Barco do Macuco Safari vira nas Cataratas; turista holandês morre e passeio é suspenso

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    Um passeio de ecoturismo às Cataratas do Iguaçu terminou em tragédia no fim da manhã desta terça-feira (28). A embarcação do Macuco Safari que navegava próxima às quedas d’água virou, provocando a morte de um turista holandês de 26 anos e deixando outros sete ocupantes – cinco compatriotas e dois tripulantes brasileiros – feridos ou em choque. Imagens feitas por uma viajante de Curitiba logo após o acidente mostram o barco tombado, pessoas sobre rochas vestindo coletes salva-vidas e lanchas de resgate aproximando-se.

    O caso mobilizou bombeiros, Marinha, Polícia Civil e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As atividades do Macuco Safari foram paralisadas por pelo menos três dias enquanto avança a apuração sobre causas, responsabilidades e eventuais falhas de segurança.

    Dinâmica do acidente e socorro

    O Corpo de Bombeiros recebeu o primeiro chamado às 12h20, registrado como “busca e salvamento em água” dentro do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR). Segundo o relato das equipes de emergência, oito pessoas estavam a bordo: seis turistas da Holanda – três mulheres e três homens – além do piloto e do copiloto. A embarcação fazia o trecho final do roteiro, quando normalmente se aproxima da base de uma das quedas, e acabou virando por motivo ainda desconhecido.

    Resgatado inconsciente, o jovem holandês sofreu afogamento seguido de parada cardiorrespiratória. Ele recebeu manobras de reanimação ainda no local, foi levado ao Hospital Municipal Padre Germano Lauck, mas não resistiu. A vítima viajava com a namorada, os pais dela, uma irmã e uma cunhada. Três familiares saíram ilesos, dois permaneciam internados com quadro estável até o início da noite e, segundo boletim médico, passariam por observação.

    Tripulação também avaliou atendimento

    O piloto e o copiloto não apresentaram ferimentos graves, porém procuraram avaliação médica no Porto Seco do Kattamaram. Após exames na Unidade de Pronto Atendimento, ambos foram liberados.

    Suspensão temporária do passeio

    Em nota, o Macuco Safari lamentou a morte do turista e informou que “segue prestando assistência integral aos envolvidos e colaborando com as autoridades”. A concessionária, que atua há mais de quatro décadas dentro do parque, comunicou a suspensão imediata de todas as saídas. O ICMBio, responsável pela fiscalização do contrato com a empresa, oficializou a interrupção por três dias. Quem já havia adquirido ingresso poderá optar por ressarcimento total ou remarcação.

    Histórico e certificações

    A operadora afirma possuir todas as licenças exigidas e embarcações “modernas e seguras”. Documentos apresentados à fiscalização estavam regulares, conforme verificação preliminar do ICMBio.

    Investigações em curso

    A Capitania Fluvial do Rio Paraná abriu inquérito administrativo para apurar “circunstâncias, causas e eventuais responsabilidades”. Peritos navais passaram a tarde recolhendo dados técnicos, fotografando o casco virado e colhendo depoimentos de tripulantes e testemunhas. A Polícia Civil do Paraná também esteve no local para instaurar procedimento paralelo, que pode resultar em indiciamentos criminais caso seja constatada negligência ou imprudência.

    Outro ponto investigado é a vazão atípica do Rio Iguaçu no momento do incidente. Entre 11h e 13h, hidrelétricas da bacia registraram descarga média de 4,3 milhões de litros por segundo – quase o triplo do volume considerado padrão nas cataratas. Ainda não há confirmação de que a força extra da água tenha influenciado o capotamento, mas o dado foi incluído no laudo pericial.

    Rotina interrompida para milhares de visitantes

    O acidente repercutiu rapidamente entre turistas que lotavam passarelas do parque nesta semana de férias no Hemisfério Norte. Por questões de segurança, funcionários isolaram o atracadouro do Macuco Safari e orientaram visitantes a manter distância da área fluvial. As trilhas terrestres, mirantes e o serviço interno de transporte permanecem liberados.

    Família havia chegado na véspera

    De acordo com a administração do parque, o grupo de holandeses desembarcou em Foz do Iguaçu na segunda-feira (27) e planejava deixar a cidade na quinta (30). A Embaixada dos Países Baixos em Brasília foi comunicada sobre o óbito e presta apoio consular.

    Repercussão e protocolos de segurança

    Especialistas em navegação turística lembram que, embora raros, acidentes em corredeiras podem ocorrer principalmente sob mudança brusca de vazão. Em regra, passageiros recebem instruções de segurança, vestem coletes homologados e as embarcações contam com motor duplo para facilitar manobras. O Macuco Safari opera lanchas infláveis de alto desempenho, homologadas para enfrentar respingos intensos próximos às quedas.

    O Parque Nacional do Iguaçu, patrimônio natural da humanidade, recebe em média dois milhões de pessoas ao ano. A última ocorrência grave envolvendo barcos turísticos na região havia sido registrada em 2013, sem vítimas fatais.

    Próximos passos

    • Conclusão do inquérito da Marinha em até 90 dias, prorrogável se necessário;
    • Laudo do Instituto Médico-Legal para determinar causa clínica exata da morte;
    • Relatório técnico do ICMBio sobre protocolos de emergência adotados pela concessionária;
    • Possível retomada gradual do passeio após apresentação de medidas corretivas e validação das autoridades.

    Enquanto aguarda os resultados, a direção do Parque Nacional reforçou que “a segurança dos visitantes continua sendo prioridade absoluta” e promete revisar procedimentos de todas as atividades de aventura autorizadas dentro da unidade de conservação.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.