Desgaste econômico derruba aprovação de Trump a 33% e acende alerta para as eleições de meio de mandato

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    A dois meses das eleições legislativas de meio de mandato, Donald Trump enfrenta a pior avaliação desde que voltou à Casa Branca. Apenas 33% dos eleitores registrados aprovam seu desempenho, revela sondagem nacional realizada pela Focaldata para o Financial Times. É uma queda de três pontos em relação a agosto e o menor índice desde que o jornal começou a medir a popularidade do presidente, em maio.

    O descontentamento cresce inclusive dentro do Partido Republicano: a aprovação interna recuou para 72%, também recorde negativo. O desgaste está diretamente ligado ao encarecimento do custo de vida, à percepção de estagnação econômica e à escalada da guerra tarifária com o Canadá, fatores que ameaçam o esforço do partido para manter a maioria no Congresso em novembro.

    Economia no centro do desânimo

    Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados acreditam que a economia segue “na direção errada”, contra 57% no mês anterior. Mais da metade (57%) afirma estar financeiramente pior desde o início do governo, um salto de quatro pontos. O preço médio do diesel, combustível essencial para transporte e agricultura, atingiu recorde histórico de US$ 5,85 por galão na sexta-feira (4), de acordo com a associação AAA, alimentando temores de nova onda inflacionária.

    A sondagem foi realizada on-line entre 28 de agosto e 1º de setembro, com 1.914 eleitores registrados e margem de erro de 2,6 pontos percentuais. Nesse intervalo, o governo continuou tentando conter os impactos da operação militar batizada de “Fúria Épica” contra o Irã, apontada por economistas como fator que pressiona o preço dos combustíveis e encarece o crédito nos EUA.

    Tarifas impopulares

    O novo pacote tarifário contra o Canadá, que impõe sobretaxa de 50% a cerca de US$ 20 bilhões em produtos, também virou alvo de críticas: 56% dos eleitores desaprovam a medida, incluindo 60% dos independentes e um terço dos republicanos. Ottawa respondeu com retaliações na mesma intensidade, ampliando o receio de repasse de custos ao consumidor americano.

    No recorte partidário, apenas 53% dos republicanos dizem aprovar a condução de Trump para emprego e crescimento — queda de quase oito pontos em relação a agosto. Entre independentes, a desaprovação sobre políticas econômicas ultrapassa 70%.

    Risco para a base republicana

    O Financial Times testou o peso eleitoral do presidente nos distritos competitivos: 46% dos entrevistados, e mais da metade dos independentes, acreditam que o envolvimento de Trump prejudica as chances de candidatos republicanos ao Congresso. Questionados sobre intenção de voto, os democratas aparecem 7,5 pontos à frente, vantagem maior que os 5 pontos registrados no mês anterior.

    Desgaste econômico derruba aprovação de Trump a 33% e acende alerta para as eleições de meio de mandato - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Mesmo assim, Trump decidiu colocar-se no centro da campanha. O Comitê Nacional Republicano organiza na próxima semana, em Dallas, convenção inédita de dois dias com o presidente como atração principal, numa tentativa de reacender o entusiasmo da base. Paralelamente, o super-PAC Maga Inc — que dispõe de US$ 400 milhões — começa a liberar recursos: investirá US$ 10 milhões em anúncios para o candidato ao Senado pelo Texas, Ken Paxton, que disputa vaga contra o democrata James Talarico.

    Narrativa oficial

    Em nota, a Casa Branca creditou o mau humor econômico a “perturbações temporárias” geradas pela ofensiva contra o Irã e disse manter “agenda comprovada de cortes de impostos, desregulamentação e abundância energética”. Citou ainda o relatório de empregos de agosto como prova de que a estratégia “continua criando vagas e impulsionando a reindustrialização”. Analistas, porém, lembram que o dinamismo do mercado de trabalho não tem sido suficiente para compensar a disparada de preços no dia a dia das famílias.

    Midterms como termômetro de 2028

    Embora Trump não esteja na cédula em novembro, as eleições legislativas serão avaliadas como plebiscito sobre sua liderança. Caso democratas ampliem espaço na Câmara ou retomem o controle do Senado, a agenda do presidente corre o risco de estagnar. Para os republicanos, a prioridade imediata é segurar assentos em Estados onde o voto independente costuma ser decisivo — perfil de eleitorado que, de acordo com a pesquisa, se mostra cada vez mais refratário ao presidente.

    Do lado democrata, a estratégia é nacionalizar a campanha em torno do custo de vida e do conflito comercial, temas que, segundo o próprio levantamento, mobilizam uma fatia expressiva do eleitorado. Consultores partidários veem na queda de popularidade de Trump oportunidade para ampliar a vantagem em distritos suburbanos e em Estados de economia industrial, onde a pressão inflacionária tem sido mais sentida.

    O que vem pela frente

    • Reajustes de tarifas entrarão em vigor plenamente até outubro, coincidindo com o período final da campanha.
    • Novos dados de inflação e emprego serão divulgados nas próximas semanas, podendo redefinir o humor do eleitorado.
    • Republicanos avaliam intensificar a presença de Trump em comícios, apesar do risco apontado pela pesquisa.
    • Democratas planejam concentrar recursos de campanha em Estados que registraram maior queda de renda real.
    • Pesquisas de setembro e outubro deverão indicar se a aprovação presidencial se estabiliza ou segue em declínio.

    Com o termômetro econômico no vermelho e a popularidade em baixa histórica, Donald Trump entra na fase decisiva das midterms em situação mais delicada do que seus aliados previam no início do ano. Se o cenário não se inverter rapidamente, analistas avaliam que a própria autoridade do presidente dentro do Partido Republicano poderá ser questionada — um impacto que se estenderia até a próxima corrida à Casa Branca, em 2028.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.