São Paulo — Marinalva Vieira Alves de Santana afirmou em depoimento à Justiça, na última quarta-feira (1º/7), que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, “destruiu” a família ao matar a soldado Gisele Alves Santana, 32, em fevereiro deste ano. A declaração foi dada durante a fase de instrução do processo que apura a morte da militar.
Gisele foi baleada na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central da capital paulista. Na ocasião, o oficial alegou ter ocorrido suicídio, versão contestada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que o denunciaram por feminicídio e fraude processual. O coronel está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes.
“Ela gostava de viver”, diz mãe
No tribunal, Marinalva negou qualquer indício de comportamento suicida da filha. Segundo ela, a soldado fazia planos para o futuro e estava focada em criar a filha de 7 anos. “Para vir um verme desse e fazer isso com minha filha… nem se chama de gente”, declarou, referindo-se ao réu.
Filha do casal apresenta gatilhos
Após o crime, a criança passou a morar com os avós maternos e, de acordo com Marinalva, chora com frequência quando lembranças da mãe surgem. A menina também se abala quando é chamada de “filhinha”, expressão que, segundo a avó, era usada pelo coronel.
Antes da morte de Gisele, a criança teria confidenciado à avó que não queria voltar ao apartamento do casal devido às brigas: “Vó, eu não aguento mais”. Durante as discussões, a garota relatava se esconder no quarto.
Tentativas de separação
Marinalva contou que a filha tentou deixar o relacionamento pelo menos quatro vezes. Dias antes de morrer, Gisele ligou chorando para os pais e pediu para ser buscada. Ela prometeu retornar à casa dos pais no dia seguinte, mas avisou que precisava conversar com o marido; não voltou mais.
Imagem: Internet
Próximos passos do processo
A fase de instrução do caso começou em 29 de junho com oitiva de testemunhas de acusação e defesa. O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto, previsto para 3 de julho, foi adiado a pedido da defesa e remarcado para 28 de agosto.
Enquanto responde na Justiça, o oficial continua recebendo salário integral, que ultrapassa R$ 28 mil, conforme publicação no Diário Oficial. Gisele, na ativa, recebia cerca de R$ 7 mil.
Com informações de Metrópoles
