
