Brasília, 7 de maio – O Palácio do Planalto divulgou nota oficial nesta terça-feira (7) reprovando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em audiência pública realizada em Washington pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O encontro discutiu a tarifa de 25% que o governo norte-americano pretende impor a produtos brasileiros.
Único brasileiro a não se opor à taxação
Segundo o comunicado da Secretaria de Comunicação Social (Secom), 78 pessoas e entidades inscreveram-se para falar na audiência: 63 posicionaram-se contra a medida e 15 a favor. Dos 34 brasileiros que participaram, apenas Flávio Bolsonaro deixou de repudiar abertamente o tarifaço, propondo apenas o adiamento da cobrança.
O Planalto classificou a postura do parlamentar como “pressão de potência estrangeira contra o próprio país” e qualificou a conduta como “traição à Pátria”.
Eleições e histórico de apoio a tarifas
Analistas políticos ouvidos durante o programa Noblat avaliam que a viagem do senador e de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), teve caráter eleitoral. Faltando menos de 90 dias para o pleito municipal, Flávio buscaria dissociar-se da imagem de defensor do protecionismo do ex-presidente Donald Trump. Em 2023, ele e aliados chegaram a elogiar proposta de tarifa de 50% sobre produtos nacionais.
Criticas ao discurso do senador
Na nota, o governo sustenta que o senador:
Imagem: Internet
- legitimou investigação considerada injusta contra empresas brasileiras;
- defendeu a revogação de decretos que combatem conteúdos criminosos e violência contra mulheres na internet;
- mencionou o “caso Master” sem citar vínculos do esquema com a gestão de Jair Bolsonaro;
- omitiu a própria relação com o empresário Daniel Vorcaro, a quem teria solicitado mais de R$ 130 milhões para produção de filme sobre o pai;
- atribuuiu ao atual governo uma postura contrária ao PIX, apesar de propor subordinar o sistema a interesses norte-americanos.
Negociação contínua
O Planalto lembra que representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Itamaraty, Justiça e da Presidência mantêm conversas “ininterruptas” com o USTR desde julho de 2025 para revogar a tarifa. Enquanto o senador discursava, técnicos brasileiros participavam de reunião reservada com autoridades norte-americanas sobre o mesmo tema.
“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é oposição ao Brasil”, conclui a nota oficial.
Com informações de Metrópoles
