O governo do Peru oficializou, na noite de quarta-feira (2), o rompimento das relações diplomáticas com o Irã. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores acusou Teerã de fomentar a violência no Oriente Médio, restringir a navegação no Estreito de Hormuz e adotar práticas que violam direitos fundamentais, o que, segundo Lima, ameaça a paz e a segurança internacionais.
Embora encerre a representação diplomática, o Peru manterá os serviços consulares conforme a Convenção de Viena de 1963. A decisão foi comunicada ao governo iraniano por nota entregue à embaixada do Irã no Equador, responsável pelos assuntos iranianos em território peruano.
Motivos alegados por Lima
Escalada de conflitos no Oriente Médio
A chancelaria peruana sustenta que o Irã incentiva a “escalada de conflitos” na região ao apoiar grupos e ações militares que desequilibram a segurança coletiva. O texto realça que tal postura contraria esforços internacionais de contenção de crises e compromete a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Bloqueio no Estreito de Hormuz desde março de 2026
Outro ponto central é a interrupção parcial do comércio internacional no Estreito de Hormuz, atribuído pelo Peru a imposições iranianas iniciadas em março do ano passado. Para Lima, as restrições violam a liberdade de navegação e o direito de passagem em rotas marítimas estratégicas, elevando o custo da energia e pressionando cadeias globais de suprimentos.
Violações de direitos humanos
O comunicado menciona “deterioração de valores democráticos” no Irã, respaldada por relatórios de mecanismos da ONU. Entre os exemplos citados estão:
- repressão a manifestações pacíficas;
- restrições à liberdade de imprensa;
- discriminação sistemática contra mulheres e meninas;
- perseguição a opositores políticos.
Para o Peru, essas práticas ferem compromissos internacionais assumidos por Teerã e reforçam a necessidade de uma posição diplomática dura.
Acesso negado à AIEA
Lima também condena a suposta obstrução de Teerã ao trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Ministério afirma que inspetores tiveram visitas negadas a instalações nucleares iranianas, fato que alimenta incertezas sobre o programa atômico do país.
Base jurídica para o rompimento
O Peru ampara a medida no artigo 45 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, que autoriza um Estado a encerrar missões estrangeiras em seu território quando julgar necessário. De acordo com a chancelaria, todos os procedimentos protocolares foram cumpridos.

Imagem: Internet
Manutenção de vínculos consulares
Apesar da ruptura política, o governo peruano sublinhou que serviços consulares seguem intactos, em respeito à Convenção de Viena sobre Relações Consulares, de 1963. A estrutura é considerada essencial para proteger cidadãos e interesses de ambos os países.
Efeitos imediatos
Representação diplomática encerrada
A partir da data do anúncio, nenhuma autoridade iraniana manterá status diplomático em Lima. Questões pendentes serão tratadas por canais consulares ou por intermédio de missões de terceiros países.
Comércio e cooperação bilateral
O comunicado não detalha impactos sobre acordos econômicos, mas, ao romper laços diplomáticos, o Peru interrompe qualquer diálogo oficial de alto nível sobre comércio, energia ou programas de intercâmbio.
Repercussão interna
No texto divulgado, o governo ressalta que a decisão é coerente com sua política externa de defesa da democracia e dos direitos humanos. Líderes políticos locais ainda não se pronunciaram publicamente sobre possíveis impactos econômicos ou geopolíticos para o país andino.
Próximos passos
Sem embaixada em Teerã, Lima dependerá de representações de terceiros para qualquer interlocução futura. A manutenção do consulado permite, contudo, que cidadãos peruanos em viagem ou residência no Irã tenham acesso a assistência básica.
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