Depois de quase três meses impedido de promover provas, o Jóquei Clube de Goiás recuperou a carta-patente que autoriza a realização de corridas de cavalo no Hipódromo da Lagoinha, em Goiânia. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) suspendeu cautelarmente, na quarta-feira (12), a decisão que havia cassado a permissão do clube, abrindo caminho para um novo evento ainda em agosto.
A revogação temporária da penalidade atendeu a um pedido de revisão administrativa protocolado pela diretoria eleita no início do ano. Com isso, as atividades turfísticas voltam a ser permitidas enquanto o ministério analisa documentação complementar e revisa o processo que apontou irregularidades na gestão anterior.
Como o clube recuperou a autorização
A cassação original da carta-patente foi publicada no Diário Oficial da União em 15 de maio, depois de auditoria que apontou falhas administrativas, fiscais e de governança. A nova diretoria assumiu pouco antes da sanção e, em 17 de março, protocolou pedido de habilitação junto à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Mapa, regularizando registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e apresentando documentos pendentes.
Em 20 de maio, já sob efeito da cassação, o grupo entregou recurso administrativo e solicitou revisão de todo o procedimento de fiscalização. O Mapa acatou o pleito parcialmente, considerando “plausíveis” os argumentos de que as falhas pertenciam à gestão 2021-25 e que providências corretivas haviam sido adotadas.
Decisão publicada no Diário Oficial
O despacho assinado pela Secretaria de Defesa Agropecuária determinou a suspensão “até ulterior deliberação”, permitindo a retomada imediata das atividades. O texto também determina nova análise dos relatórios de auditoria “à luz dos fatos e fundamentos jurídicos” apresentados.
O que motivou a punição original
Falhas administrativas e fiscais
Auditores do ministério encontraram ausência de prestação de contas, comunicação institucional deficiente e histórico de reprovações consecutivas em inspeções anteriores. Constatou-se ainda que a antiga diretoria não possuía constituição formal e que o CNPJ do clube aparecia “inapto” durante parte das vistorias.
Segundo o relatório, o conjunto de irregularidades impedia a continuidade das corridas, que dependem de rastreabilidade financeira, garantia ao apostador e bem-estar animal. A penalidade, decretada em 26 de março, só passou a valer oficialmente após sua publicação em maio.
Regularização sob nova gestão
Entre março e abril, já com a cassação prestes a sair, o grupo que assumiu a administração se concentrou em reativar o CNPJ, reforçar controles internos e organizar documentos contábeis. O sistema da Receita Federal confirmou a reativação do cadastro em 31 de março, passo que embasou o recurso protocolado no mês seguinte.
No pedido de revisão, a diretoria apresentou comprovantes de quitação de obrigações fiscais, atas de assembleia que formalizaram a posse e um plano de governança para atender recomendações anteriores do ministério.
Calendário reaparece após três meses de vazio
A presidente do clube, Nívea de Paula, informou que a primeira jornada de corridas está agendada para o fim de agosto, com número reduzido de provas para testar os novos protocolos. A expectativa é atrair criadores, treinadores e apostadores que se deslocavam para outros estados desde a interrupção.
Os organizadores garantem que fiscais do Mapa serão convidados a acompanhar a estreia, demonstrando transparência na condução das apostas parimutuel e nas rotinas de bem-estar animal. Caso não surjam novos entraves, o objetivo é retomar o calendário mensal tradicional até o fim do ano.
Impacto econômico local
A volta das corridas movimenta um setor que envolve profissionais de pista, tratadores, veterinários, criadores e fornecedores de insumos. Estimativas internas apontam que cada reunião turfística gera, direta ou indiretamente, mais de 500 postos de trabalho temporário em Goiânia.

Imagem: Internet
Com a retomada, a diretoria estuda parcerias para realizar eventos integrados, como feiras de alimentação e exposições de animais, ampliando o apelo do hipódromo à população da capital.
Etapas ainda em aberto
A decisão de 12 de agosto é cautelar. A análise definitiva do recurso administrativo permanece em curso e pode confirmar ou revogar em definitivo a cassação. Até lá, o clube deverá cumprir todas as exigências pendentes e submeter relatórios periódicos ao ministério.
Entre as metas estabelecidas estão:
- entregar balanços financeiros auditados até o encerramento do exercício;
- instalar sistema eletrônico de acompanhamento de apostas;
- reforçar regras de bem-estar animal, com exames veterinários prévios e posteriores às provas;
- manter canal de comunicação pública para divulgação de resultados e prestações de contas.
Caso alguma dessas obrigações deixe de ser cumprida, o Mapa pode restabelecer a cassação sem necessidade de novo processo.
Confiança no futuro
Apesar da condição provisória, a diretoria do Jóquei Clube de Goiás considera que a suspensão indica reconhecimento do esforço para sanar irregularidades. “Ainda temos etapas a vencer, mas já mostramos que o clube tem gestão legítima e responsabilidade fiscal”, afirma Nívea de Paula.
Até que saia a posição final do ministério, a estratégia é manter diálogo constante com órgãos federais e estaduais e reforçar controles internos. A orientação é que todo procedimento administrativo ou financeiro passe por dupla checagem, diminuindo o risco de reincidência dos problemas que levaram à penalidade.
Repercussão entre sócios e criadores
Nos grupos de criadores de cavalo de corrida, a notícia foi recebida com alívio. Proprietários que migraram suas equipes para hipódromos de Brasília e São Paulo já planejam o retorno a Goiânia, reduzindo custos logísticos e ampliando a grade de páreos disponíveis.
Sócios antigos do clube também se mobilizam em mutirão para realizar pequenas reformas na arquibancada e em dependências destinadas ao público. A expectativa é que o recomeço traga novo fôlego ao turfe goiano, marcado por momentos de prestígio na década passada.
Com a carta-patente válida novamente, o Hipódromo da Lagoinha volta a figurar no circuito oficial do turfe nacional. Resta agora acompanhar se a recuperação administrativa se consolidará a ponto de afastar, de vez, o risco de nova paralisação.
