Quem: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
O que: defendeu empresas brasileiras e pediu que Washington não adote tarifa extra de 25% sobre produtos do país.
Quando e onde: a apresentação ocorreu na terça-feira, em Washington, a uma semana da decisão final do governo Donald Trump, prevista para 15 de julho.
Como: em inglês e por cerca de cinco minutos, o parlamentar argumentou que o momento eleitoral no Brasil seria o pior para a medida, citou o Pix como inovação a ser preservada e listou questões políticas que, segundo ele, levaram os EUA a abrir a investigação comercial.
Críticas do governo Lula
Logo após a audiência, o Palácio do Planalto divulgou nota classificando a iniciativa de “eleitoreira” e afirmando que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”. Para o Executivo, a investigação conduzida pelo USTR é “injusta” com empresários e trabalhadores brasileiros.
Pesquisa aponta fragilidade no tema externo
Levantamento Genial/Quaest realizado de 5 a 8 de junho indica que 47% dos entrevistados veem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principal defensor dos interesses nacionais, contra 37% que citam Flávio. Na mesma sondagem, 47% concordaram com a afirmação de que Trump teria imposto o tarifaço a pedido do senador; 35% disseram acreditar que ele tenta evitá-lo.
Investigação abrange Pix e outros pontos
O processo americano analisa, além do sistema de pagamentos instantâneos, regras sobre comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, ações anticorrupção e combate ao desmatamento ilegal. As manifestações colhidas em dois dias de audiência servirão de base para a recomendação técnica ao governo dos EUA.
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Argumentos apresentados
Flávio alegou que decisões do Supremo Tribunal Federal afetam economia e política brasileiras e sustentou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de “caça às bruxas” do Judiciário. Também mencionou casos de corrupção — mensalão, Lava-Jato, fraudes no INSS e o Banco Master — para defender que eventuais irregularidades têm responsáveis identificáveis e não justificam sanções comerciais.
Resposta do Planalto
Na nota de réplica, o governo ressaltou a ligação do senador com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirmando que Flávio solicitou mais de R$ 130 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, informação omitida em sua fala em Washington.
Contexto político: o pré-candidato do PL enfrenta desgaste interno após desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ainda busca acordos estaduais em dez unidades da federação.
Ao fim da exposição nos EUA, Flávio Bolsonaro divulgou comunicado defendendo uma negociação bilateral capaz de encerrar o impasse comercial antes da data-limite de 15 de julho.
Com informações de O Globo