Putin recebe enviados de Trump e acerta trégua de 72 horas com a Ucrânia

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    Um raro gesto de contenção na guerra iniciada pela Rússia em 2022 marcou o sábado (5). O presidente Vladimir Putin recebeu, em Moscou, os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e, ao fim do encontro, anunciou uma trégua de três dias que impede ataques contra as capitais de ambos os países. A medida, aceita imediatamente pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky, cria o primeiro intervalo negociado de segurança aérea sobre Moscou e Kiev desde o início do conflito.

    O cessar-fogo limitado abre caminho para que Witkoff e Kushner desembarquem em Kiev amanhã, na missão mais ostensiva do governo Donald Trump para testar a viabilidade de um acordo de paz. Apesar do empenho diplomático, as hostilidades continuam em outras frentes: bombardeios russos atingiram hoje cidades ucranianas e deixaram sete mortos, lembrando que o armistício acordado vale apenas para as capitais.

    Trégua provisória protege Moscou e Kiev

    Compromisso de não atacar as capitais

    Pelo acerto intermediado durante a reunião no Kremlin, Rússia e Ucrânia se abstêm de qualquer ataque a Moscou ou Kiev a partir da meia-noite deste sábado e se comprometem a manter a restrição até o fim da segunda-feira. O gesto visa criar “condições mínimas de confiança” para as conversas, segundo avaliou um funcionário ucraniano de alto escalão ouvido pela AFP.

    Putin agradeceu publicamente a Trump por “não desistir” de buscar uma saída para a guerra, que ele próprio lançou há pouco mais de quatro anos. Reforçou, porém, que encerrar o conflito “não é algo simples”. Do lado ucraniano, Zelensky publicou em suas redes sociais a promessa de respeitar integralmente o intervalo sugerido pelos mediadores dos EUA: “Até o fim do sábado, assim como no domingo e na segunda-feira, a Ucrânia está disposta a se abster de ataques contra Moscou”.

    A trégua cobre apenas as duas capitais e não impede operações militares em outras regiões. Ainda neste sábado, mísseis e drones de longo alcance voltaram a ser empregados por ambos os exércitos, confirmando que o cessar-fogo tem alcance limitado. Analistas já apontam o acordo como um teste de boa-fé mais do que um armistício formal.

    Missões paralelas de Washington

    Enviados tentarão medir disposição de paz

    Esta será a primeira viagem de Steve Witkoff e Jared Kushner à Ucrânia desde que Trump iniciou o segundo mandato, no ano passado. O próprio presidente norte-americano afirmou ter “uma ideia para a paz” e delegou aos dois assessores a missão de verificar, em campo, se há margem para negociá-la. Fontes em Kiev informaram que os enviados pretendem se encontrar com Zelensky e integrantes do alto comando militar ainda no domingo.

    Witkoff, empresário do setor imobiliário, e Kushner, genro de Trump, já atuaram em iniciativas diplomáticas não convencionais durante o primeiro mandato republicano, sobretudo no Oriente Médio. No caso do leste europeu, deverão levar a Trump um relatório sobre possibilidades de cessar-fogo abrangente, exigências de ambos os lados e, sobretudo, a viabilidade de garantias de segurança para os dois países.

    Visita recente do diretor da CIA atiça expectativas

    O engajamento diplomático ganhou fôlego extra depois de uma passagem sigilosa do diretor da CIA, John Ratcliffe, por Moscou na semana passada. O Kremlin confirmou que ele se reuniu com serviços de inteligência russos, enquanto Trump classificou o deslocamento como “semi-rotineiro”. A coincidência de agendas reforçou especulações de que a Casa Branca trabalha em múltiplos canais paralelos para interromper a guerra.

    Embora nenhum detalhe sobre encontros de Ratcliffe tenha sido divulgado, a visita em si indica que Washington busca contato direto com o aparato de segurança russo. Analistas apontam que, sem diálogo entre as comunidades de inteligência, qualquer iniciativa de paz encontra sérios entraves, sobretudo diante do atual uso de drones e mísseis de longo alcance, que ampliou o número de vítimas civis a patamares registrados apenas no início dos combates.

    Desafios logísticos da viagem a Kiev

    Espaço aéreo fechado desde 2022

    O trajeto dos enviados norte-americanos chamou atenção porque, diferentemente de outras missões oficiais, eles pretendem voar até Kiev. O espaço aéreo ucraniano está fechado desde fevereiro de 2022, forçando líderes estrangeiros a entrar no país de trem, a partir da Polônia ou da Romênia. Se o plano de voo for confirmado, a operação representará um raro pouso civil autorizado na capital em guerra.

    Além de cálculo diplomático, a iniciativa tende a funcionar como gesto simbólico: sinaliza confiança na promessa russa de não atacar a capital e, ao mesmo tempo, sublinha a urgência de soluções que restabeleçam a normalidade no tráfego aéreo. Equipes de segurança de ambos os lados monitoram a rota para prevenir violações à trégua.

    Escalada de bombardeios pressiona negociações

    Mesmo com a pausa parcial anunciada, o conflito registra neste momento um dos períodos mais violentos desde 2022. O uso rotineiro de drones explosivos e mísseis de cruzeiro elevou o número de feridos e mortos civis a níveis comparáveis aos do primeiro trimestre da invasão russa. Sete pessoas perderam a vida apenas neste sábado, segundo autoridades de Kiev, após novos ataques contra centros urbanos que ficaram fora do acordo de não agressão.

    Capitais diplomáticas europeias veem o esforço dos EUA como última janela para frear a espiral militar antes do inverno, quando operações em solo costumam desacelerar, mas bombardeios aéreos mantêm alta letalidade. O Kremlin, por sua vez, tenta equilibrar a pressão militar no front com gestos de abertura política, receoso de sanções adicionais e de isolamento ainda maior no cenário internacional.

    “Não é simples” terminar a guerra, admite Putin

    Durante a conversa com Witkoff e Kushner, Putin reconheceu a dificuldade de por fim à guerra que começou em fevereiro de 2022. Discurso semelhante tem sido adotado por Zelensky, que condiciona qualquer acordo ao restabelecimento completo da soberania territorial ucraniana. A distância entre as demandas segue considerável, mas a trégua das capitais, mesmo breve, aparece como primeiro movimento conjunto de desescalada em meses.

    Próximos passos

    Se a trégua for cumprida sem violações, diplomatas de ambos os lados esperam marcar novas rodadas de conversas ainda em setembro. Witkoff e Kushner devem apresentar relatório preliminar a Trump na volta aos EUA, detalhando receptividade de Zelensky e as condições mínimas que Kiev coloca para engajar-se numa negociação formal.

    Nenhuma das partes confirma, por ora, local ou formato dos próximos encontros. A hipótese mais citada em Kiev é a retomada de negociações diretas em um país neutro, possibilidade ventilada discretamente por diplomatas turcos e suíços. Enquanto isso, o front continua ativo. A eficácia do cessar-fogo de 72 horas, portanto, servirá de termômetro crucial para medir não apenas a confiança mútua, mas também a capacidade de Washington de exercer influência sobre os beligerantes.

    Entre o ceticismo do campo de batalha e a disposição de testar uma solução política, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos entram nas próximas horas num jogo de calibragem delicada. O resultado dessa curta suspensão dos ataques às capitais indicará se o caminho da diplomacia volta a ser viável ou se o maior conflito europeu desde a Segunda Guerra Mundial permanecerá sem horizonte de encerramento.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.