Governo de SP encurta redução de pressão da água para 8 horas apesar de nível crítico no Cantareira

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    Mesmo sem chegar à metade da capacidade e registrando o segundo pior volume para julho em uma década, o Sistema Cantareira terá a redução noturna de pressão de água encurtada. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) deliberou que a Gestão de Demanda Noturna (GDN) passará de dez para oito horas diárias, medida que começa a valer 48 horas após a publicação oficial.

    A decisão, recomendada pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica e acatada pelo governo estadual, muda o horário de restrição para o intervalo das 22h às 6h. Hoje, a contenção dura dez horas contínuas. O ajuste ocorre no momento em que o Cantareira opera com 36,7% do volume útil – índice só pior que o de 2022 no recorte dos últimos dez anos.

    O que muda no abastecimento

    Na prática, a pressão da rede administrada pela Sabesp voltará a subir duas horas mais cedo nas manhãs paulistas, o que deve facilitar o reabastecimento de reservatórios domésticos e caixas d’água entre 6h e 8h. O governo alega que o encurtamento da GDN segue a metodologia de faixas de contingência usada desde 2015: o Cantareira desceu da faixa 3 para a faixa 2, condição que autoriza flexibilizar restrições.

    A transição de faixa ocorreu porque, em julho, o conjunto de reservatórios recebeu chuvas e afluências acima do projetado. Técnicos do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) calcularam que o volume armazenado terminou o mês 2,69% acima da projeção. Ainda assim, continua bem abaixo da média histórica para a estação chuvosa.

    Economia de água desde 2025

    Implantada em agosto de 2025, a GDN é apontada pelo Palácio dos Bandeirantes como a principal responsável por poupar 183 bilhões de litros de água nos últimos doze meses. A contenção consiste em reduzir a pressão das tubulações durante a madrugada, quando a demanda é menor. Com menor vazão, perde-se menos líquido em vazamentos e a água percorre distâncias menores até os pontos de consumo.

    Segundo a Sabesp, o ajuste de duas horas representa liberação adicional de aproximadamente 15 milhões de litros por dia na rede da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O impacto deverá ser monitorado semanalmente pelo comitê de segurança hídrica, que poderá restabelecer as dez horas caso o nível dos reservatórios volte a cair.

    Por que o Cantareira continua crítico

    Mesmo com a trégua das chuvas, o Cantareira permanece longe de uma situação confortável. O complexo de seis reservatórios voltou a apresentar armazenamento menor que 40%, patamar considerado de atenção pelos órgãos gestores. A última vez que o sistema superou 50% no período seco foi em 2019.

    Entre 20 e 26 de julho, choveram 31,6 mm sobre a bacia, volume 177% maior que o previsto pelos modelos meteorológicos para a semana. Na sub-bacia do rio Jaguari, em Extrema (MG) – responsável por parcela relevante da recarga –, foram 61,2 mm, 144% da média histórica de julho. Embora expressivas, essas precipitações não eliminam o déficit acumulado desde 2023. A série histórica indica que, para estabilizar o sistema, seria necessário um semestre inteiro com chuvas 25% acima da média.

    Faixa 3 de alerta federal mantém captação limitada

    Enquanto a metodologia paulista sinaliza melhora, o Sistema Cantareira segue enquadrado na Faixa 3 – Alerta pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Essa categorização federal impõe teto de retirada de 27 m³/s pela Sabesp, o mesmo limite aplicado nos momentos mais críticos. Caso o armazenamento caia abaixo de 30%, a ANA pode acionar restrições adicionais ou recomendar rodízio.

    Argumentos do governo

    A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, defende que a mudança respeita o equilíbrio entre segurança hídrica e conforto ao consumidor. “Choveu além do esperado e isso se refletiu diretamente na água que chega aos reservatórios”, afirmou. “O volume útil não supera a média histórica, mas está 2,67% acima do que projetávamos para julho. Seguimos acima da curva planejada.”

    Resende reforça o caráter crônico da escassez no estado e apela ao consumo consciente: “Seja no período chuvoso ou seco, a população precisa incorporar o uso racional da água à rotina. A gestão pública sozinha não resolve a vulnerabilidade do abastecimento.”

    Risco de nova crise não está afastado

    Especialistas ouvidos pelo comitê estadual alertam que a redução antecipada da GDN é viável, mas exige vigilância. A proximidade com agosto marca a transição para o trimestre mais seco na RMSP. Caso as frentes frias se desloquem e chova menos que o mínimo esperado, o Cantareira pode voltar a perder cerca de um ponto percentual a cada dez dias.

    Projeções climatológicas do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicam probabilidade de chuvas 10% abaixo da média em agosto e setembro, cenário que, se confirmado, anularia o ganho obtido em julho. Na pior hipótese, o sistema poderia chegar a novembro com menos de 30% da capacidade, repetindo níveis de 2014, ano mais crítico da série.

    Como fica o cotidiano dos consumidores

    • A pressão será reduzida diariamente das 22h às 6h em toda a área atendida pelo Cantareira.
    • Imóveis sem reservação adequada podem notar demora maior para encher caixas d’água nas primeiras horas da madrugada.
    • A Sabesp recomenda reservatórios internos de, no mínimo, 200 litros por morador, suficientes para 24 horas de consumo.
    • Clientes que enfrentarem desabastecimento prolongado devem abrir chamado pelo telefone 195 ou pelo app da companhia.

    Dicas de economia permanecem

    Embora o governo afirme que não há risco imediato de rodízio, as autoridades reiteram medidas rotineiras de redução de consumo: banhos curtos, reaproveitamento de água de lavagem de roupas, conserto rápido de vazamentos e captação de água de chuva para limpeza externa.

    Próximos passos na gestão hídrica

    O comitê integrado Arsesp–SP Águas voltará a se reunir dentro de 30 dias para reavaliar a curva de operação. Até lá, dados diários de volume, vazão e pluviometria serão divulgados nos portais do governo. Se o Cantareira permanecer acima de 38% até o fim de agosto, há possibilidade de nova flexibilização. Em caso contrário, a restrição de dez horas pode ser retomada ou até ampliada.

    Além do Cantareira, o Executivo monitora de perto os sistemas Alto Tietê, Guarapiranga, Rio Grande e Rio Claro, responsáveis por complementar o abastecimento da RMSP. Todos, por enquanto, operam com mais de 60% da capacidade, cenário que dá margem para eventuais manobras de transferência de água entre represas.

    Investimentos previstos

    Enquanto aguarda a esperada temporada de chuvas a partir de outubro, a Sabesp acelera obras de interligação entre bacias e substituição de redes antigas. O Plano de Redução de Perdas prevê trocar 3.000 quilômetros de tubulações até 2028, com investimento de R$ 7,3 bilhões. A expectativa é economizar 241 bilhões de litros por ano ao fim do ciclo.

    O governo aposta ainda na conclusão da ligação Jaguari–Atibainha, ampliação da Estação de Tratamento do Alto Jaguari e na compra de equipamentos de medição em tempo real para captar variações de vazão. Essas iniciativas, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, devem aumentar em 2 m³/s a disponibilidade hídrica antes de 2030.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.