O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (2) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família do ex-mandatário Jair Bolsonaro, acusando-os de atuar em favor de interesses norte-americanos ao pedir o adiamento de uma possível sobretaxa a produtos brasileiros nos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a iniciativa como “entreguismo” e chamou os Bolsonaro de “traidores da pátria”.
Flávio, que é pré-candidato ao Planalto em 2026, encaminhou um documento de 86 páginas ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) solicitando que Washington suspenda a medida. No texto, o parlamentar sustenta que a adoção das tarifas seria contraproducente para os EUA porque daria a Lula “exatamente a vitória política que ele vem buscando”.
O senador argumenta que o Brasil passará por eleições gerais em outubro de 2026 e que uma decisão “irreversível” agora teria impacto direto no debate eleitoral. Ele ainda afirma que, caso autoridades brasileiras sejam consideradas responsáveis por violações, o governo dos EUA deveria adotar sanções individuais, como restrições de visto, em vez de penalizar o comércio bilateral.
Em resposta, Lula afirmou que “não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois” e reforçou que o Brasil dialoga “de igual pra igual” com todas as nações. O presidente também criticou antigos posicionamentos do clã Bolsonaro, citando o apoio à elevação de tarifas contra produtos brasileiros, a defesa do fim do Mercosul e a ideia de transferir o sistema Pix para controle estrangeiro.
“Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, escreveu Lula na rede social X.
Imagem: Cristiano Mariz
Flávio Bolsonaro, por sua vez, sustenta no memorial entregue ao USTR que a administração Lula transformou o conflito comercial com Washington em trunfo político interno. Para embasar a tese, menciona pesquisas que indicariam fortalecimento do governo justamente nos momentos de maior pressão tarifária, incluindo a rodada imposta em 2020 durante a gestão de Donald Trump.
A investigação comercial contra o Brasil conduzida pelo USTR ainda não tem prazo para conclusão.
Com informações de O Globo
