Forças de segurança vasculham mata fechada em Araucária à procura de menino autista de 5 anos

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    A procura por João Gabriel Ferreira dos Santos, 5 anos, chegou ao terceiro dia mobilizando policiais, bombeiros e moradores de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O menino, que é autista não verbal, sumiu na manhã de domingo (26) após sair de casa e adentrar uma área de mata densa próxima ao bairro onde mora com a família.

    Desde então, um contingente que inclui helicóptero, drones com câmera térmica, cães farejadores e mergulhadores cobre cada metro de terreno acidentado, tanques de água e uma fossa espalhados pela região. O objetivo é vencer o relógio e encontrar a criança ainda com vida.

    Como o desaparecimento aconteceu

    Por volta das 10h de domingo, familiares perceberam a ausência de João Gabriel. Ele vestia uma camiseta escolar de Londrina – cidade onde a família morava antes de se mudar para Araucária – e calça azul-escura. Durante quase uma hora, parentes e vizinhos percorreram trilhas informais antes de acionarem a Polícia Militar (PM). O alerta imediato foi crucial para que a operação fosse montada ainda na tarde do mesmo dia.

    Perfil da criança amplia a urgência

    João é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não fala. Segundo especialistas consultados por integrantes da operação, crianças com esse perfil podem reagir de forma imprevisível a barulhos altos ou a presença de estranhos, o que exige cautela redobrada de quem está em campo. Fones de ouvido com ruído branco e brinquedos familiares foram levados pelos parentes para ajudar a acalmá-lo caso seja localizado.

    Operação de busca envolve múltiplos recursos

    Coordenada pelo Corpo de Bombeiros, a força-tarefa reúne:**

    • Polícia Militar, com viaturas de patrulhamento rural e cães do Canil;
    • Guarda Municipal de Araucária, responsável por isolar acessos da área verde;
    • Voluntários do município e de cidades vizinhas, divididos em grupos a partir de mapas fornecidos pelos bombeiros;
    • Mergulhadores equipados com sonar para examinar tanques e córregos;
    • Drones com sensor térmico, pilotados a baixa altitude nas primeiras horas da noite.

    Tecnologia aliada à busca presencial

    O helicóptero Falcão 03, da PM, realiza sobrevoos em faixas horárias alternadas para não exaurir a criança com o ruído constante. Já os drones, silenciosos, mapeiam diferenças de temperatura que possam indicar a presença de um corpo humano escondido sob a vegetação. Quando um ponto de calor é detectado, equipes terrestres avançam em linha para confirmação visual.

    Desafios do terreno

    A mata onde João desapareceu possui clareiras alagadas, aclives íngremes e uma antiga fossa desativada. Bombeiros utilizam bastões de sondagem e câmeras acopladas a cabos para examinar cavidades subterrâneas. A vegetação, típica de araucárias e pinheiros, forma um emaranhado que dificulta a locomoção de viaturas. Por essa razão, a maior parte do trabalho acontece a pé, com o auxílio de facões e GPS portátil.

    Alerta nacional e mobilização nas redes

    O caso foi inserido no sistema Amber Alert, que dispara notificações para usuários de Facebook e Instagram num raio de até 160 quilômetros do ponto de desaparecimento. A ferramenta aumenta a capilaridade das informações e já gerou dezenas de ligações à central 190, embora nenhuma delas tenha levado a uma pista concreta até o momento.

    Como a comunidade ajuda

    Moradores da região têm doado água, alimentos e lanternas para os voluntários. Quem possui conhecimento da mata se oferece como guia e indica trilhas pouco conhecidas. A orientação das autoridades, no entanto, é que qualquer pessoa que veja a criança evite persegui-la e ligue imediatamente para:

    1. 190 – Polícia Militar;
    2. (41) 3270-1950 – Central do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE).

    Descrever a roupa da criança, mencionar pontos de referência e enviar a localização por aplicativos de mensagem podem economizar minutos preciosos, lembram os bombeiros.

    Próximos passos da operação

    Se até o fim do dia nenhuma pista surgir, o plano é ampliar o perímetro de busca em mais dois quilômetros e convocar reforços da Defesa Civil estadual. Técnicos em geoprocessamento preparam novos mapas de calor a partir dos dados coletados pelos drones nas últimas 48 horas. A Polícia Científica também deve instalar gravadores de som para captar ruídos humanos durante a madrugada.

    Comando unificado e comunicação

    O trabalho segue o modelo de comando unificado, no qual representantes de cada força de segurança tomam decisões conjuntas diante de atualizações em tempo real. Um painel instalado em uma escola próxima exibe informações para familiares, imprensa e voluntários credenciados, evitando que boatos atrapalhem as buscas.

    Solidariedade e esperança

    À medida que as horas avançam, cresce a ansiedade dos parentes, mas também a corrente de solidariedade. Igrejas locais abriram as portas para hospedagem de voluntários de outras cidades, e empresas da região entregaram mantas térmicas e equipamentos de iluminação. “Estamos empregando todo recurso possível para trazer o João de volta”, garante a tenente Geovanna Marcola, que coordena um dos pelotões em terra.

    Enquanto isso, os bombeiros mantêm turnos ininterruptos, alternando equipes a cada seis horas para preservar o vigor físico e a acuidade auditiva necessárias a esse tipo de operação. A cada vez que um novo trecho é varrido sem resultado, o mapa de buscas é atualizado e o trabalho recomeça a poucos metros dali, movido pela esperança de que João esteja abrigado em algum ponto ainda não alcançado.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.