O corpo de Wendell Gabriel Oliveira de Jesus, 19 anos, será sepultado às 15h desta quarta-feira (29) em São Luís. O jovem, que trabalhava como piscineiro no Valparaíso Adventure Park, não resistiu a complicações de um choque elétrico ocorrido dentro do parque e morreu após cinco dias internado em estado grave.
O velório acontece na casa da avó do rapaz, no bairro Pindoba, em Paço do Lumiar, Região Metropolitana da capital maranhense. Amigos, colegas de trabalho e familiares se despedem enquanto cobram respostas sobre as circunstâncias do acidente que interrompeu a vida do adolescente, conhecido por desempenhar o serviço de manutenção das piscinas.
Como aconteceu o acidente
A descarga elétrica foi registrada na manhã de quinta-feira (23), por volta das 8h30. De acordo com a administração do Valparaíso Adventure Park, Wendell estava em uma área seca, fora das piscinas, deslocando uma extensão elétrica de um ponto a outro quando recebeu o choque. Funcionários que estavam próximos perceberam a situação, desligaram a energia e acionaram a equipe interna de primeiros socorros.
Relatos de colegas indicam que o rapaz caiu imediatamente após o contato com a fiação. Socorristas realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar ainda dentro do complexo de lazer antes da remoção. A direção do parque afirma que manteve o fornecimento de oxigênio e monitoramento de sinais vitais durante todo o atendimento inicial.
Transferência para a rede pública de saúde
Por causa do tráfego intenso na rodovia MA-201 na manhã do acidente, a equipe optou por encaminhar o funcionário à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Maiobão, considerada a via de acesso mais rápida naquele momento. Na UPA, Wendell foi intubado e permaneceu sob cuidados intensivos até a madrugada de sexta-feira (24), quando houve regulação para o Hospital da Ilha, referência em casos de alta complexidade em São Luís.
No novo hospital, o estado de saúde manteve-se crítico. Segundo familiares, ele sofreu parada cardiorrespiratória e, apesar das tentativas de reversão, evoluiu para morte encefálica confirmada na tarde de terça-feira (28).
Protesto de familiares e amigos
Ainda na terça, familiares, amigos e colegas de trabalho organizaram um protesto em frente ao parque aquático. O grupo pedia detalhes sobre as causas do choque, reivindicava a transferência do jovem para uma unidade particular e solicitava mais transparência da empresa acerca das medidas de segurança adotadas nas atividades cotidianas.
Com cartazes e camisetas que levavam o nome de Wendell, os manifestantes bloquearam parcialmente o acesso ao empreendimento e exigiram diálogo com representantes da direção. O ato foi encerrado no fim da tarde após o anúncio da suspensão temporária das operações do parque, confirmado posteriormente em nota oficial.
Reação do Valparaíso Adventure Park
Em comunicado divulgado poucas horas depois da confirmação da morte, o Valparaíso Adventure Park lamentou o falecimento do colaborador, declarou solidariedade à família e informou que manteria o suporte psicológico e financeiro ao núcleo familiar durante o período de luto. A empresa acrescentou que as atividades do parque ficariam suspensas nesta quarta-feira (29) em respeito à memória do funcionário.
O texto divulgado pela diretoria afirma ainda que o estabelecimento “seguirá colaborando integralmente na apuração das circunstâncias do acidente”. A administração não detalhou, contudo, se já houve abertura de investigação interna ou adoção de providências imediatas para revisão dos protocolos de segurança elétrica.

Imagem: Internet
Rotina de manutenção e uso de equipamentos
Wendell estava contratado para cuidar da qualidade da água das piscinas, operação que costuma incluir a análise de pH, aplicação de produtos químicos e limpeza periódica de filtros. Colegas relatam que o uso de extensões elétricas faz parte da rotina matinal para alimentar bombas de sucção e outros equipamentos de manutenção, sobretudo antes da chegada do público.
Sindicalistas do setor de parques e hotéis ouvidos reservadamente apontam que instalações elétricas provisórias em áreas molhadas exigem dispositivos de proteção diferenciada, como disjuntores de fuga à terra e isolamento adequado dos cabos. Nenhum desses detalhes, contudo, foi confirmado oficialmente até o momento.
Despedida e expectativas de apuração
Por volta das 13h desta quarta, uma carreata deve acompanhar o traslado do corpo da residência da avó até o cemitério onde ocorrerá o enterro. Estima-se que dezenas de trabalhadores do parque, integrantes de grupos religiosos frequentados pelo jovem e moradores do bairro participem da homenagem. “Não vamos descansar enquanto não soubermos o que realmente aconteceu”, afirmou um primo de Wendell à reportagem, visivelmente emocionado.
Após o sepultamento, os familiares pretendem formalizar pedido de informações junto aos órgãos competentes, buscando compreender se houve falha humana, deficiência na estrutura elétrica ou negligência aos protocolos de segurança do trabalho. A legislação brasileira determina que acidentes laborais com morte sejam comunicados à autoridade responsável para posterior investigação, o que pode resultar em medidas corretivas ou sanções administrativas.
Perfil da vítima
Nascido em Paço do Lumiar, Wendell Gabriel concluiu o ensino médio no ano passado e ingressou no parque aquático em março de 2026. Sonhava cursar Educação Física e, segundo parentes, via no emprego temporário uma forma de economizar para as inscrições no vestibular. Ele era o segundo de três irmãos e ajudava financeiramente a família desde cedo.
Amigos descrevem o jovem como “trabalhador, sorridente e disposto a aprender”. Nas redes sociais, mensagens de solidariedade se multiplicaram, destacando vídeos em que Wendell aparece conduzindo crianças em atividades recreativas dentro do complexo de lazer.
Próximos passos
Até o fechamento desta edição, a direção do Valparaíso Adventure Park não havia divulgado data para retomar as operações nem informado se realizou inspeção técnica nas instalações elétricas após o acidente. O parque disse apenas que “continuará em contato permanente com a família e autoridade competentes”.
Já os parentes do jovem adiantaram que deverão buscar assistência jurídica para acompanhar cada etapa da apuração. “Queremos verdade, justiça e garantia de que outros trabalhadores não passem pelo que ele passou”, reforçou o pai de Wendell, minutos antes do início do velório.
