Londres reage a Milei e reforça comprometimento “inabalável” com as Ilhas Malvinas

    0

    O governo britânico elevou o tom em defesa das Ilhas Malvinas nesta quarta-feira (4), depois de o presidente argentino, Javier Milei, anunciar um pacote de sanções contra companhias de petróleo que atuam no arquipélago. “Nosso compromisso é absoluto e inabalável”, afirmou o secretário de Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, em mensagem nas redes sociais.

    Milei, em pronunciamento em rede nacional na noite de terça, prometeu endurecer a legislação argentina, criar uma base naval na Terra do Fogo e apresentar ao Congresso um projeto de lei para punir empresas envolvidas na exploração de hidrocarbonetos na região sob controle britânico. A ofensiva reabriu a disputa diplomática e expôs divergências sobre o futuro do Projeto Sea Lion, campo offshore que deve iniciar produção em 2028.

    Resposta imediata de Londres

    Logo ao amanhecer, Streeting publicou que “as Malvinas são britânicas porque os moradores escolheram ser britânicos”, referência ao referendo de 2013 em que 99,8% dos habitantes votaram por manter o status de território ultramarino do Reino Unido. O secretário classificou a fala de Milei como “manobra de política interna” e garantiu que a autodeterminação dos ilhéus continuará sendo “linha vermelha” para Downing Street.

    Em nota paralela, o escritório do primeiro-ministro reiterou que a soberania britânica não está em negociação e que qualquer diálogo sobre o arquipélago deve respeitar o desejo da população local. “A posição do Reino Unido permanece inalterada”, destacou o comunicado.

    A nova investida da Casa Rosada

    Milei retomou a retórica sobre soberania pouco depois de completar dois anos no poder, em meio a queda de popularidade apontada por pesquisas domésticas. “As Malvinas são argentinas por história e por lei”, declarou, anunciando a revisão da Lei 26.659, que hoje exige autorização de Buenos Aires para exploração de petróleo na plataforma continental. O presidente quer acelerar sanções administrativas, pecuniárias e penais a empresas que operem “sem licença” em águas reclamadas pela Argentina.

    Mudanças legais propostas

    • Alteração da Lei 26.659 para permitir bloqueio imediato de ativos de companhias infratoras;
    • Criação de um Conselho de Segurança Nacional com poderes para ações econômicas e judiciais no exterior;
    • Envio ao Congresso de um projeto batizado de Lei de Defesa da Soberania Nacional, com multas mais altas e possível proibição de contratação pública de empresas autuadas.

    Base naval na Terra do Fogo

    Entre as medidas militares, Milei confirmou a construção de uma base de águas profundas no extremo sul do país. Segundo ele, a instalação ampliará a presença argentina no Atlântico Sul e servirá de ponto de apoio logístico para missões na Antártida. Ainda não há cronograma divulgado, mas o Ministério da Defesa estima orçamento inicial de US$ 250 milhões.

    Projeto Sea Lion na mira

    Principal alvo da investida argentina, o campo Sea Lion é operado pela israelense Navitas Petroleum em parceria com a britânica Rockhopper Exploration. Localizado ao norte das Malvinas, o empreendimento prevê investimento de cerca de US$ 1,8 bilhão e início de produção comercial em 2028, com expectativa de extrair 80 mil barris diários no primeiro estágio. Buenos Aires sustenta que o reservatório está sobre sua plataforma continental e, portanto, depende de autorização argentina — argumento rejeitado por Londres.

    Contexto histórico e geopolítico

    O arquipélago das Malvinas (Falklands, para os britânicos) foi palco de guerra em 1982, vencida pelo Reino Unido. Desde então, a disputa permanece inscrita na agenda das Nações Unidas como questão pendente de descolonização. Embora a ONU reconheça o litígio, não atribui soberania explícita a nenhuma das partes.

    Referendo de 2013

    Em março de 2013, 1.513 eleitores compareceram às urnas nas ilhas; apenas três votaram contra a continuidade do vínculo com o Reino Unido. O governo argentino considera o pleito ilegítimo, alegando que a população local é artificialmente britânica devido à política de povoamento iniciada no século XIX.

    Sinais que vêm de Washington

    A escalada verbal coincide com novos rumos da política externa norte-americana. Em entrevista recente, o presidente Donald Trump sugeriu que os EUA não interviriam em eventual conflito futuro, argumentando que o arquipélago “fica muito longe da Europa”. A fala foi interpretada em Buenos Aires como brecha para pressão diplomática sobre Londres. Pouco antes do anúncio de Milei, a subsecretária de Estado Sarah Rogers publicou foto ao lado do líder argentino, dizendo que “coisas emocionantes estão acontecendo no Hemisfério Ocidental”.

    Repercussão interna e próximos passos

    Analistas em Buenos Aires avaliam que o endurecimento do discurso serve para galvanizar apoio nacionalista num momento de austeridade econômica. O projeto de lei prometido por Milei deverá ser encaminhado ao Congresso nas próximas semanas, mas enfrenta resistência de parte da oposição, que teme represálias comerciais do Reino Unido e de parceiros europeus.

    Em Londres, parlamentares conservadores cobraram reforço da presença militar no Atlântico Sul, apesar de o Ministério da Defesa assegurar que a atual guarnição – composta por cerca de 1.200 soldados, quatro caças Typhoon e navios de patrulha – é “suficiente” para dissuadir ameaças. Downing Street, por sua vez, prefere manter a crise no campo diplomático, confiando no apoio internacional à autodeterminação dos ilhéus.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.