Pela primeira vez no 4 de Julho desde o início de seu pontificado, o papa Leão XIV — o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos — passou o sábado (4/7) em Lampedusa, sul da Itália, onde prestou homenagem às milhares de pessoas que perderam a vida tentando chegar à Europa.
No momento em que os EUA celebravam os 250 anos da Declaração de Independência, o líder da Igreja Católica visitou um cemitério de migrantes, conversou com recém-chegados no porto e celebrou missa voltada a moradores da ilha e refugiados.
Mensagens sobre dignidade humana
Localizada mais próxima do Norte da África do que do território continental italiano, Lampedusa tornou-se porta de entrada para centenas de milhares de migrantes que atravessam o Mediterrâneo em embarcações precárias, geralmente saindo da Líbia ou da Tunísia, muitas vezes sob controle de traficantes.
Durante o percurso, fortes rajadas de vento chegaram a deslocar o solidéu de Leão XIV enquanto ele caminhava sozinho pelo cais rochoso. Em seguida, o papa abençoou uma placa que dedica o local ao papa Francisco, que visitou a ilha em 2013, e prosseguiu para a celebração.
“Este é um lugar onde os gestos falam mais alto que as palavras. Para que sejam verdadeiramente humanos, precisam brotar do coração”, afirmou o pontífice durante a homilia.
Carta aos Estados Unidos
Ao escolher Lampedusa justamente no Dia da Independência dos EUA, o papa enviou um recado simultâneo a Washington e a Bruxelas sobre a urgência de proteger a vida e a dignidade de migrantes. Em carta dirigida aos norte-americanos, ele lembrou que a história dos Estados Unidos está profundamente ligada à imigração.
Imagem: Internet
No texto, Leão XIV escreveu que “defender a vida humana inclui acolher, proteger e assistir os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contribuições fazem parte da história deste país desde o início”. Na mensagem, acrescentou que recebê-los “com compaixão e generosidade” significa reconhecer a dignidade inerente a cada pessoa.
A visita a Lampedusa ocorreu em meio a divergências entre o Vaticano e o governo Donald Trump sobre as políticas migratórias norte-americanas, consideradas rígidas pela Santa Sé.
Com informações de Metrópoles
