Dólar volta a ganhar força com ataques entre EUA e Irã e eleva alerta nos mercados

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    O recrudescimento do confronto entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico devolveu cautela aos investidores nesta terça-feira (1º). Às 9h40, o dólar comercial subia 0,13% e era negociado a R$ 5,190, movimento que contrastava com a queda observada no fechamento da véspera. A procura por proteção também impulsionava o índice DXY, que compara a divisa americana a seis moedas fortes, em 0,20%, para 99,62 pontos.

    A tensão militar turbinou novamente o preço do petróleo e, por tabela, favoreceu ações ligadas ao setor no Ibovespa. Ao mesmo tempo, dados domésticos do PIB, que avançou 0,5% no segundo trimestre, e a proximidade da formação da Ptax de fim de mês compuseram o mosaico de forças que dita o câmbio nesta primeira sessão de setembro.

    Choque no Estreito de Hormuz volta a mexer no câmbio

    O gatilho para o humor defensivo foi a operação norte-americana de domingo (30), quando dois lançadores iranianos na ilha de Larak, ponto estratégico do Estreito de Hormuz, foram bombardeados. O Comando Central dos EUA classificou a ação como “limitada e precisa”, mas Teerã reagiu na madrugada de segunda (31) com mísseis sobre bases aéreas ianques na Jordânia, afirmando ter causado “graves danos”.

    Para o mercado, o risco imediato é a interrupção do fluxo de cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente que atravessa o estreito. “Com novas ofensivas diretas entre Washington e Teerã, o prêmio de risco embutido no barril subiu sensivelmente”, observa Bruno Cordeiro, analista da StoneX. Na segunda-feira, o Brent saltou 2,7% e fechou a US$ 90,48, patamar que não era visto desde abril.

    Impacto sobre ações de óleo e gás

    • Petrobras PN +3,37%
    • Prio +3,53%
    • PetroReconcavo +2,44%

    Os papéis com exposição à commodity sustentaram o Ibovespa, que encerrou a véspera em alta de 0,99%, aos 177.418 pontos. “O choque de oferta beneficia empresas exportadoras de petróleo e compensa parte do receio generalizado”, explica Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos.

    Títulos de longo prazo encarecem e reforçam aversão ao risco

    O reflexo das hostilidades também é sentido nos juros globais. A taxa das Treasuries de dez anos, parâmetro para financiamentos em todo o mundo, renovou o maior nível desde janeiro de 2025. Os papéis de 30 anos, por sua vez, rondam o pico das últimas duas décadas. Quando o rendimento dos títulos soberanos dos EUA sobe, o dólar tende a se valorizar, já que investidores migram recursos para a renda fixa americana.

    No Brasil, o movimento pressiona o real e, indiretamente, influencia a curva de juros locais. Banco Central e Federal Reserve têm citado a incerteza geopolítica entre os fatores que podem dificultar cortes nas taxas básicas.

    PIB positivo vira pano de fundo, mas não muda humor

    Internamente, o IBGE divulgou crescimento de 0,5% da economia no segundo trimestre. O resultado ficou em linha com a mediana das projeções e, segundo operadores, teve impacto limitado nos preços, já que o noticiário externo pesava mais. Ainda assim, a leitura reforça a percepção de que o Copom continuará cauteloso na calibragem da Selic, hoje em 10,75% ao ano.

    “Se a atividade segue resiliente e o petróleo dispara, as preocupações com inflação retornam ao radar”, comenta Moliterno. Esse receio, dizem gestores, ajuda a sustentar a moeda americana acima de R$ 5,10.

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    Imagem: Internet

    Eleições e regra fiscal adicionam volatilidade doméstica

    A temporada de pesquisas trouxe ingredientes adicionais. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg indicou Luiz Inácio Lula da Silva com 47,1% contra 42,6% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno, diferença menor do que em julho. Sondagem BTG/Nexus, divulgada na segunda, mostrou quadro parecido, com Lula (37%) e Flávio (31%) no primeiro turno e empate técnico no segundo.

    Parte do mercado vê Bolsonaro filho como mais comprometido com ajuste fiscal, enquanto cobra de Lula detalhes sobre a trajetória da dívida pública. O encurtamento da distância entre ambos “favorece o apetite ao risco”, segundo Moliterno, mas também mantém o câmbio sensível a cada novo dado eleitoral.

    Em paralelo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o fortalecimento – e não a troca – do atual arcabouço fiscal. Ele também citou possível flexibilização de políticas sociais, que passariam de obrigatórias a “despesas de fluxo”. O discurso foi lido como tentativa de sinalizar responsabilidade, mas sem detalhes suficientes para dissipar dúvidas.

    Ptax e balanço de agosto completam o quadro

    O primeiro pregão de setembro traz a ressaca da formação da Ptax mensal, usada para liquidação de contratos futuros. Na segunda, disputas entre comprados e vendidos afetaram a cotação, que terminou em R$ 5,181 (-0,28%). Ainda assim, no acumulado de agosto o dólar subiu 2,22%, enquanto o Ibovespa cedeu 0,33% – números que mostram a virada de humor em relação a julho.

    No ano, a divisa americana perde 5,32% ante o real, e o principal índice da B3 avança 9,02%. Se as tensões no Oriente Médio persistirem, porém, analistas já falam em revisão dessas estatísticas. “O câmbio pode testar novas resistências se o barril ficar acima de US$ 90 por tempo prolongado”, diz Cordeiro.

    Fatores monitorados pelos investidores

    1. Evolução do conflito EUA-Irã e impacto sobre petróleo
    2. Trajetória das Treasuries de 10 e 30 anos
    3. Sinais do Fed sobre cortes de juros em 2027
    4. Debate fiscal e pesquisas eleitorais no Brasil
    5. Divulgação de indicadores de inflação domésticos

    Como fica o cenário adiante

    Mesmo sem consenso sobre o próximo movimento dos bancos centrais, a leitura predominante é de que a janela para cortes mais agressivos se estreita, sobretudo se o choque de energia persistir. Para o real, isso significa conviver com maior volatilidade e, possivelmente, retorno ao patamar de R$ 5,20 a R$ 5,30, segundo casas de câmbio.

    Na B3, empresas de commodities podem seguir como porto seguro relativo, enquanto setores ligados ao consumo doméstico sentem a reprecificação dos juros. A Bolsa, no entanto, continua sensível às manchetes vindas do Golfo e às sinalizações do Planalto sobre disciplina fiscal.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.