Escolher nomes para duas cadeiras diferentes na mesma urna costuma ser um desafio para o eleitor paulista. A partir desta quarta-feira (23), a Folha de S.Paulo e o Datafolha oferecem um atalho: o Match Eleitoral 2026, plataforma que compara as opiniões do usuário com as de centenas de postulantes à Câmara dos Deputados e ao Senado em São Paulo.
O serviço funciona como um aplicativo de relacionamento: o internauta responde a 22 afirmações sobre economia, comportamento e políticas públicas; em seguida, um algoritmo aponta quais candidatos pensam de forma semelhante – e em que grau. O objetivo é entregar, em segundos, uma lista personalizada de afinidade ideológica.
Como o questionário foi construído
Para alimentar a base de dados, o Datafolha entrevistou, até o lançamento, 568 candidatos, equivalentes a cerca de metade dos concorrentes registrados no estado. Estão representadas todas as 27 siglas que disputam vagas ao Congresso em território paulista.
Cada participante precisou definir se “concorda totalmente”, “concorda parcialmente”, “discorda parcialmente” ou “discorda totalmente” de declarações que vão de temas penais — por exemplo, “a pena de morte é a melhor punição para crimes graves” — a questões de ordem fiscal ou de costumes. A mesma escala é apresentada ao eleitor, que ainda classifica a relevância de cada tópico (muito, pouco ou nada importante). A partir daí, o sistema calcula a proximidade entre as respostas e monta um ranking que destaca os maiores “matches”.
Adesão voluntária e base aberta
O banco do Match permanecerá em constante atualização. Qualquer candidato que ainda não participou pode solicitar inclusão pelo e-mail indicado pelo instituto (matcheleitoral@datafolha.com.br). “A ideia é ter o retrato mais amplo possível até o dia da votação”, explica Luciana Chong, diretora do Datafolha. Segundo ela, a plataforma também funciona como vitrine para quem dispõe de menos estrutura de campanha: “É uma chance de aparecer para eleitores que valorizam as mesmas pautas”.
Panorama inicial do Senado
No recorte para o Senado — onde o estado escolherá apenas um nome —, 11 concorrentes haviam respondido ao questionário até a noite de terça. Entre os mais competitivos, Ricardo Salles (Novo) e André do Prado (PL) já estão na plataforma. Simone Tebet (PSB) avisou que enviará suas respostas nos próximos dias, enquanto Marina Silva (Rede) preferiu não participar e Guilherme Derrite (PP) não retornou ao convite.
Por que a Folha aposta no formato “match”
Segundo o editor-executivo Vinicius Mota, o eleitor, ao mesmo tempo em que enfrenta um leque inflacionado de nomes, convive com baixa informação sobre propostas concretas. “Em uma eleição legislativa muitas vezes confusa, o Match age como bússola”, afirma. Além de classificar a afinidade, o sistema detalha ponto a ponto onde há concordância ou divergência, facilitando a comparação fina entre os pretendentes ao Congresso.
Da metodologia ao resultado final
- Entrevistas presenciais – Pesquisadores do Datafolha visitaram candidatos para aplicar o formulário padronizado.
- Escala simétrica – As mesmas quatro opções de resposta valem para políticos e eleitores, o que reduz distorções de interpretação.
- Ponderação de relevância – Ao atribuir peso diferente para cada tema, o eleitor personaliza o que julga essencial.
- Ranking percentual – O resultado final indica, em porcentagem, o nível de coincidência de ideias.
O que o usuário enxerga na tela
Depois de concluir o teste, o internauta recebe uma lista de afinidade decrescente. Cada candidato aparece com foto, partido, número de urna e percentual de compatibilidade. É possível clicar no nome para ver a resposta dele nos 22 temas, permitindo conferência minuciosa.
Ao contrário de enquetes e medidores de intenção de voto, a ferramenta não exibe dados sobre popularidade ou projeção eleitoral; seu foco é exclusividade programática. “O modelo não diz quem vai ganhar, mas quem pensa como você”, resume Chong.
Benefícios e limitações
Especialistas em cultura digital apontam vantagens claras: simplificar a escolha de deputados — cargo com dezenas de alternativas — e tornar debates menos centrados em personalidades. Por outro lado, o sistema só espelha opiniões registradas; portanto, candidatos que ignorarem o convite ficarão fora do radar de muitos eleitores.

Imagem: Internet
Há ainda a preocupação com eventuais mudanças de posição ao longo da campanha. Para contornar o problema, o Datafolha afirma que manterá as respostas originais arquivadas e bloqueadas, garantindo que o conteúdo não seja alterado depois de publicado.
Próximos passos da cobertura eleitoral
Nas semanas seguintes, a Folha pretende divulgar reportagens analisando os dados agregados do Match, como tendências de voto entre gêneros, faixa etária e regiões do estado. As séries especiais buscam identificar se há coerência programática dentro dos partidos e como se distribuem as correntes ideológicas na disputa paulista.
Enquanto isso, o jornal reforça a oferta de conteúdos complementares em seu portal, como o rastreador de promessas legislativas e a lista de patrimônio declarada ao Tribunal Superior Eleitoral. Confira a cobertura completa das Eleições 2026.
Como participar
- Acesse o Match Eleitoral na página principal da Folha.
- Preencha dados básicos (idade, escolaridade, cidade) para fins estatísticos.
- Responda às 22 afirmações e indique a importância de cada uma.
- Receba imediatamente a lista de candidatos mais próximos de suas convicções.
- Salve ou compartilhe o resultado; ele ficará disponível para nova consulta até o dia da votação.
O uso é gratuito e não exige cadastro permanente. A plataforma também se adapta a navegadores móveis, permitindo que o eleitor faça o teste diretamente da fila de votação, caso ainda tenha dúvidas de última hora.
Match Eleitoral 2026 ficará no ar até o encerramento do primeiro turno. Se houver segundo turno para o Senado, o aplicativo poderá ser reconfigurado para o confronto direto entre os dois finalistas.
Ao entregar uma bússola de valores num pleito cada vez mais polarizado e com excesso de informações, a Folha aposta em aproximar debate público e representação política — objetivo que, no fim, pode resultar em escolhas mais alinhadas à vontade real do eleitorado paulista.
Saiba também como justificar ausência ou regularizar o título de eleitor
