Documentos do STF revelam Flávio Bolsonaro como alvo do caso Master e viagens de diretores do BC bancadas por Vorcaro

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    O Supremo Tribunal Federal tornou públicos documentos que detalham a atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e expõem novos desdobramentos da maior investigação financeira em curso no país. Entre as revelações estão a inclusão formal de Flávio Bolsonaro como investigado desde julho e o custeio, por Vorcaro, de viagens internacionais de dois ex-diretores do Banco Central.

    A liberação foi determinada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, e cumprida de imediato pelo relator André Mendonça, que retirou o sigilo de 14 procedimentos ligados ao inquérito principal sobre o Banco Master. Apenas trechos que possam comprometer diligências em andamento permanecem reservados.

    Quebra de sigilo em meio a uma crise interna do Supremo

    A divulgação ocorre enquanto o Supremo atravessa sua mais grave turbulência recente. A tensão começou quando Mendonça anexou a um relatório conversas de pessoas próximas a Vorcaro, entre elas o ministro Alexandre de Moraes. O gesto acirrou o conflito entre os dois magistrados a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições de 2026.

    Fachin decidiu pela transparência após manifestação favorável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O entendimento do Palácio do Planalto foi de que a publicidade das provas reduziria a temperatura política e evitaria suspeitas de proteção institucional.

    Flávio Bolsonaro na investigação sobre o filme “Dark Horse”

    Os relatórios da Polícia Federal apontam que o senador Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros crimes correlatos. O foco é o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, que pretende contar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por liderar a tentativa de golpe de 2025.

    Segundo a PF, Flávio negociou diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, dos quais ao menos US$ 12,3 milhões já teriam sido efetivamente desembolsados. Há indícios de que parte do dinheiro também tenha sido usada para bancar despesas do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

    Roteiro de tratativas e suspeitas de camuflagem

    • Julho de 2026: Flávio passa a figurar como investigado formal.
    • Agosto de 2026: quebras de sigilo bancário apontam primeira transferência superior a US$ 5 milhões.
    • Setembro de 2026: produtores do filme admitem atraso no cronograma, atribuindo a “problemas contábeis”.

    Viagens de luxo para diretores do Banco Central

    Os relatórios também detalham benefícios oferecidos por Vorcaro a dois ex-integrantes de alto escalão do Banco Central, acusados de favorecer o Banco Master em processos de fiscalização. Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, teriam sido presenteados com viagens de lazer.

    Paris e Disney na rota da suspeita

    1. Belline Santana viajou com a esposa a Paris, com despesas de passagens, hospedagem e restaurantes quitadas por empresas ligadas a Vorcaro.
    2. Paulo Sérgio Neves de Souza passou férias com a família na Disney, nos Estados Unidos, também às custas do esquema.

    Em troca, de acordo com a PF, ambos atuaram para atenuar punições e acelerar autorizações de expansão do Banco Master, hoje em liquidação judicial.

    A teia de influência do ex-banqueiro

    Preso preventivamente, Vorcaro é apontado como chefe de uma fraude bilionária que drenou recursos de investidores e lavou capitais no exterior. As apurações mostram que ele cultivava relações com parlamentares, ministros do STF e executivos de estatais.

    Documentos do STF revelam Flávio Bolsonaro como alvo do caso Master e viagens de diretores do BC bancadas por Vorcaro - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Dois ministros na linha de frente

    Conversas interceptadas revelam que Alexandre de Moraes trocou mensagens sobre o próprio inquérito com Vorcaro, inclusive no dia da prisão do ex-banqueiro. Já Dias Toffoli, segundo os autos, mantinha sociedade com ele em um resort em construção.

    Grupo “A Turma” e o operador Sicário

    Vorcaro comandava ainda um núcleo paralelo apelidado de “A Turma”, liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. O grupo discutia estratégias de intimidação contra desafetos, incluindo jornalistas, e tinha acesso a dados sigilosos.

    Fraude financeira estimada como a maior do país

    A soma do prejuízo atribuído ao Banco Master ainda não foi oficialmente divulgada, mas investigadores apontam que pode superar escândalos como o do Banco Nacional nos anos 1990. A PF rastreia uma complexa rede de offshore, empresas de fachada e operações em criptomoedas usadas para ocultar a origem dos valores.

    Com a retirada do sigilo, a expectativa de procuradores é reforçar pedidos de cooperação internacional e acelerar o bloqueio de ativos. Novas denúncias podem ser apresentadas ainda neste semestre.

    Próximos passos da investigação

    Apesar da ampla publicização, permanecem lacrados anexos que tratam de diligências em curso, como buscas previstas para ocorrer em pelo menos três estados e oitivas de 15 testemunhas. A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades; os ex-diretores do BC não se pronunciaram.

    O STF deve julgar, até o fim do ano, recursos que tentam anular parte das provas, alegando quebra indevida de sigilo telemático. Até lá, o caso Master continua a desafiar os limites entre política, mercado financeiro e Judiciário.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.