Três convenções em 48 horas oficializam Flávio, Caiado e Zema na disputa pelo Planalto

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    A corrida presidencial de 2026 ganhou contornos oficiais em menos de 48 horas. Entre sábado (25) e segunda-feira (27), PL, PSD e Novo realizaram convenções nacionais que sacramentaram as candidaturas de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Os eventos expuseram estratégias distintas: o PL apostou na nostalgia bolsonarista com recursos de inteligência artificial e apoio internacional; o PSD se apresentou como via alternativa a Lula e à própria família Bolsonaro; já o Novo buscou reviver o discurso liberal e antipetista de 2018.

    A sequência de lançamentos também reposicionou o tabuleiro político: enquanto Flávio tenta herdar a base do pai, Caiado mira o eleitorado de centro-direita descontente com a polarização, e Zema dirige suas críticas quase exclusivamente ao PT. Semanas antes do início oficial da campanha, as três siglas exibiram alianças, tensões internas e lacunas – como a ausência de vices em duas das chapas.

    PL consagra Flávio Bolsonaro em ato com IA e discursos incendiários

    No sábado, militantes lotaram o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, para assistir ao anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato do PL. A sigla ainda não definiu o vice, mas apostou no espetáculo: um vídeo gerado por inteligência artificial recriou a voz e a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, afastado da cena pública desde que ficou inelegível. O uso do recurso virou arma de oposição instantânea: o PT protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral alegando propaganda irregular e pedido explícito de votos antes do prazo legal.

    Presença internacional e recado de Michelle

    Via telão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Argentina, Javier Milei, enviaram mensagens de apoio. Milei, fiel ao estilo confrontador, disparou ataques à esquerda e chegou a insultar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, elevando o tom do encontro. No palco, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ricardo Nunes (MDB) reforçaram a coligação com vistas a ampliar palanques em São Paulo.

    Madrasta de Flávio, Michelle Bolsonaro apareceu em vídeo curto. Citou o enteado apenas uma vez e preferiu enaltecer o marido, indicando que a relação entre os dois segue protocolar depois da disputa interna sobre quem herdaria o espólio político da família. Ainda assim, a ex-primeira-dama posou para fotos ao lado do senador nos bastidores, imagem que assessores do PL disseminaram para sinalizar unidade.

    PSD oficializa Ronaldo Caiado e coloca Kassab na vice

    No domingo (26), a convenção do PSD, realizada em Goiânia, oficializou o ex-governador Ronaldo Caiado como cabeça de chapa. Pouco antes de subir ao palco, Caiado confirmava um acordo costurado há meses: o ex-ministro Gilberto Kassab, presidente da legenda, será o candidato a vice. A dobradinha busca garantir musculatura financeira e tempo de TV, além de dar verniz de gestão a um projeto que se vende como “equilíbrio entre extremos”.

    Discurso contra Lula e família Bolsonaro

    Caiado mirou nas duas pontas da polarização. Criticou a condução econômica do governo Lula, atribuindo-lhe “aumento de gasto sem lastro” e “intervenção excessiva em estatais”. Reservou espaço semelhante para uma cutucada em Flávio: “O Brasil tem saudade de respeito às instituições, não de aventuras”. Nas primeiras fileiras, prefeitos goianos e parlamentares centrão acenavam com discrição, cientes de que parte do bloco ainda avalia permanecer neutra.

    Aposta no agro e na segurança

    Conhecido pela defesa do agronegócio, Caiado usou o ponto forte como promessa nacional: “O produtor rural será novamente protagonista”. O plano é travar com o PT uma disputa voto a voto no Centro-Oeste, hoje reduto bolsonarista, e abrir diálogo com o Sudeste através de Kassab. A segurança pública, área em que Goiás colecionou indicadores de queda em homicídios, também entrou no script como vitrine de gestão.

    Novo lança Romeu Zema sem vice e reacende discurso liberal

    A segunda-feira (27) foi reservada ao Novo. Em evento enxuto num hotel de Belo Horizonte, a legenda homologou Romeu Zema para a Presidência, mas deixou em aberto o posto de vice, que só deve ser preenchido em agosto. O partido, que perdeu protagonismo nos últimos anos e encolheu sua bancada federal, pretende usar a imagem de gestor austero do ex-governador mineiro para reconquistar espaço.

    Dardo direto ao PT

    Zema concentrou críticas no governo federal, acusando o Planalto de “reviver práticas populistas” e de “sufocar a iniciativa privada com impostos”. Quase não citou os concorrentes de direita, preferindo se apresentar como alternativa “ficha-limpa e sem escândalos”. O recado foi interpretado como tentativa de atrair eleitores liberais que rejeitam a retórica mais agressiva de Flávio.

    Desafios internos

    Apesar do entusiasmo de militantes vestidos de laranja, a ausência de uma aliança relevante pesa contra Zema. O Novo está sem fundo partidário robusto, terá tempo reduzido de TV e, por ora, apenas dois deputados federais dispostos a percorrer o país na campanha. Dirigentes admitem negociar coligações regionais para compensar a fragilidade estrutural.

    Efeitos imediatos no xadrez eleitoral

    O pacote de convenções força reacomodações entre partidos médios e grandes. No campo conservador, Republicanos e PP, ainda sem decisão oficial, avaliam se embarcam com Flávio ou se liberam seus quadros nos estados. A percepção de que a chapa bolsonarista está incompleta até a escolha do vice pesa na balança. Já o PSD corre contra o relógio para converter simpatia em alianças formais; MDB e União Brasil figuram como alvos preferenciais.

    Para o Palácio do Planalto, os três anúncios significam que a campanha começou antes do previsto. Lula marcou o primeiro ato de rua no berço político do PT em São Bernardo do Campo, movimento calculado para contrastar com o clima palaciano das outras convenções. A estratégia petista é reforçar a imagem de proximidade popular enquanto os rivais disputam apoios nos bastidores.

    A questão judicial e a IA

    A exibição do vídeo gerado por IA no evento do PL abriu nova frente jurídica. Além da ação do PT no TSE, técnicos do tribunal estudam emitir orientação geral sobre uso de inteligência artificial em peças de campanha, tema que deve pautar as próximas resoluções. Aliados de Flávio alegam que a produção não configurou pedido explícito de voto; adversários dizem que a mensagem de Jair Bolsonaro ultrapassou a linha do mero apoio.

    Próximos passos

    Com as candidaturas oficializadas, as três siglas agora negociam palanques estaduais, fecham programas de governo e correm para atrair recursos. A definição dos vices de Flávio e Zema é vista como o grande fato político das próximas semanas: nomes como Tereza Cristina (PP), Marcos Pontes (PL) e Mara Gabrilli (PSD) circulam nos bastidores. No PSD, o casamento Caiado-Kassab já trouxe paz interna, mas dirigentes cobram presença do governador goiano no Sudeste, região onde é menos conhecido.

    Enquanto isso, institutos de pesquisa agendam novos levantamentos para medir o impacto imediato das convenções. Nas sondagens anteriores, Lula aparecia na liderança, seguido por Flávio. Caiado e Zema brigavam ponto a ponto pela terceira posição. Analistas ouvidos nos bastidores dos eventos apontam que o desempenho de Milei e o vídeo de Jair Bolsonaro podem mobilizar tanto a base fiel quanto eleitores indecisos, tornando o início oficial da campanha mais imprevisível do que se projetava.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.