Temporal com ventos de 125 km/h leva Apucarana a pedir socorro à Defesa Civil estadual e federal

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    O vendaval que varreu Apucarana na noite de segunda-feira (21) arrancou telhados, quebrou árvores centenárias e deixou a metade da cidade sem energia elétrica. Sem conseguir mensurar o número de imóveis danificados, o prefeito Rodolfo Mota (União Brasil) recorreu imediatamente às coordenações estadual e nacional da Defesa Civil, em busca de telhas, lonas e outros insumos de emergência.

    Enquanto filas de moradores se formavam no quartel do Corpo de Bombeiros em busca de abrigo provisório, o chefe do Executivo relatava a órgãos superiores a dimensão do estrago. “Pioneiros da cidade dizem nunca ter visto algo parecido”, descreveu, ao confirmar que as rajadas passaram dos 125 km/h mas, até o momento, não há registro de vítimas graves.

    Ventos derrubam telhados e deixam cidade às escuras

    125 km/h provocam danos em áreas históricas

    Além de destelhar residências, o temporal atingiu pontos simbólicos de Apucarana. Parte da cobertura da Catedral Basílica Menor foi arrancada, e comércios do centro amanheceram com vitrines estilhaçadas. Galpões industriais também sofreram avarias, interrompendo linhas de produção na manhã seguinte.

    Segundo relatos recolhidos pela prefeitura, a combinação de rajadas, granizo e queda de estruturas provocou ferimentos leves em alguns moradores — principalmente cortes causados por estilhaços ou impacto de objetos menores. Nenhum atendimento de maior gravidade foi registrado pelo Samu.

    Força-tarefa busca abrigo para famílias

    Sem energia e com a chuva ainda intermitente, muitos bairros passaram a noite às escuras. Bombeiros, Guarda Municipal e servidores de todas as secretarias foram mobilizados. A prioridade era cobrir casas descobertas e evitar novos acidentes com fios energizados ou árvores pendentes.

    No distrito de Vila Reis, a distribuição de lonas foi descentralizada. Sob supervisão do vice-prefeito, equipes carregaram caminhões e percorreram ruas estreitas para atender idosos e famílias que não tinham condições de se deslocar até o centro. “Há pessoas acamadas que não podem esperar o dia amanhecer”, observou um servidor envolvido na ação.

    Mobilização além das fronteiras municipais

    Reforço de Arapongas

    Com o volume de ocorrências superando a capacidade local, Rodolfo Mota acionou colegas da região. Arapongas, município vizinho que registrou poucos chamados durante a mesma tempestade, enviou uma equipe extra de socorristas e veículos de apoio logo após encerrar seu plantão.

    O reforço permitiu acelerar a remoção de galhos sobre vias estratégicas, liberando corredores para ambulâncias e caminhões de manutenção da companhia elétrica. Ainda assim, a estimativa da própria concessionária era de que o restabelecimento total da luz só ocorreria no final da tarde de terça-feira.

    Apelo por telhas e lonas

    De acordo com a prefeitura, o estoque municipal de coberturas plásticas se esgotou menos de duas horas após o início da distribuição. A solicitação encaminhada à Defesa Civil do Paraná inclui milhares de metros de lona, além de telhas de fibrocimento e kits de fixação.

    Em paralelo, o governo federal foi informado sobre a possibilidade de enquadrar Apucarana em situação de emergência, o que abriria caminho para repasses extraordinários. Técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil acompanham a evolução dos levantamentos para definir se enviam equipes de campo.

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    Imagem: Internet

    Retrato da madrugada: medo, solidariedade e incerteza

    No pátio do Corpo de Bombeiros, a fila de moradores começava com famílias inteiras carregando colchões molhados e terminava em pequenos comerciantes preocupados com a insegurança dos prédios sem cobertura. O som dominante era de martelos improvisados batendo em madeiras encharcadas, intercalado pelo ronco de motosserras a cada nova árvore retirada das ruas.

    Entre um atendimento e outro, voluntários distribuíam copos de café para quem aguardava materiais de emergência. Algumas crianças choravam assustadas; outras, exaustas, dormiam nos braços dos pais. “O maior desafio é o psicológico”, comentou uma psicóloga da rede municipal, destacando que muitos perderam parte dos pertences em poucos minutos.

    Próximos passos e monitoramento

    O balanço parcial de danos deve ser divulgado assim que a energia for restabelecida nos prédios públicos onde estão os sistemas de informática da prefeitura. Equipes de engenharia trabalham para conferir a estabilidade de escolas e unidades de saúde, condição indispensável para a retomada das aulas e do atendimento ambulatorial.

    Enquanto isso, Defesa Civil e prefeitura reforçam o pedido para que a população evite áreas arborizadas e, principalmente, não tente religar a própria rede elétrica. Até que o panorama esteja totalmente mapeado, ligações de emergência permanecem centralizadas no 193 (Corpo de Bombeiros) e 192 (Samu), números que ganharam linhas adicionais diante do aumento da demanda.

    Solidariedade organizada

    Empresas locais de materiais de construção anunciaram a doação de parte do estoque, e entidades assistenciais iniciaram campanhas para arrecadar alimentos não perecíveis e produtos de higiene. A prefeitura prometeu divulgar ainda nesta semana pontos oficiais de coleta, a fim de evitar fraudes ou dispersão dos donativos.

    Apesar do cenário de destruição, a ausência de vítimas fatais é celebrada pelas autoridades como prova de que sistemas de alerta vêm evoluindo na região. No entanto, o prefeito Rodolfo Mota adverte: “Sem apoio rápido para recuperar telhados, a cidade pode enfrentar novos transtornos se outro evento climático ocorrer nos próximos dias”. Especialistas alertam que o solo encharcado aumenta o risco de escorregamentos e queda de árvores já fragilizadas.

    Os próximos boletins climáticos serão acompanhados em tempo real pelas sirenes instaladas após enchentes passadas. Caso haja previsão de novos temporais, a Defesa Civil planeja ampliar pontos de abrigo temporário, usando ginásios esportivos e igrejas em bairros menos afetados.

    Até lá, o município segue em alerta máximo, contando que a colaboração entre esferas municipal, estadual e federal transforme telhas, lonas e solidariedade em teto provisório para centenas de famílias que, nesta semana, descobriram quão frágil pode ser a segurança de um lar diante da força do vento.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.