O empate técnico apontado pelas últimas pesquisas Quaest entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos três maiores colégios eleitorais do país transformou o Sudeste no principal campo de batalha da campanha presidencial. Levantamentos divulgados nesta terça-feira (25) mostram os dois candidatos separados por, no máximo, um ponto percentual em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — Estados que concentram o maior número de indecisos e podem definir o resultado da eleição.
Com a margem de erro mantendo a disputa em situação de equilíbrio, as coordenações de Lula e Flávio já redesenham roteiros para multiplicar compromissos na região. A avaliação interna é unânime: quem avançar sobre o eleitorado ainda vacilante nessas praças larga na frente rumo ao Palácio do Planalto.
Números que acenderam o alerta nas campanhas
No maior colégio eleitoral do país, São Paulo, Flávio Bolsonaro aparece com 30 % das intenções de voto, contra 29 % de Lula. A margem de erro de dois pontos percentuais mantém o cenário de empate técnico. Em Minas Gerais, o senador tem 31 %, enquanto o presidente marca 30 %; no Rio de Janeiro, placar idêntico: 31 % a 29 % para o candidato do PL. Nesses dois Estados, a margem de erro é de três pontos percentuais.
Além da disputa ponto a ponto, a Quaest identificou um contingente expressivo de eleitores que ainda não definiu o voto: 17 % em Minas, 16 % no Rio e 13 % em São Paulo. Esse grupo é visto por analistas como o fiador de qualquer virada na reta final.
Sudeste vira prioridade absoluta
Dentro do núcleo petista, a ordem é intensificar viagens e atos públicos onde há mais votos em aberto. “Vamos priorizar esses três Estados. Seja pela importância política, peso do eleitorado, seja pelo volume de investimentos que o presidente realizou”, resumiu um integrante da campanha. A equipe de Lula aposta em entregar obras e programas concluintes na região como trunfo para conquistar os indecisos e melhorar sua posição em redutos nos quais foi derrotado em 2022.
No campo adversário, o coordenador da campanha liberal, senador Rogério Marinho (PL-RN), evita comentar pesquisas, mas admite foco semelhante. “Faremos campanha no Nordeste e em todo o Brasil. Porém, o nosso foco é vencer. E onde há o maior número de eleitores é no Sudeste”, afirmou à GloboNews. A leitura interna é que manter a liderança, ainda que apertada, nos maiores colégios eleitorais assegura vantagem estratégica no cômputo nacional.
Por que a região decide a eleição
Especialistas ouvidos pelas campanhas sustentam que o Sudeste se tornou decisivo em razão do volume de eleitores e da taxa de indefinição acima da média nacional. Como a distância entre Lula e Flávio é mínima, cada ponto percentual conquistado em São Paulo, Minas e Rio pode representar milhares de votos à frente no placar final.
Outro fator de peso é a capilaridade das chapas estaduais. Petistas avaliam que, desta vez, dispõem de palanques mais robustos do que em 2022 para reforçar a imagem de Lula. Já os aliados de Flávio acreditam que a rejeição menor do senador, em comparação ao pai, facilita a passagem do discurso bolsonarista em segmentos urbanos do Sudeste.
A força dos indecisos
O volume de eleitores ainda sem escolha cristalizada alimenta a expectativa de virada em ambos os quartéis-generais. Segundo a Quaest, a fatia de indecisos supera os dois dígitos nos três Estados, cenário incomum em fases mais avançadas do calendário eleitoral. Pesquisadores atribuem o fenômeno à presença de um candidato governista e de outro herdeiro do principal adversário de Lula em 2022, o que prolonga o processo de decisão do voto.

Imagem: Pedro Figueiredo
Para explorar essa brecha, as equipes planejam ações direcionadas. O PT pretende usar inaugurações de obras e encontros com segmentos populares para sublinhar realizações do governo federal. O PL, por sua vez, projeta carreatas, atos em universidades e transmissões ao vivo nas redes sociais para atrair jovens e indecisos de classe média.
Primeiros movimentos no tabuleiro
A nova etapa de campanha consolida uma tendência observada desde o início da corrida presidencial. No primeiro dia permitido pela legislação eleitoral, Lula abriu sua participação com um ato em São Paulo. Flávio, por sua vez, lançou oficialmente a candidatura em um evento no Rio de Janeiro, Estado onde mantém base eleitoral.
Na semana seguinte, ambos percorreram Minas Gerais, terceiro maior colégio do país. De lá, voltaram ao Rio para encontros com lideranças locais e agendas de rua. A duplicação de compromissos deverá se intensificar à medida que o calendário avance para os debates televisivos e a propaganda obrigatória.
Agenda em disputa
- Lula: inaugurações de obras federais e reuniões com prefeitos aliados em capitais e cidades-polo do interior paulista, mineiro e fluminense;
- Flávio Bolsonaro: carreatas, cultos e encontros empresariais, com foco em municípios onde o bolsonarismo venceu em 2022;
- Eventos conjuntos: ambos deverão participar de ao menos dois debates televisionados sediados em São Paulo até o fim de setembro.
Reta final promete disputa voto a voto
A combinação de empate técnico, alta parcela de indecisos e concentração de eleitores faz com que dirigentes das duas coligações prevejam uma campanha de “voto a voto” no Sudeste. Consultores ouvidos reservadamente apontam que qualquer deslize em temas sensíveis — segurança, emprego ou custo de vida — pode provocar migração rápida de eleitores ainda sem candidato definido.
Até aqui, os comandos partidários descartam ajustes em mensagens centrais. A intenção é ampliar a frequência de atos, reforçar a presença em rádio e TV locais e segmentar publicidade digital por região metropolitana, faixa etária e renda. Em um cenário de votos pulverizados, cada décimo percentual pode significar a diferença entre vitória e segundo turno.
Próximos passos
As duas campanhas mantêm calendário flexível para reagir a novos números de pesquisa. Caso a foto do momento se mantenha, a expectativa é que Lula e Flávio passem pelo menos três dias por semana em território paulista, mineiro ou fluminense até o fechamento das urnas. A disputa pelo coração do eleitorado do Sudeste, garantem estrategistas, está apenas começando — e promete intensificar o clima de rivalidade que marca a eleição de 2026.
