Novo caso eleva para 14 os registros de sarampo em SP em 2026 e acende alerta sobre baixa adesão à vacina

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    Um bebê de menos de um ano, morador da capital paulista e sem nenhuma dose registrada, tornou-se o 14º caso confirmado de sarampo no estado de São Paulo em 2026. A notificação foi validada pela Secretaria de Estado da Saúde e reforça a preocupação com a queda na cobertura vacinal em plena vigência do Calendário Nacional de Imunização.

    Com diagnósticos espalhados por diferentes faixas etárias – de lactentes a adultos de 50 anos –, o governo estadual voltou a classificar a situação como “nível de atenção elevado” e colocou em prática ações de bloqueio e reforço da campanha de imunização, especialmente nos três municípios que concentram a maioria dos registros: São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

    Escalada de casos em 2026

    Entre janeiro e o fim de julho, o estado contabiliza 14 ocorrências laboratoriais do vírus. Embora o número pareça pequeno diante da população paulista, ele sinaliza uma retomada sustentada da circulação do sarampo, doença considerada eliminada do Brasil em 2016. O retrocesso ficou nítido a partir de 2019, mas as estatísticas voltaram a ganhar força nos últimos dois anos.

    Perfil dos infectados

    • Bebês menores de 2 anos: sete casos, todos sem imunização registrada.
    • Adultos entre 20 e 50 anos: sete casos, com histórico vacinal incompleto ou desconhecido.

    A predominância de crianças pequenas expõe a vulnerabilidade de um grupo que ainda não completou o esquema de rotina. Já entre adultos, a maioria afirma não lembrar ou não possuir comprovante de vacinação, o que dificulta a vigilância epidemiológica.

    Vacinação abaixo da meta

    Dados consolidados pela Coordenação de Imunização mostram que apenas 77,5 % das crianças paulistas receberam a primeira dose da tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) em 2026. O índice cai para 65,5 % na segunda dose. A meta mínima estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95 % em ambas as aplicações.

    Cobertura por dose

    1. Primeira dose (D1) – 12 meses de idade: 77,5 %.
    2. Segunda dose (D2) – 15 meses de idade, preferencialmente tetraviral: 65,5 %.

    A lacuna entre D1 e D2 aumenta a chance de transmissão comunitária. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), cada pessoa infectada pode contaminar de 12 a 18 outras em ambientes com baixa cobertura imunológica.

    Dose zero: medida emergencial

    Para conter a propagação, a Secretaria mantém a recomendação de uma aplicação extra – batizada de “dose zero” – da tríplice viral em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias residentes em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A estratégia vale também para crianças dessa mesma faixa etária que tenham tido contato com casos suspeitos ou confirmados.

    Importante destacar que a dose zero não integra o esquema regular; ela funciona como reforço temporário. Depois de recebê-la, a criança deve continuar o calendário de rotina: primeira dose aos 12 meses e segunda aos 15 meses.

    Calendário de rotina por faixa etária

    • Crianças de 12 a 15 meses: D1 da tríplice viral aos 12 meses e D2 (preferencialmente tetraviral) aos 15 meses.
    • Pessoas de 5 a 29 anos: comprovar duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.
    • Pessoas de 30 a 59 anos: comprovar pelo menos uma dose.
    • Trabalhadores da saúde: comprovar duas doses, independentemente da idade.

    A apresentação da caderneta ou de registro eletrônico é fundamental para evitar repetições desnecessárias ou lacunas no esquema vacinal.

    Sintomas e busca por atendimento

    O sarampo inicia-se com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos de manchas avermelhadas que começam no rosto e se espalham pelo corpo. A transmissão ocorre por vias aéreas e pode acontecer antes mesmo do aparecimento das manchas, o que reforça a importância da imunização preventiva.

    Em caso de suspeita, a orientação é procurar imediatamente uma unidade básica de saúde para avaliação clínica e coleta de amostra laboratorial. O diagnóstico rápido possibilita a implementação de bloqueios vacinais e a interrupção de cadeias de transmissão.

    Risco de complicações

    Especialistas lembram que, apesar de muitas vezes subestimado, o sarampo pode evoluir para infecções pulmonares graves, encefalite e até morte, sobretudo em crianças pequenas, gestantes e pessoas imunodeprimidas. A única forma de prevenção comprovadamente eficaz continua sendo a vacina, disponível gratuitamente em toda a rede pública.

    Como atualizar a caderneta

    Moradores das 645 cidades paulistas encontram a tríplice viral nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) durante todo o ano. Basta levar documento de identidade e carteira de vacinação. Quem perdeu o registro pode solicitar a emissão de uma segunda via no próprio posto, desde que haja dados no sistema nacional.

    Documentos necessários

    • Documento oficial com foto ou certidão de nascimento (para menores de idade).
    • Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), se disponível.
    • Caderneta nacional de vacinação, quando existente.

    A aplicação é feita em sala de imunização por profissionais habilitados, seguindo protocolos de conservação e manuseio definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Monitoramento contínuo

    O CVE-SP e as secretarias municipais mantêm um sistema de vigilância em tempo real, capaz de acionar equipes de campo assim que um caso é confirmado ou mesmo classificado como suspeito. Esse rastreamento inclui busca ativa de contato, vacinação de bloqueio e divulgação de alertas à comunidade.

    Países que atingiram a eliminação do sarampo dependem dessa vigilância permanente para impedir a reintrodução do vírus. No Brasil, o certificado internacional de área livre da doença foi suspenso em 2019 justamente pela queda repetida na cobertura vacinal.

    Panorama nacional

    Embora o estado de São Paulo concentre o maior número absoluto de casos em 2026, outros entes federativos também notificaram infecções esporádicas. O Ministério da Saúde ressalta que qualquer deslocamento interestadual ou internacional aumenta o risco de disseminação, o que torna a vacinação de viajantes e profissionais do turismo ainda mais prioritária.

    Alerta para viagens

    Pessoas que pretendem se deslocar para regiões com surtos ativos ou que vão participar de eventos de grande aglomeração devem antecipar as doses faltantes com pelo menos 15 dias de antecedência, tempo necessário para que o organismo produza anticorpos protetores.

    Enquanto não se atinge a meta de 95 % de cobertura, a probabilidade de novos casos persiste. Autoridades de saúde reforçam que, diferentemente de outras enfermidades imunopreveníveis, o sarampo exige taxa de proteção populacional muito alta para interromper totalmente a circulação do vírus. Qualquer lacuna se converte em oportunidade de contágio, sobretudo entre os mais vulneráveis.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.