Investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que a nova ofensiva jurídica de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, busca anular as provas que sustentam o inquérito sobre o esquema bilionário de corrupção atribuído ao banqueiro. Após duas propostas de delação premiada rejeitadas, a defesa passou a concentrar esforços em questionar a cadeia de custódia dos oito celulares apreendidos pela PF.
Auditoria nas etapas de apreensão
Advogados de Vorcaro contrataram peritos para examinar toda a documentação do processo, checar protocolos adotados pelos agentes e, se necessário, realizar perícia independente nos aparelhos. A estratégia é apontar eventuais falhas no manejo do material digital, argumento que poderia levar à nulidade das provas.
Fontes ligadas à investigação observam que, nesta fase, a defesa não tenta mais refutar o conteúdo dos celulares, mas sim invalidá-lo por questões formais. Mesmo assim, agentes da PF veem poucas chances de sucesso, pois, até o momento, não há indicação de irregularidade nos procedimentos.
Panorama no Supremo
A controvérsia chega em meio a divergências na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes tem criticado a condução do relator, André Mendonça, e sugerido a possibilidade de nulidades. Por ora, contudo, as posições de Mendonça foram referendadas por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, maioria que manteve presos Henrique e Felipe Vorcaro – pai e primo do banqueiro – em julgamento realizado no mês passado.
No próximo mês, Fux assumirá a presidência da Turma, alinhando-se ao relator no controle da pauta e diminuindo a chance de surpresas processuais.
Provas centrais e delações frustradas
Os dados extraídos dos celulares de Vorcaro fundamentaram diversas fases da Operação Compliance Zero e revelaram, segundo a PF, pagamentos de propina e despesas de luxo do senador Ciro Nogueira (PP-PI), negociações com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o filme Dark Horse e o envolvimento de familiares no esquema. Ao analisar as tentativas de colaboração, investigadores afirmaram que “a verdadeira confissão” do ex-banqueiro já estava registrada nos aparelhos.
Imagem: Reprodução
Além de recusar os acordos propostos por Vorcaro, a PGR também interrompeu conversas com o cunhado dele, Fabiano Zettel, e com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. O procurador-geral Paulo Gonet rejeitou pessoalmente nova aproximação sugerida pelo advogado Sérgio Leonardo, que comanda a defesa.
Referência a casos anteriores
A aposta na cadeia de custódia repete estratégia utilizada na Operação Lava-Jato: em 2023, o ministro Dias Toffoli anulou o acordo de leniência da Odebrecht apontando falhas semelhantes. Investigadores, contudo, sustentam que não há sinal de violação no caso Master.
Situação atual de Vorcaro
Detido pela segunda vez em março, Vorcaro foi transferido da Superintendência da PF em Brasília para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada “Papudinha”. Para integrantes da força-tarefa, a tentativa de anular provas funcionaria como manobra para ganhar tempo e, possivelmente, recuperar benefícios carcerários enquanto o processo tramita nos tribunais.
Com informações de O Globo
