Câmara aprova urgência do projeto que criminaliza misoginia por 293 a 158 votos

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    A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (1º), o regime de urgência para o projeto de lei que inclui a misoginia como crime na Lei nº 7.716/1989. A votação terminou com 293 parlamentares a favor e 158 contra, liberando o texto para ser analisado diretamente em plenário, sem passar pelas comissões permanentes.

    Alinhamento dos partidos

    Votaram a favor da urgência a federação PT-PCdoB-PV, o PSB e a federação Psol-Rede. Novo, Missão e PL orientaram voto contrário. O bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos deixou a decisão a critério de cada deputado.

    Mesmo com orientação negativa do PL, João Carlos Bacelar (BA) e Delegada Ione (MG) apoiaram o requerimento.

    Próximos passos

    Com a urgência aprovada, líderes partidários esperam votar o mérito da proposta nas próximas duas semanas, antes do recesso parlamentar. A relatora, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), intensificou reuniões para ajustar pontos de divergência e buscar consenso.

    Principais impasses

    O principal entrave envolve a bancada cristã, que pede a inclusão explícita da garantia de liberdade religiosa para evitar que manifestações de fé sejam enquadradas como crime de misoginia. Tabata afirmou ser possível atender à demanda sem prejudicar o objetivo do projeto.

    Há também discussões sobre a definição de misoginia e sobre dispositivos que agravam a pena quando o delito visa obter audiência nas redes sociais ou prevê a suspensão temporária de perfis usados para difundir conteúdos ilícitos.

    Declarações em plenário

    Durante a sessão, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) defendeu que “mulher quer bandido na cadeia” e citou trechos bíblicos para questionar o texto. Otoni de Paula (PSD-RJ) reiterou a preocupação com a liberdade religiosa e condicionou o apoio à inclusão de salvaguardas explícitas no texto.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), elogiou o avanço da pauta e destacou que a Casa “reafirma seu compromisso” no combate à misoginia.

    Conteúdo do projeto

    A proposta altera a Lei do Racismo para punir quem praticar, induzir ou incitar violência, discriminação ou restrição de direitos contra mulheres em razão de gênero. Penas mais duras estão previstas quando o crime é cometido para obter vantagem econômica por meio de aumento de audiência.

    A relatora ressaltou que o texto é resposta ao crescimento de feminicídios e estupros no país e ao surgimento de grupos que lucram com discursos de ódio contra mulheres.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.