Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) reagiram de forma distinta às investigações da Polícia Federal que atingiram o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). Enquanto manifestações de apoio a Valdemar surgiram logo após a decisão judicial que bloqueou seus bens, os principais nomes do bolsonarismo evitaram comentários sobre Cunha até o fim de domingo (14).
Investigações e bloqueios
Na sexta-feira (12), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto. A decisão aponta indícios de que o dirigente partidário, mesmo sem mandato, teria sido o verdadeiro responsável por 21 indicações de emendas parlamentares e beneficiário político dos repasses.
No domingo (14), Dino expediu medida semelhante contra Eduardo Cunha, bloqueando até R$ 6 milhões em bens. Segundo a decisão, o ex-deputado teria continuado a negociar emendas após perder o mandato, em 2016. As duas ordens judiciais utilizam mensagens extraídas do celular de Mariângela Fialek, a “Tuca”, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema investigado na Operação Transparência, que apura desvios no chamado orçamento secreto.
Apoio a Valdemar
Logo depois do bloqueio a Valdemar, Flávio Bolsonaro divulgou nota defendendo o correligionário. “Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, afirmou.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também saiu em defesa do dirigente: “Nunca recebi qualquer pedido do presidente @CostaNetoPL para indicar emendas e, justamente por isso, sinto-me à vontade para esclarecer que a indicação de emendas parlamentares é parte do ofício de todos os deputados e senadores”.
Coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) repercutiu a nota do filho do ex-presidente e compartilhou publicação que negava indícios de crime por parte de Valdemar. O influenciador Paulo Figueiredo, próximo a Eduardo, disse não nutrir simpatia pelo presidente do PL, mas classificou a investigação como tentativa de criminalizar a atuação normal de um dirigente partidário.
Valdemar Costa Neto, por sua vez, negou qualquer irregularidade. “Não é cota, é sugestão que a gente faz. Os prefeitos vêm pedir para a gente e fazemos de acordo com as necessidades. Quem faz é o líder, eu mando para lá, mas quem faz é o líder, eu não posso fazer”, declarou.
Imagem: Reprodução
Silêncio sobre Cunha
Apesar de Cunha declarar apoio a Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Rogério Marinho não se pronunciaram sobre a decisão que atingiu o ex-presidente da Câmara. Parte da base bolsonarista resiste a demonstrar proximidade com Cunha, que ficou preso de 2016 a 2021 durante a Operação Lava-Jato.
Eduardo Cunha chegou a negociar filiação ao PL para concorrer a deputado federal por Minas Gerais nas eleições deste ano, mas o acordo não avançou. Sua filha, a deputada Dani Cunha, ingressou no partido e buscará a reeleição pelo Rio de Janeiro.
Em nota, a defesa de Cunha informou que contestará a decisão do STF, negou a existência de “mandato clandestino” e afirmou que o ex-parlamentar não participou formalmente das emendas investigadas.
No momento, ambas as apurações seguem em curso na Polícia Federal sob supervisão do STF.
Com informações de O Globo
