Ataques com drones derrubam produção em metade das maiores refinarias de diesel da Rússia

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    Uma sequência de ataques ucranianos com drones obrigou três das seis maiores refinarias de diesel da Rússia a paralisar totalmente as operações e levou outras a operar bem abaixo da capacidade em setembro. Juntas, essas plantas respondem por cerca de metade da oferta russa do combustível, cenário que forçou Moscou a impor limites às exportações e ampliou a pressão sobre o mercado global.

    O impacto já se reflete fora da região. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel superou pela primeira vez US$ 6 por galão, fato explorado politicamente pelo presidente Donald Trump, que pediu ao líder ucraniano Volodymyr Zelenskiy que interrompa os bombardeios à infraestrutura energética russa.

    Produção em queda livre

    Levantamento feito pela Reuters com participantes do mercado de combustíveis mostra que Kirishi, Omsk, Taneco, Volgogrado, NORSI e Perm — as seis maiores produtoras de diesel do país — passaram setembro com desempenho muito abaixo do normal. Kirishi está totalmente fora de operação, enquanto Volgogrado e NORSI operam a apenas 25 % da capacidade nominal. Na Taneco, atingida no último domingo, o grau de dano ainda não foi estimado, mas fontes internas já preveem forte redução.

    As perdas acumuladas nessas unidades significam várias centenas de milhares de toneladas de diesel a menos por mês. Com menos combustível disponível no mercado interno, o governo russo impôs limites à saída de gasolina, diesel e querosene de aviação, tentando garantir o abastecimento doméstico.

    Ritmo de ataques surpreende

    A Agência Internacional de Energia (IEA), sediada em Paris, calculou que, nos primeiros oito meses de 2026, uma refinaria russa foi atingida com sucesso, em média, a cada três dias. O dado ilustra a frequência dos bombardeios que, segundo Kiev, são uma resposta legítima aos constantes ataques russos à infraestrutura energética ucraniana.

    Embora a Ucrânia não confirme detalhes de cada operação, militares do país classificam as plantas de processamento de combustíveis como alvos estratégicos, pois afetam a logística militar russa. Moscou, por sua vez, denuncia sabotagem e fala em “terrorismo energético”.

    Preço recorde nos EUA e pressão eleitoral

    O disparo do diesel atinge setores sensíveis da economia norte-americana, como transporte rodoviário, ferroviário, marítimo e a agricultura. O combustível já custava caro por conta da seca prolongada que encarece a produção agrícola e dos altos preços de insumos; o conflito no Irã — que reduziu a oferta global de petróleo — agravou ainda mais o quadro. Com a marca de US$ 6 por galão registrada na quinta-feira pelo site GasBuddy, o tema ganhou contornos políticos às vésperas das eleições legislativas de novembro.

    Trump, em público, culpou diretamente os ataques aos complexos russos pelo novo patamar de preços. Para o republicano, o corte de oferta “prejudica o mundo inteiro”. Especialistas, porém, lembram que a combinação de fatores climáticos, custo de frete e tensões no Oriente Médio também influencia a escalada.

    Exportações encolhem

    Antes das restrições anunciadas por Moscou, as exportações russas de diesel haviam caído para menos de 1 milhão de toneladas em junho, segundo estimativas de operadores. Quando se somam diesel e gasóleo, o volume ficou em torno de 1,8 milhão de toneladas. Um ano antes, com as refinarias operando sem interrupções, o país embarcava cerca de 2,5 milhões de toneladas de diesel por mês, ou entre 3,3 milhões e 3,4 milhões de toneladas incluindo o combustível de qualidade inferior.

    A Turquia e o Brasil vinham respondendo por pelo menos metade das compras de diesel russo até que o Kremlin passou a segurar as vendas em julho. A mudança obrigou importadores a buscar fontes alternativas em um mercado já apertado pelo menor fluxo de derivados vindos do Oriente Médio.

    Lista das refinarias mais afetadas

    • Kirishi – parada total.
    • Volgogrado – opera a 25 % da capacidade.
    • NORSI – cerca de 25 % da capacidade.
    • Taneco – danos em avaliação após ataque de domingo.
    • Omsk – produção reduzida (níveis não divulgados).
    • Perm – produção reduzida (níveis não divulgados).

    Efeito dominó no agronegócio

    O diesel é a principal fonte de energia para tratores, colheitadeiras e caminhões usados no escoamento de grãos. Nos EUA, o setor já enfrentava o quarto ano seguido de margens apertadas, devido a custos mais altos de fertilizantes e defensivos, além dos reflexos de políticas comerciais protecionistas adotadas pelo governo Trump. Ao somar a disparada do combustível, produtores alertam para nova rodada de elevação de preços ao consumidor.

    Também há receio de que as transportadoras repassem integralmente o aumento das tarifas de frete, encarecendo cadeias inteiras de suprimentos e pressionando a inflação em diversos países.

    Perspectivas de curto prazo

    Sem sinais de trégua no conflito e diante da dificuldade de proteger instalações industriais de drones de longo alcance, analistas de mercado não descartam novas interrupções na capacidade de refino russa. A permanência das restrições às exportações tende a segurar volumes no interior do país, mas, a depender da extensão dos danos, pode provocar falta de combustíveis até no mercado doméstico.

    Para importadores, a incerteza sobre o ritmo de embarques gera volatilidade de preços e redireciona cargas que antes seguiam rotas consolidadas. Caso o teto de produção permaneça, o mundo terá de compensar a ausência de até 1 milhão de toneladas mensais de diesel russo, justamente quando a demanda costuma aumentar no hemisfério norte durante o outono.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.