Mineira curada de Guillain-Barré teve caso reconhecido como milagre que impulsionou canonização de Santo Aníbal

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    A cidade de Passos, no Sul de Minas, prepara-se para as comemorações dos 100 anos da morte de Santo Aníbal Maria Di Francia (1851-1927), fundador da Congregação dos Rogacionistas. Foi ali que a cura da então menina Gleida Danese, hoje com 50 anos, foi considerada o primeiro milagre atribuído ao religioso italiano, fato decisivo para sua beatificação em 1990 e, posteriormente, para a canonização em 2004.

    Doença grave aos nove anos

    Em julho de 1985, aos nove anos, Gleida apresentou Síndrome de Guillain-Barré, distúrbio autoimune que ataca os nervos periféricos. Internada na Santa Casa de Misericórdia de Passos, ela sofreu cinco paradas cardiorrespiratórias, ficou mais de um mês em coma, passou por traqueostomia e enfrentou longo período de fisioterapia.

    Na madrugada considerada mais crítica, uma queda de energia afetou o hospital, então sem gerador suficiente. Sem sinais vitais detectáveis, a equipe médica informou à família que a reversão era improvável. O pai da menina, médico pediatra, acompanhava o quadro.

    Intercessão e recuperação súbita

    Enquanto a situação se agravava, a avó paterna da criança, Maria Aparecida Amparado Danese, rezava na Capela do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos e pedia a intercessão do até então Venerável Padre Aníbal. Minutos depois, Gleida voltou a apresentar batimentos cardíacos. A melhora, descrita pelos médicos como repentina e sem explicação científica, levou à alta hospitalar sem sequelas.

    Investigação canônica

    O caso foi levado à Congregação para a Causa dos Santos. Segundo o reitor do Santuário Santo Aníbal, padre Silas de Oliveira, mais de 30 testemunhas foram ouvidas e cerca de 2 000 páginas de documentos médicos e depoimentos foram reunidas. O dossiê listou, além da Guillain-Barré, ruptura traumática da aorta, choque hipovolêmico e anemia pós-hemorrágica. A cura foi considerada cientificamente inexplicável e aceita como milagre oficial do sacerdote italiano.

    Beatificação em 1990 e canonização em 2004

    Reconhecido o milagre, o Papa João Paulo II proclamou Aníbal Maria Di Francia Bem-aventurado em 7 de outubro de 1990, durante cerimônia na Praça de São Pedro. Em 16 de maio de 2004, o religioso foi canonizado. Gleida, presente nas duas ocasiões, tornou-se testemunha oficial do processo.

    Vida dedicada ao cuidado

    A experiência influenciou diretamente a escolha profissional da mineira, que se formou em enfermagem. Atualmente residente em Alcobaça, na Bahia, ela afirma ver na carreira a oportunidade de retribuir o atendimento humanizado que recebeu na infância.

    Centenário e imagem peregrina

    Como parte do Ano Jubilar pelo centenário de morte do santo, o Santuário Santo Aníbal Maria Di Francia lançou uma imagem peregrina com relíquia de primeira classe – fios de cabelo do religioso. A escultura foi produzida pelo artista Bruno Carvalho e finalizada pelo padre Silas, com objetivo de difundir a espiritualidade rogacionista em paróquias, escolas e comunidades de todo o país.

    Com informações de Metrópoles

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.