Os passos ainda nem terminaram de ser coreografados, mas a tensão já marca o ritmo da atual temporada da Dança dos Famosos. Otaviano Costa, um dos competidores, adiantou que a convivência entre os artistas mistura companheirismo e uma boa dose de ciúme quando as notas aparecem. O apresentador também confidenciou ter sofrido um estiramento muscular logo na primeira semana de ensaios, o que lhe impôs freio de mão quando o entusiasmo ameaçava ultrapassar a técnica.
As declarações foram dadas à coluna durante passagem de Otaviano pela área VIP do Rock in Rio. Entre elogios à “trupe” que se formou no elenco, ele descreveu encontros pós-ensaio que combinam descontração e quase um ritual de oração. Mesmo assim, garante: há faíscas de competição toda vez que o júri exibe as plaquinhas.
After-parties: diversão moderada e até “padre” improvisado
Otaviano foi direto ao falar sobre a vida social que se criou em torno do quadro. De acordo com ele, logo após os treinos, é comum que parte do elenco se reúna para um “after” que serve tanto para descansar o corpo quanto para fortalecer laços. “Parece balada, mas é mais light do que o público imagina”, detalhou o apresentador, destacando a presença de um participante que costuma conduzir uma espécie de oração antes dos brindes — motivo de piada entre o grupo.
No encontro mais recente, realizado na véspera da entrevista, a turma alternou brincadeiras e conversas sobre coreografias. Otaviano contou que a pluralidade de perfis faz o after render. Há quem opte por dançar até de madrugada e quem apenas queira conversar, massajar as panturrilhas e ir para casa cedo. Ainda assim, todas as rodinhas acabam se encontrando em algum momento para trocar impressões sobre o desempenho nos ensaios.
Quando a música para, o ciúme entra em cena
Apesar do clima festivo, a rivalidade não fica na pista. “É uma competição; todo mundo quer nota alta”, afirmou. Ele reconhece que a amizade entre os participantes é verdadeira, mas que a hora da votação expõe um sentimento inevitável: “Aplaudimos o colega quando ele arrebenta, porém lá no fundo a pergunta surge: ‘Por que o júri não disse isso de mim?’”.
Para o apresentador, essa “voltagem” explica a longevidade do formato. O público vibra ao perceber que, por trás dos sorrisos, existe a expectativa — e, às vezes, a frustração — de cada celebridade. “É ciúme bom, combustível para todos buscarem superar limites na semana seguinte”, definiu.
Saudável, mas estratégico
Otaviano observa que a disputa influencia até na hora de escolher os parceiros de treino informal. Segundo ele, duplas que recebem notas altas viram referência; outros tentam descobrir o que há de especial na preparação daquele concorrente. Trocam-se passos, mas ninguém entrega o ouro por completo. “Mais que ciúme, é um jogo de observação”, explicou.
Lesão freia empolgação logo no início
Se a tensão psicológica faz parte do espetáculo, o corpo também cobra seu preço. Otaviano sofreu um estiramento de grau dois enquanto ensaiava pagodão baiano. O susto veio após uma sequência de giros e rebolados que exigiam agilidade superior à experiência do apresentador na pista. “Quase rompi de vez”, admitiu, aliviado por ter parado antes de um comprometimento mais grave.
Entre risos, ele brinca que seus cabelos grisalhos deveriam render respeito aos coreógrafos. “Não dá para virar Léo Santana em três dias, nem Xanddy em 48 horas”, comparou. A falta de técnica, somada ao entusiasmo, teria provocado o estiramento. Foi o corpo quem deu a ordem de “pisar no freio” para evitar algo irreparável.

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Fase de adaptação e cuidados redobrados
Com orientação médica e fisioterapia, o artista retomou os ensaios pouco depois, porém mais consciente dos próprios limites. Agora, alongamentos e aquecimento prolongado antecedem cada sessão. Ele diz ter entendido que a dança exige preparo específico, diferente da energia que costuma gastar em festas familiares ou nos palcos como apresentador.
Zona de desconforto vira oportunidade
Otaviano sempre se considerou animado nas pistas de dança, mas nunca viu essa habilidade como talento a ser lapidado. Participar do quadro representa, para ele, mergulhar em território completamente desconhecido. “É 100% fora da minha zona de conforto”, admitiu. Mesmo assim, o susto da lesão não diminuiu o entusiasmo: ele afirma estar “apaixonado” pelo desafio e celebra cada termo técnico recém-aprendido, de plié a spotting.
Entre uma coreografia e outra, o apresentador já ri do próprio exagero e diz se sentir, em tom de piada, “um Baryshnikov misturado com Deborah Colker e Carlinhos de Jesus”. A autoironia ajuda a aliviar o peso da avaliação pública, mas não reduz a meta: levar notas altas e, quem sabe, surpreender o júri especializado ao longo da temporada.
Expectativa para os próximos ritmos
Com a recuperação quase completa, o competidor se prepara para estilos que exigem menos impacto nos músculos já afetados. Ele não revela qual dança pretende usar como “cartada”, mas garante ter aprendido a controlar a ansiedade. “Agora, escuto o corpo antes de tentar bater recordes”, ressaltou.
Ciúme como motor para evolução
Ciente de que os colegas vigiam cada nota, Otaviano enxerga o ciúme coletivo como propulsor de excelência. “Quando um sobe no pódio, todos acordam mais cedo no dia seguinte”, descreveu. Na opinião dele, a dinâmica beneficia o público, que assiste a apresentações cada vez mais refinadas, e a própria turma, que descobre potencial onde não imaginava.
A dança continua
Entre after-parties com ares de confraria, pequenas pontadas de ciúme e cuidados redobrados com o corpo, Otaviano Costa segue em cena, equilibrando carisma de apresentador e disciplina de aluno aplicado. O reality, diz ele, oferece muito mais que fama instantânea: “É uma escola intensiva de superação”. E, enquanto a competição avança, o público acompanha cada passo, cada nota e, claro, cada faísca que faz do Dança dos Famosos um dos quadros mais longevos e comentados da TV brasileira.
