Convenção do Missão confirma Renan Santos na corrida presidencial e expõe foco em segurança pública

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    Entre reforço policial e discursos contra o crime organizado, o Partido Missão oficializou neste sábado (1º) a candidatura de Renan Santos à Presidência da República num encontro realizado no Komplexo Tempo, na zona leste de São Paulo. O evento presencial — o primeiro da sigla após uma série de atos virtuais — marcou também a escolha do general da reserva Aroldo Medina para a vice-presidência e revelou o “Livro Amarelo”, coleção de seis cadernos que reúne as linhas gerais do programa de governo.

    A convenção foi organizada sob forte esquema de segurança: detectores de metal, revista manual e presença ostensiva da Polícia Federal. A proteção extra foi solicitada pela própria campanha depois que Santos relatou ter recebido ameaças de facções no Ceará, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Desde que teve o nome homologado internamente em 20 de julho, o candidato passou a circular com escolta federal garantida por lei eleitoral.

    Estratégia nacional apresentada em seis fascículos

    O “Livro Amarelo” serve de referência para as propostas que o Missão pretende defender a partir de 2027 caso chegue ao Planalto. Os fascículos tratam de segurança pública, reforma do Estado, economia, educação, saúde e meio ambiente. O material impresso foi distribuído aos cerca de 1,5 mil delegados partidários presentes e estará disponível em versão digital nos próximos dias.

    No capítulo dedicado à segurança, Renan Santos sustenta a adoção do chamado “Direito Penal do Inimigo”. Pelo conceito, integrantes de organizações criminosas perderiam a presunção de inocência se forem identificados pelas forças de segurança ou flagrados portando armamento de uso restrito. “Quem domina territórios à bala não é cidadão comum, é inimigo do Estado”, disse o presidenciável, ao lado de Medina, ex-comandante de tropa no Sul do país.

    Endurecimento de penas e controle territorial

    • Elevação de mínimo e máximo das penas para homicídio, latrocínio e tráfico de armas.
    • Ocupação permanente de áreas comandadas por facções, com integração entre polícias estaduais e Forças Armadas.
    • Implantação de presídios federais de segurança máxima em todas as regiões.

    Economia liberal e corte de R$ 3,3 trilhões em dez anos

    No plano econômico, o Missão propõe substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta entre contratantes e contratados e extinguir a Justiça do Trabalho. A legenda defende ainda uma Proposta de Emenda à Constituição para reduzir gastos correntes, com meta de economia de R$ 3,3 trilhões em uma década.

    Outra ideia é criar uma “reserva nacional” em criptomoedas, administrada pelo Banco Central, como forma de diversificar ativos e atrair investimentos de tecnologia — tema que dialoga com a base jovem do partido, oriunda do Movimento Brasil Livre (MBL).

    Candidatos regionais e prazos eleitorais

    A convenção também lançou nomes para os governos de nove estados: Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Pernambuco. As chapas ainda não contam com coligações firmadas — o partido, recém-registrado pela Justiça Eleitoral, negocia apoios pontuais mas, segundo a direção, não abrirá mão da candidatura nacional própria.

    Conforme o calendário oficial, as legendas têm até 5 de agosto para finalizar convenções e até 15 de agosto para registrar candidatos na Justiça Eleitoral. A propaganda gratuita em rádio, TV e internet começa em 16 de agosto, quando Renan Santos pretende iniciar caravanas pelo interior do país, sempre escoltado por agentes federais.

    Quem é Renan Santos

    Paulistano de 42 anos, empresário e ativista, Renan Santos ficou conhecido a partir de 2014, quando cofundou o MBL ao lado do hoje deputado federal Kim Kataguiri. Tornou-se porta-voz das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff, incluindo a “Marcha pela Liberdade”, que percorreu a pé o trajeto entre São Paulo e Brasília em 2016.

    Santos cursou Direito na Universidade de São Paulo, mas não concluiu o bacharelado. Nos últimos anos, dedicou-se à estruturação do Partido Missão, que reuniu mais de 800 mil assinaturas de apoiadores — recorde entre novas legendas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. A sigla estreia nas urnas em 2026 e é vista como braço partidário do MBL, embora mantenha quadro próprio de filiados.

    Propostas além da segurança

    1. Condicionar a reeleição de prefeitos e governadores ao cumprimento de metas de gestão aferidas por indicadores independentes.
    2. Reforma tributária com simplificação de impostos e adoção de alíquota única sobre consumo.
    3. Política externa voltada para acordos bilaterais de livre-comércio, especialmente com Estados Unidos e países da Ásia.
    4. Desburocratização do ensino superior para permitir a abertura de universidades privadas estrangeiras.
    5. Uso massivo de vouchers na saúde básica, permitindo que o cidadão escolha entre redes pública e privada.

    Clima de tensão marca o início da campanha

    O tom do encontro em São Paulo refletiu a preocupação da cúpula partidária com a segurança física do candidato. Organizadores limitaram a circulação de jornalistas aos espaços de coletiva e proibiram mochilas na plateia. Nas palavras do coordenador jurídico, Arthur Ohno, “a escalada de violência política obriga todos os atores a rever protocolos”.

    Mesmo sob clima tenso, Renan Santos fez questão de caminhar pelo salão para cumprimentar apoiadores, gesto que durou menos de cinco minutos e contou com acompanhamento de quatro agentes armados. No discurso de encerramento, o presidenciável afirmou que não pretende recuar: “Se o crime pensa que vai nos calar, que saiba que estamos só começando”.

    Próximos passos

    Nas próximas semanas, a campanha planeja:

    • Apresentar a plataforma digital do “Livro Amarelo”, com espaço para sugestões de eleitores.
    • Realizar debates temáticos transmitidos pela internet, sempre em estúdios fechados por motivo de segurança.
    • Lançar podcasts semanais em que Santos e Medina comentarão notícias de segurança pública.
    • Capacitar militantes regionais para coleta de doações e mobilização nas redes sociais.

    Com a oficialização, Renan Santos entra no rol de candidatos que receberão verbas do fundo eleitoral e tempo de propaganda no rádio e na TV. Analistas avaliam que, embora estreante, o Missão pode atrair votos de eleitores que se identificam com pautas liberais na economia e linha dura contra o crime, espaço hoje disputado por legendas de direita já consolidadas. O desempenho de Santos no horário eleitoral será observado de perto por adversários que tentam se posicionar como alternativa ao atual governo.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.