Um levantamento encomendado pelo Ministério da Saúde revelou que 41,6% dos homens sexualmente ativos já tiveram contato com o papilomavírus humano (HPV). Entre as mulheres, o índice é de 54,4%. Especialistas apontam que a diferença pode ser influenciada pela ausência de um teste padronizado para o público masculino.
Imprevisibilidade da infecção complica rastreio
De acordo com o urologista Marcelo Schneider Goulart, o vírus pode se alojar em regiões diversas — glande, sulco coronal, prepúcio, corpo do pênis, área perianal e orofaringe — o que torna a localização precisa mais difícil. Além disso, muitas infecções não apresentam lesões visíveis.
Estudos com diferentes amostras corporais apresentam desempenho variado. Um teste feito com urina, por exemplo, mostrou sensibilidade de apenas 37,5% quando comparado ao sêmen, motivo pelo qual nenhum desses métodos foi incorporado à rotina clínica masculina.
Infecção costuma ser silenciosa
Na maior parte dos homens, o HPV não causa sintomas, dificultando a procura espontânea por atendimento. “Muitos só buscam ajuda quando surgem verrugas anogenitais ou outras lesões visíveis”, explica o infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília.
O organismo tende a eliminar o vírus espontaneamente, mas casos recorrentes ou persistentes exigem atenção. Verrugas genitais podem afetar autoestima e vida sexual; já os subtipos 16 e 18, quando permanecem no corpo, elevam o risco de câncer de pênis, ânus e orofaringe.
Imagem: papilomavírus humano
Risco para parceiras e desconhecimento
Sem diagnóstico, o homem infectado se torna reservatório e pode transmitir o vírus, favorecendo o desenvolvimento de câncer de colo do útero, vulva, vagina e ânus em mulheres. Apesar disso, o tema ainda encontra resistência. Pesquisa do Instituto Ipsos indicou que 64% dos entrevistados desconhecem a relação entre HPV e câncer, e quase metade acredita que o preservativo sozinho garante proteção completa.
Vacinação ainda insuficiente entre meninos
A principal estratégia de prevenção é a vacinação, recomendada para meninos de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual. Mesmo assim, a cobertura no sexo masculino permanece abaixo da feminina. “É fundamental levar a vacina para as escolas e conscientizar os pais”, reforça Goulart.
Com informações de Metrópoles
