DNIT amplia limite de peso e libera parte do tráfego na ponte da BR-365 sobre o Rio das Velhas

    0

    A circulação de caminhões sobre a ponte da BR-365, no distrito de Barra do Guaicuí, entre Várzea da Palma e Pirapora, ganha folga a partir deste sábado (1º). O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) elevou o Peso Bruto Total (PBT) permitido para 23 toneladas, retomando parte da capacidade da travessia depois de quase dois meses de restrição severa.

    A medida reduz o impacto logístico que vinha obrigando produtores rurais, transportadoras e motoristas a percorrer desvios de até 180 quilômetros. Mesmo com a reabertura parcial, o órgão federal sustenta que o tráfego continua sob vigilância em tempo real e que a intervenção é provisória até a conclusão das obras de reforço na estrutura.

    Novo enquadramento técnico

    Segundo o DNIT, o ajuste leva em consideração “o comportamento da estrutura e as especificidades operacionais observadas em campo”. Com a atualização, ficam autorizados:

    • Peso Bruto Total de até 23 toneladas;
    • Comprimento máximo de 15 metros;
    • No máximo quatro eixos por composição veicular.

    Continuam barrados veículos acima desse perfil, sobretudo carretas e bitrens que costumam transportar grãos, minério e combustíveis entre o Norte de Minas e a BR-040, corredor que liga Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

    Histórico das restrições

    Os limites começaram em janeiro, quando a ponte passou a aceitar cargas de até 25 toneladas após a constatação de danos nos cabos de sustentação. Em junho, vistorias indicaram avanço das fissuras nas lajes de aproximação, e o peso máximo despencou para 10 toneladas, fechando a passagem para praticamente todo o transporte de carga.

    Com o achatamento da capacidade, comboios de grãos e insumos agrícolas foram desviados para rotas estaduais, como a MG-496, o que elevou tempo de viagem, gasto com combustível e risco de acidentes em estradas simples. Empresários locais relataram encarecimento no frete e perda de competitividade, enquanto motoristas mencionaram estradas esburacadas, filas em postos de fiscalização e atrasos em entregas.

    Obra emergencial em preparação

    Para evitar colapso total, o DNIT decretou situação de emergência, ferramenta jurídica que encurta etapas de contratação e permite selecionar uma empresa especializada sem a burocracia tradicional. O processo está em fase final e a expectativa é de assinatura do contrato “nos próximos dias”, de acordo com a autarquia.

    Entre os serviços previstos estão reforço nos apoios, troca de elementos metálicos danificados e injeção de concreto especial nas vigas. O cronograma definitivo será divulgado após a homologação do contrato, mas técnicos estimam intervenção de seis a oito meses, dependendo do regime de chuvas no Rio das Velhas.

    Balsa como opção contingencial

    Enquanto a reforma não começa, o DNIT estuda manter a oferta de balsas para travessia de veículos que ultrapassam o limite atual. A alternativa seria acionada em caso de necessidade de interdição total durante a obra. Estudos de viabilidade logística e ambiental estão em curso, e o modelo inclui ancoradouros provisórios nas duas margens.

    Rotas alternativas continuam válidas

    Ainda que parte do tráfego volte à ponte, o órgão federal mantém recomendações de desvio para veículos mais pesados. Quem se desloca de Montes Claros para a BR-040 deve acessar a BR-135, passar por Bocaiúva e Buenópolis até Corinto, seguir pela MG-496 e reencontrar a BR-040 em Pirapora. No sentido oposto, o trajeto se inverte.

    Segundo empresários do setor de transporte, o desvio implica acréscimo médio de 60 a 70 litros de combustível por viagem, além de desgaste maior nos caminhões. Produtores de frutas e hortaliças afirmam que o percurso prolongado compromete a refrigeração e aumenta a perda de carga perecível.

    Monitoramento 24 horas

    Equipamentos instalados nos pilares e na plataforma da ponte enviam dados continuamente para o centro de operações do DNIT em Brasília. Sensores de deformação, inclinômetros e câmeras de alta definição medem vibração e afundamento. Caso qualquer parâmetro saia da faixa de segurança, a rodovia é bloqueada imediatamente pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Pirapora e em Várzea da Palma.

    A PRF mantém reforço de efetivo nos dois acessos à ponte, disciplinando a passagem de veículos dentro do novo limite e orientando condutores sobre os desvios. Multas por descumprimento podem ultrapassar R$ 5 mil, além de retenção do caminhão até redistribuição da carga.

    Impacto regional

    A ponte é peça estratégica na malha rodoviária mineira porque encurta a ligação entre o polo industrial de Montes Claros e o eixo BR-040/BR-050, por onde escoa grande parte da produção agronegócio do Norte de Minas, do Centro-Oeste e até do Sul da Bahia. Estima-se que mais de 3 mil veículos pesados trafegassem pelo trecho diariamente antes das restrições.

    Associações de produtores de manga, limão e banana de Pirapora calculam prejuízo de cerca de 12% no faturamento desde junho. O setor de siderurgia relocou embarques de ferro-gusa para ferrovias, gerando gargalos no terminal de carga de Corinto. Já o comércio varejista de Várzea da Palma reclama de desabastecimento pontual de combustíveis e materiais de construção.

    O que muda na prática

    1. Caminhões toco e pequenos baús voltam a cruzar o Rio das Velhas sem desvio.
    2. Carretas de cinco e seis eixos continuam obrigadas a seguir pelas rotas estaduais.
    3. Tempo de viagem entre Montes Claros e Pirapora, para cargas até 23 t, cai em média 1h30.
    4. Fiscalização passa a usar balança móvel logo antes da cabeceira sul da ponte.

    Especialistas em infraestrutura afirmam que o alívio é importante, mas não elimina o risco para o tráfego pesado nem substitui a obra definitiva. A recomendação é que embarcadores planejem rotas levando em conta possíveis interdições repentinas, sobretudo durante o período chuvoso, quando o nível do Rio das Velhas sobe e aumenta a pressão sobre a fundação da ponte.

    Próximos passos

    Até a assinatura do contrato emergencial, o DNIT pretende divulgar boletins semanais com as condições da via. O primeiro relatório, previsto para segunda-feira (3), deverá trazer fotos aéreas, medições estruturais e o avanço no processo licitatório.

    Moradores e usuários podem encaminhar reclamações ou denúncias sobre descumprimento das regras pelo telefone 0800-611-153 da autarquia. O serviço funciona 24 horas e também recebe relatos de avarias no pavimento da BR-365, que apresenta buracos e ondulações em alguns trechos próximos à ponte.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.