Integrantes próximos de Michelle Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro admitem, em conversas reservadas, que o conflito que opõe a ex-primeira-dama ao pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto dificilmente será resolvido antes ou depois das eleições de outubro.
A tensão aumentou no dia 25 de junho, quando Michelle divulgou um vídeo de 27 minutos com críticas ao enteado. Ela reclamou de ter sido preterida em palanques estaduais e afirmou ter sido “apunhalada pelas costas” por Flávio, que, segundo ela, tentou afastá-la das negociações partidárias.
Renúncia ao PL Mulher e incerteza no Senado
Após conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília, Michelle renunciou ao comando do PL Mulher. Ela também avalia retirar a pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, decisão que só deve ser anunciada perto da convenção que confirmará Flávio como candidato presidencial, prevista para o fim de julho.
Segundo interlocutores, a ex-primeira-dama chegou a cogitar desfiliar-se do partido, mas foi dissuadida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela governadora do DF, Celina Leão (PP). Ambas integram a chapa que abrigará Michelle caso ela permaneça na disputa ao Senado.
Fogo amigo e atuação externa
Aliados de Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que vive nos Estados Unidos, intensificaram críticas públicas a Michelle após o vídeo. O envolvimento desse grupo do exterior foi apontado como um dos fatores que inviabilizaram tentativas de reconciliação.
Desde então, Michelle deixou de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais. Carlos, ex-vereador do Rio e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, já mantinha histórico de atritos com a madrasta. Em entrevista de março de 2025, Michelle afirmou ter cortado contato com o enteado.
Imagem: Beto Barata
Resistência entre aliados
Um membro do núcleo duro da campanha de Flávio declarou que o embate “não vai acabar nunca” e atribuiu a disputa a problemas familiares de duas décadas. Um interlocutor próximo a Michelle reforçou que “eles se odeiam”, mostrando ceticismo quanto a qualquer trégua.
O Distrito Federal, onde Jair Bolsonaro obteve 58,81 % dos votos válidos no segundo turno de 2022, é considerado reduto eleitoral favorável a Michelle. Mesmo assim, aliados afirmam que ela não pretende se engajar na campanha de Flávio caso concorra ao Senado.
Com Jair Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar temporária e proibido de se comunicar publicamente desde a condenação a 27 anos e 5 meses por tentativa de golpe, a disputa por espaço no eleitorado bolsonarista permanece aberta e sem perspectiva de pacificação.
Com informações de O GLOBO
