Justiça manda prender donos de construtora após desabamento que matou seis na Penha

    0

    Um dia depois do desabamento que soterrou uma família e deixou seis mortos na Penha, zona leste da capital, a Justiça paulista decretou a prisão temporária de três dirigentes da New Home Construtora. A medida atendeu a pedido da Polícia Civil, que aponta “indícios de conhecimento prévio da fragilidade da estrutura” por parte dos empresários.

    Ronaldo Vivacqua, apontado como “sócio oculto”, foi detido na manhã de domingo (13). O filho dele, o engenheiro responsável Cristiano Vivacqua, e a mulher, Isis Brandão —ambos também sócios da companhia— não foram localizados e são considerados foragidos. O advogado do trio afirma que o casal pretende se apresentar “nos próximos dias” e sustenta que havia decisão judicial permitindo a continuidade das obras.

    Investigação aponta descumprimento de alvará e ocultação de documentos

    A Delegacia Seccional de Ponte Rasa reuniu relatórios técnicos, autos de infração e depoimentos de vizinhos para convencer o Judiciário a autorizar as prisões. Segundo a delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, a construtora ignorou um alvará municipal que obrigava a demolição do antigo prédio antes de erguer nova edificação. “Os documentos mostram que, mesmo multada, a empresa seguiu trabalhando e escondeu parte do histórico da obra”, disse a policial.

    Mora na mesma rua da tragédia a aposentada Elza Fernandes, 64. Ouvida como testemunha, ela relatou que rachaduras apareceram nos muros de sua casa há cerca de três meses, coincidindo com o avanço da construção, que chegou a nove andares —quatro a mais que o limite existente quando a Prefeitura expediu o alvará condicionando a demolição.

    Da interdição à ação judicial

    A administração municipal informou que a obra começou em 2019, foi embargada no mesmo ano por falhas estruturais e recebeu diversas multas até 2021. Diante da continuidade clandestina, a Procuradoria-Geral do Município entrou com ação pedindo paralisação imediata. Em 2023, um novo alvará foi liberado, mas com a exigência expressa de derrubar a estrutura comprometida antes de qualquer reconstrução. A exigência não foi cumprida.

    Sócio preso nega irregularidades

    À polícia, Ronaldo Vivacqua alegou que a New Home dispunha de liminar obtida em março de 2025 que liberaria a retomada dos trabalhos sem a demolição. O documento ainda não foi anexado ao inquérito. O advogado Adelmo Silva declarou que a obra estava parada “por falta de recursos” e levantou a hipótese de que serviços feitos em um terreno vizinho, nos fundos do prédio, tenham provocado o colapso.

    Justiça manda prender donos de construtora após desabamento que matou seis na Penha - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Perícia busca determinar causa exata do colapso

    Engenheiros do Instituto de Criminalística passaram o domingo examinando ferragens retorcidas e as fundações expostas. Amostras de concreto foram recolhidas para análise de resistência. A delegada responsável não descarta falhas no cálculo estrutural, uso de material de baixa qualidade ou impacto de escavações próximas. O laudo deve ficar pronto nas próximas semanas e será decisivo para eventual indiciamento por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).

    Servidora que liberou obra é afastada

    A controladoria da capital afastou por 30 dias a fiscal que, em 2024, atestou oficialmente a demolição do prédio —ato que nunca ocorreu, segundo registros de satélite examinados pela Prefeitura. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que quer “responsabilização administrativa e, se for o caso, criminal” da funcionária. O nome dela não foi divulgado para preservar a investigação.

    Próximos passos do inquérito

    • Oitiva dos proprietários foragidos, caso se entreguem.
    • Análise do eventual conflito entre a liminar citada pela defesa e os embargos municipais.
    • Confronto do laudo pericial com os projetos depositados pela New Home.
    • Apuração de possíveis conivências internas na cadeia de fiscalização.

    Enquanto os escombros ainda ocupam a rua Tequici, moradores contabilizam prejuízos em imóveis vizinhos. Equipes da Defesa Civil instauraram interdição preventiva em três casas atingidas por rachaduras. A Prefeitura promete concluir a remoção dos destroços e liberar a via até o fim da semana, mas a memória da tragédia deve prolongar-se nos tribunais.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.