Um incêndio seguido de explosão em uma carreta que transportava produtos químicos, entre eles ácido sulfúrico, interrompeu o tráfego na BR-153 por mais de três horas na tarde desta segunda-feira (27). O bloqueio formou uma fila de veículos que se estendia do município de Professor Jamil até as proximidades de Goiânia, na região central de Goiás.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o fogo começou no reboque da composição. O motorista, de 38 anos, conseguiu desacoplar o cavalo mecânico antes que as chamas alcançassem toda a carga e saiu ileso, mas a rodovia precisou ser parcialmente interditada até a conclusão dos trabalhos de rescaldo e limpeza da pista.
Explosão gera horas de paralisação e longa fila nos dois sentidos
Câmeras de monitoramento e imagens aéreas mostraram uma sucessão de caminhões, carretas e veículos de passeio parados nos dois sentidos da rodovia. A interrupção total durou cerca de três horas, tempo suficiente para que o congestionamento chegasse a dezenas de quilômetros. Enquanto o Corpo de Bombeiros combatia as chamas, agentes da PRF desviavam parte do tráfego por vias secundárias.
No começo da noite, uma faixa no sentido Morrinhos–Goiânia foi liberada, permitindo a passagem lenta dos motoristas. A PRF estimou mais 1h30 de operação para retirar o material queimado, lavar o asfalto e avaliar eventuais danos à estrutura da pista. Mesmo assim, o órgão recomendou que os condutores evitassem a região até a completa normalização.
Motorista agiu rápido para evitar tragédia maior
Segundo o inspetor Rafael Borges, da PRF, o condutor percebeu o início das chamas ainda em movimento. Ao estacionar no acostamento, desconectou o cavalo mecânico do reboque, afastando o tanque de combustível da área em chamas e reduzindo o risco de uma explosão de maiores proporções. A manobra, classificada como “determinante” pelo policial, impediu que o fogo alcançasse toda a composição, o que poderia ter provocado vítimas e danos mais extensos à rodovia.
Apesar da ação rápida, a fiscalização identificou que o motorista não possui o curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP), exigência legal para quem transporta cargas químicas. A ausência da qualificação será incluída no relatório da ocorrência e poderá resultar em multa e suspensão do direito de dirigir veículos de carga até a regularização.
Derivados químicos se espalham e levantam alerta ambiental
A carreta saiu de São Paulo com destino a Goiânia carregando diferentes compostos, entre eles ácido sulfúrico. Parte do material vazou após a explosão e desceu o aclive natural da pista, misturando-se à água utilizada pelos bombeiros. Técnicos da Saneago foram acionados para verificar se um manancial próximo à rodovia recebeu resquícios do produto.
Embora o Corpo de Bombeiros tenha feito a lavagem emergencial do asfalto, a suspeita é de que o ácido tenha alcançado o sistema de drenagem pluvial e chegue a um córrego que desemboca no rio responsável pelo abastecimento de comunidades rurais. Amostras de água estão sendo coletadas e, caso seja confirmada a contaminação, a concessionária poderá recomendar a suspensão temporária da captação.
Procedimentos de limpeza e monitoramento
Após controlar as chamas, os bombeiros aplicaram espuma química para neutralizar resíduos inflamáveis e iniciaram a remoção mecânica da carga que restou. Em sequência, caminhões pipa realizaram uma lavagem mais intensa para diluir possíveis manchas de ácido no pavimento. Equipes especializadas em transporte de produtos perigosos realizaram a descontaminação dos trajes usados pelos primeiros socorristas.

Imagem: Internet
Enquanto isso, policiais rodoviários mantiveram o trânsito em sistema “pare e siga” até que as condições de segurança fossem restabelecidas. Um drone da corporação mapeou a extensão das áreas atingidas, permitindo à Defesa Civil avaliar se seria necessário interditar acostamentos ou canteiro central para futura reparação do solo.
Impacto econômico e reflexos no transporte
A BR-153 é um dos principais corredores de escoamento de grãos, carnes e industrializados que saem do sul do país em direção ao Norte e ao Nordeste. O bloqueio provocou atrasos em entregas de cargas perecíveis, fez motoristas extrapolarem o tempo máximo de direção permitido por lei e aumentou o consumo de combustível em veículos retidos sob sol forte.
Transportadoras relataram dificuldade para reagendar janelas de descarga na Região Metropolitana de Goiânia e no Distrito Agroindustrial de Anápolis. Há receio de que os contratos de just-in-time, comum no setor automotivo, sofram penalidades caso o fluxo não seja plenamente retomado até as primeiras horas da madrugada.
Investigação e possíveis autuações
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Crimes Ambientais, instaurou procedimento para apurar responsabilidade pelo vazamento químico. O proprietário do veículo deverá apresentar documentação da carga, laudos de segurança e comprovar a contratação do seguro obrigatório para transporte de substâncias perigosas.
Paralelamente, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode aplicar multa que varia de acordo com a quantidade de produto derramado e com o potencial de dano ambiental. Caso fique comprovado que o motorista não possuía o curso MOPP, a penalidade pode incluir a suspensão do Registro Nacional de Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC) da empresa contratante.
Trânsito segue em recuperação ao longo da noite
Até a última atualização desta reportagem, o fluxo de veículos apresentava lentidão de aproximadamente 10 km em cada sentido. Painéis eletrônicos instalados pela concessionária da via orientavam motoristas a reduzir a velocidade ao se aproximar do km 530, ponto do ocorrido. A previsão é de que a pista seja completamente reaberta ainda na madrugada, dependendo do resultado da análise do asfalto.
O Centro de Operações da PRF recomenda que quem segue para Goiânia a partir do sul do estado avalie rotas alternativas pela GO-217 ou aguarde a liberação definitiva para evitar novos congestionamentos. Já aqueles que precisam atravessar o trecho durante a noite devem redobrar a atenção à sinalização provisória e manter distância segura de caminhões-tanque que transportam cargas sensíveis.
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