A servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi citada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino como peça-chave no direcionamento de emendas parlamentares que teriam beneficiado o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos).
Em decisão que levou ao bloqueio de bens de Valdemar na sexta-feira passada, Dino afirmou haver “múltiplos indícios” de que Tuca e outros dois servidores atuavam como longa manus do dirigente partidário dentro da Câmara, embora ele não tenha mandato e, portanto, não pudesse indicar recursos. O ministro também mandou reter até R$ 6,15 milhões de Cunha, investigado pela suposta apropriação de verbas da Comissão de Saúde.
Papel dentro da Câmara
Tuca é funcionária efetiva da Casa e hoje está lotada na liderança do PP, com salário de R$ 23.732,92. Documentos da Polícia Federal sustentam que ela tinha aval do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para operar emendas em favor de Cunha. Interceptações telefônicas mostram, segundo a PF, que Cunha agia com “poderes equivalentes ou superiores” aos de parlamentares no exercício do mandato.
“Chave do cofre” do orçamento
Alvo de busca da PF em dezembro de 2023, Tuca já havia sido apontada como responsável por planilhas que destinavam R$ 1,125 bilhão sem identificar autores nem beneficiários. À época, deputados relataram que a assessora mantinha registros detalhados de reuniões, ligações e movimentações de recursos.
Relatos internos dão conta de que Tuca acessava sistemas e senhas de ministérios para liberar pagamentos, atuando em pastas como Cidades, Saúde, Turismo, Educação e Fazenda. Apenas no Palácio do Planalto, seu nome foi registrado 23 vezes no atual governo.
Ligação com Arthur Lira
A servidora foi assessora direta do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e era considerada sua representante em reuniões na Esplanada. Em 22 de março de 2023, por exemplo, participou de encontro no Ministério da Fazenda ao lado do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), para tratar de emendas.
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Durante a gestão de Lira, Tuca acumulou vaga no Conselho Fiscal da Codevasf e, anteriormente, integrou o Conselho Fiscal da Caixa Econômica Federal. Também chefiou a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Governo no início do governo Michel Temer, somando passagem por quatro administrações presidenciais.
Parlamentares aliados defendem que Tuca apenas cumpria ordens e enxergam nas investigações uma tentativa de “criminalizar” as emendas. A Mesa Diretora da Câmara pediu ao STF, em dezembro, que a servidora volte ao posto, solicitação que tramita sob sigilo.
Procurada pela PF, Tuca não se manifestou publicamente sobre as acusações.
Com informações de O Globo