Ministério Público deflagra operação contra Milton Leite, ex-presidente da Câmara paulistana

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    O Ministério Público de São Paulo cumpriu, na manhã desta quinta-feira (17), mandados que têm como principal alvo Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal e vereador por sete mandatos consecutivos, de 1997 a 2024. Sem cargo eletivo desde o início do ano, o político do União Brasil é investigado por possíveis ligações com policiais militares que prestavam escolta particular a executivos da Transwolff, empresa de transporte coletivo cujo contrato com a prefeitura foi rompido após suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC.

    Documentos obtidos pela Promotoria apontam que Leite pode ter intermediado a contratação de agentes da Polícia Militar para a segurança privada da companhia. As apurações também avaliam eventuais benefícios financeiros e políticos obtidos pelo ex-vereador junto à Transwolff, que rejeita qualquer vínculo com o crime organizado.

    Como surgiu a suspeita

    Inquérito da Corregedoria da PM

    A investigação ganhou corpo a partir de um inquérito interno da Corregedoria da Polícia Militar. No processo, analisado em fevereiro, o sargento Nereu Aparecido Alves enviou mensagem ao diretor da empresa de ônibus, Cícero de Oliveira, referindo-se a Milton Leite como “chefe”. O diálogo foi considerado indício de proximidade entre o ex-parlamentar e o esquema de segurança da Transwolff.

    Mensagens e indicações

    Outro ponto que chamou a atenção dos promotores foi o depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario. Ele afirmou acreditar que o capitão Alexandre Paulino Vieira, responsável por coordenar os PMs que faziam a escolta dos executivos, teria sido indicado por Leite. Vieira trabalhava na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal desde outubro de 2014.

    Resposta do investigado

    Procurado ainda em fevereiro, Milton Leite disse não conhecer o sargento Nereu e negou ter participado da seleção de policiais para a empresa. Sobre o capitão Vieira, afirmou que o manteve no cargo porque ele já atuava na Casa havia três gestões, reiterando não ter envolvimento com a Transwolff.

    Relação entre Transwolff e agentes públicos

    A Transwolff operava linhas municipais na zona sul da capital até ter seu contrato cancelado na Operação Fim da Linha, conduzida pelo mesmo Ministério Público que agora investiga Leite. Segundo a Promotoria, a companhia funcionava como braço financeiro do PCC, hipótese que a direção da empresa classifica como “acusação sem provas”.

    A escolta particular de seus dirigentes era organizada exclusivamente por militares da ativa, prática considerada irregular pela Polícia Militar. Os depoimentos coletados revelam que o serviço particular era remunerado em espécie, sem comunicação formal aos comandos da corporação.

    “Ligações estreitas” com capitão da Câmara

    Relatório da Corregedoria menciona “estreitas ligações” entre Milton Leite e o capitão Vieira, baseadas no longo período em que ambos coexistiram no Legislativo paulistano. O documento embasa a tese de que o político teria atuado para garantir a permanência de Vieira na Câmara e, paralelamente, facilitar sua ida para a Transwolff.

    Em nota enviada na época, a Câmara Municipal destacou que o oficial “atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes” e que não havia registros que o desabonassem.

    Histórico e influência política

    Presidência recorde

    Com quatro passagens pelo comando da Câmara – 2017, 2018, 2021, 2022, 2023 e 2024 –, Milton Leite tornou-se o presidente mais longevo do Legislativo paulistano desde a redemocratização. Durante os anos em que chefiou a Casa, ganhou fama de articulador com forte base eleitoral na zona sul, especialmente nos bairros de M’Boi Mirim e Campo Limpo.

    Ministério Público deflagra operação contra Milton Leite, ex-presidente da Câmara paulistana - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Atuação após deixar o mandato

    Mesmo fora do plenário, Leite manteve protagonismo. Nos últimos meses, dedicou-se às campanhas dos filhos: Alexandre Leite, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa, e Milton Leite Filho, candidato à Câmara Federal. Ainda em 2025, tentou emplacar o aliado Silvão Leite na presidência da Câmara, mas o posto acabou renovado em favor de Ricardo Teixeira, também do União Brasil e próximo do prefeito Ricardo Nunes.

    Reconhecimento na Alesp

    Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa paulista entregou a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, maior distinção da Casa, valorizando sua atuação em projetos ligados à preservação de mananciais e à urbanização de periferias. Na cerimônia, ele lembrou a infância como vendedor de pães no M’Boi Mirim e defendeu que “a palavra deve ser honrada na vida pública”.

    O que o Ministério Público busca agora

    Os promotores responsáveis pela operação desta quinta-feira reúnem documentos bancários, registros telefônicos e eventuais provas de transações entre Leite, policiais militares e dirigentes da empresa de ônibus. O objetivo é esclarecer se houve vantagem ilícita ou tráfico de influência na manutenção dos contratos da Transwolff com o município e na proteção armada fora do horário de serviço dos PMs.

    Fontes ligadas à investigação afirmam que novos depoimentos de policiais e de ex-colaboradores do gabinete de Leite serão colhidos nos próximos dias. Caso se confirmem as suspeitas, o ex-vereador pode responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa e improbidade administrativa.

    Possíveis desdobramentos políticos

    A ofensiva do Ministério Público ocorre num momento em que o União Brasil tenta ampliar espaço nas eleições municipais. Uma eventual denúncia contra Leite pode afetar o desempenho eleitoral de aliados, sobretudo na zona sul, reduto que costuma definir cadeiras no Legislativo paulistano.

    Até o fim da tarde, a defesa do ex-parlamentar não havia sido localizada para comentar os desdobramentos da operação. A Promotoria declarou que os autos seguem em sigilo para garantir a coleta de provas.

    Milton Leite ainda não se pronunciou publicamente sobre a nova fase da investigação.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.