A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou nesta terça-feira (30) ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, que pretendia se desfiliar da sigla. A saída, porém, foi abortada após intervenção da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que convenceram Michelle a permanecer na legenda.
Embora tenha decidido ficar no PL, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, função que ocupava desde março de 2023. A medida é reflexo do conflito público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo partido como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Crises recentes
Na quarta-feira passada (24), Michelle divulgou dois vídeos nas redes sociais acusando Flávio de tratamento “ríspido” e “desrespeitoso”. O desentendimento teve origem na definição de alianças no Ceará: Flávio e a cúpula da sigla apoiam Ciro Gomes (PSDB) para o governo estadual, enquanto Michelle se posiciona contra.
A repercussão levou a ex-primeira-dama a informar a parlamentares aliados que não concorrerá mais ao Senado pelo Distrito Federal, cargo planejado pela direção do PL. Segundo pessoas próximas, ela se sente esgotada e teme os efeitos do embate sobre as filhas. Michelle também diz querer dedicar atenção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Pressões internas
Aliados buscam reverter a desistência da candidatura antes das convenções partidárias, que vão até agosto. Entre os críticos de Michelle pelos vídeos estão o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo, todos próximos de Flávio.
Mesmo após a troca de farpas, Flávio convidou Michelle para um evento de pré-campanha voltado a mulheres agendado para esta quarta-feira (31), mas a presença dela é considerada improvável.
Imagem: CRISTIANO MARIZ
Movimentação no DF
O plano original do PL previa Michelle disputando uma das vagas ao Senado, com a deputada Bia Kicis (PL-DF) na outra e Celina Leão concorrendo ao governo local. A decisão de Michelle de se afastar do pleito obriga a sigla a rediscutir a chapa.
Valdemar Costa Neto tenta apaziguar o clima. “O PL cresceu demais e é natural que as divergências cresçam também”, afirmou o dirigente após a reunião em que Michelle renunciou ao comando do PL Mulher.
Com informações de O Globo
