Perfis anônimos na Meta investem mais de R$ 1 milhão em anúncios contra Flávio Bolsonaro e Tarcísio

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    Sete páginas no Facebook e no Instagram, todas com menos de 400 seguidores e sem indicação de responsáveis, desembolsaram mais de R$ 1,1 milhão em dois meses para impulsionar publicações que atacam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição em 2026.

    Estratégia de pulverização

    O grupo de perfis apostou em centenas de anúncios de baixo valor, em vez de concentrar recursos em poucas peças. A tática dificulta a remoção total do conteúdo caso parte dele seja barrada pelos sistemas da Meta, proprietária das redes. As legendas usadas eram genéricas — por exemplo, “A discussão aumentou e trouxe novas interpretações. Compartilhe sua opinião!” — para escapar dos filtros automatizados que identificam conteúdo político.

    Primeira onda saiu do ar

    Três páginas criadas em maio — Radar do Planalto, Dossier Brasil 24h e O Contra-Fluxo — impulsionaram mais de mil publicações antes de serem desativadas. O Radar do Planalto, com apenas 388 seguidores, declarou gasto de R$ 373 mil. Dossier Brasil 24h (230 seguidores) e O Contra-Fluxo (115 seguidores) somaram, juntas, mais de R$ 500 mil. Todas elas registraram informações na Meta em 22 e 23 de abril, usaram telefones com DDD 41 (Paraná) e apontaram para sites genéricos em espanhol criados sequencialmente na plataforma Hostinger.

    Entre 17 e 23 de junho, as três figuraram como o segundo maior anunciante político do país, gastando R$ 135 mil — atrás apenas do governo federal no período. Apenas em junho o desembolso total chegou a R$ 247 mil.

    Alvos e alcance

    Os anúncios criticavam diretamente Flávio Bolsonaro, ligando-o a investigações sobre rachadinha e a supostos vínculos com milicianos, e atacavam a gestão de Tarcísio de Freitas. Um vídeo veiculado de 2 a 8 de maio, com a expressão “O mais b@ndido dos Bolsonaros”, atingiu de 300 mil a 350 mil impressões, 53 % delas em São Paulo e 46 % em Minas Gerais.

    Nova leva de perfis

    Após a retirada do primeiro conjunto de páginas, outras quatro com características semelhantes entraram em ação: Panorama Brasil, Olho no Erro, Contra a Maré e Lente Escura. Panorama Brasil, diferentemente das demais, também patrocinou conteúdo favorável ao presidente Lula e a Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista.

    Dificuldade de rastreamento

    Os registros de sites e números de telefone são anônimos ou estrangeiros, o que complica a identificação dos responsáveis. Dos contatos listados, apenas dois estão ligados a contas no WhatsApp; um deles pertence a uma empresa no Paraná que nega qualquer relação com as páginas.

    Posicionamento da Meta e legislação

    Procurada, a Meta remeteu às regras sobre anúncios políticos e às medidas adotadas para as eleições de 2026. Especialistas em comunicação política destacam que o Tribunal Superior Eleitoral proíbe, desde 2022, a divulgação de informações sabidamente falsas ou gravemente descontextualizadas. Segundo a pesquisadora Carla Rodrigues, da Data Privacy Brasil, a prática de usar termos ambíguos dribla os filtros da plataforma. Para o advogado Francisco Brito Cruz, a análise de possíveis irregularidades deve considerar o alcance das publicações e o grau de ilicitude do conteúdo.

    Todas as páginas mencionadas encontram-se atualmente fora do ar, indicando ciclos curtos de atividade para evitar rastreamento.

    Com informações de O Globo

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.