De diplomata a “fada da costura”: como Priscila Azevedo montou um ateliê-escola que fatura R$ 80 mil por mês

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    Priscila Azevedo trocou a sala de aula universitária de Relações Internacionais pelo som de agulhas e máquinas de costura. A decisão, que parecia arriscada para quem vinha de uma família de renda modesta, hoje sustenta um negócio de aproximadamente R$ 80 mil mensais em Brazlândia, no Distrito Federal. Ao lado do marido e sócio, Augusto Azevedo, a costureira comanda um ateliê-escola que atende, simultaneamente, alunos presenciais e virtuais espalhados pelo país.

    O resultado financeiro é fruto de um modelo híbrido de cursos, apoiado em forte presença digital e numa pedagogia que transforma a aula de costura em experiência criativa. De roupa customizada na infância a mulheres — e homens — que redescobrem a autoconfiança ao confeccionar a primeira peça, a trajetória de Priscila é costurada por investimento enxuto, partilha familiar de tarefas e foco em escala online.

    Da faculdade ao ateliê

    Curiosidade que veio do quintal das patroas

    Filha de trabalhadora doméstica, Priscila cresceu acompanhando a mãe nas casas onde ela prestava serviço. Pequenos objetos de decoração e peças de crochê chamavam a atenção da menina, que logo começou a desmontar e remontar roupas para dar nova cara às próprias peças. Sem técnica, usava linhas tortas, mas descobria texturas e combinações.

    O ponto de virada: uma máquina de costura

    Durante a graduação em Relações Internacionais, a vontade de criar falou mais alto quando ganhou a primeira máquina. A curiosidade virou paixão: abandonou a faculdade e se matriculou num curso técnico de costura. O desempenho se destacou tanto que, antes de concluir a formação, já era convidada a lecionar.

    Como a escola ganhou forma

    Investimento inicial de R$ 10 mil

    A semente do negócio foi plantada em 2016, quando o casal reuniu R$ 10 mil — parte retirada de um pequeno empréstimo feito com alunas — para pagar caução do imóvel, adaptar o espaço e comprar material básico. Ao notarem a procura crescente, recorreram a cartões de crédito de familiares para adquirir máquinas industriais, mesas de corte e manequins; foram mais R$ 27 mil parcelados.

    Divisão clara de funções

    • Priscila – Diretora criativa, responsável por conteúdo pedagógico, criação de peças-modelo e orientação dos professores assistentes.
    • Augusto – Administração, finanças, logística de material e atendimento ao aluno.

    O equilíbrio de competências permitiu que Augusto largasse o emprego formal nove meses após a inauguração e se dedicasse integralmente à operação, profissionalizando controles de caixa e planejamento de turmas.

    Modelo híbrido impulsiona receitas

    Aulas presenciais: 180 alunos fixos

    No ateliê de Brazlândia, sete turmas se revezam de segunda a sábado. Cada aluno paga, em média, R$ 450 mensais para um pacote que contempla aulas de costura básica, modelagem e costura criativa. A faixa etária vai de 12 a 80 anos, com histórias que vão desde adolescentes que querem customizar o próprio guarda-roupa a aposentados em busca de nova fonte de renda.

    Ensino online: assinatura de R$ 69,90

    Em 2018, os dois perceberam que o espaço físico seria um limitador. Criaram, então, uma plataforma de vídeos sob demanda. Hoje, cerca de 400 assinantes pagam R$ 69,90 para acessar mais de 80 horas de conteúdo — do tradicional “pregar botão” a projetos avançados, como jaquetas em jeans reciclado. A biblioteca cresce mensalmente, e lives exclusivas mantêm o engajamento.

    Receita mensal na casa dos R$ 80 mil

    Somando mensalidades presenciais, assinaturas virtuais e a venda pontual de kits de material — aviamentos, moldes impressos e tecidos selecionados —, o ateliê-escola tem faturamento médio de R$ 80 mil. Os custos fixos giram em torno de R$ 30 mil, incluindo folha de pagamento de quatro auxiliares, aluguel, plataformas digitais e insumos.

    Experiência além da técnica

    Ambiente lúdico para estimular a criatividade

    Quem entra na sala de aula encontra murais coloridos, manequins vestidos como personagens de contos de fadas e uma trilha sonora leve. A ideia de Priscila é transportar o aluno para um universo onde costurar não seja visto apenas como trabalho manual, mas como ato de transformação. “Costureiras são as fadas madrinhas da vida real”, costuma dizer.

    Evolução percebida no dia a dia

    O método propõe desafios progressivos: começa pela costura de uma nécessaire simples até chegar a vestidos estruturados. Alunos relatam ganho de autoconfiança ao verem peças tomarem forma. Muitos seguem caminho profissional, abrindo microempreendimentos domésticos ou prestando serviços de ajuste na vizinhança.

    Próximos passos no fio digital

    Estúdio próprio para ampliar produção de conteúdo

    A prioridade do casal é reforçar a presença online. Um estúdio está em fase final de montagem dentro do próprio ateliê, equipado para gravação em 4K e transmissões ao vivo. O objetivo é lançar séries temáticas — lingerie, alfaiataria feminina, reaproveitamento de jeans — que incrementem o portfólio de assinatura e atraiam novos públicos.

    Sem franquia, mas com parcerias estratégicas

    Apesar de sondagens para transformar o negócio em rede franqueada, Priscila e Augusto optam por manter a operação centralizada. A expansão virá por parcerias com fabricantes de máquinas, tecidos sustentáveis e influenciadores de moda consciente, criando sinergia sem a complexidade de replicar unidades físicas.

    Três lições que ficam

    1. Começar pequeno não impede pensar grande – O primeiro curso presencial tinha quatro alunos; a visão de longo prazo guiou investimentos em tecnologia.
    2. Casamento também é sociedade – Comunicação aberta e papéis bem definidos evitam conflitos na gestão familiar.
    3. Experiência do aluno é ativo financeiro – Quanto maior o encantamento, maior o índice de renovação e indicação, o que reduz custo de aquisição.

    Do improviso da infância à tela de milhares de dispositivos, Priscila Azevedo costura histórias, sonhos e um sólido modelo de negócios. A agulha que um dia lhe causou calos agora borda cifras robustas, mostrando que criatividade e gestão podem, sim, vestir a mesma peça.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.