Brasília — Pesquisa qualitativa do Instituto Plaza Publica, realizada entre maio e junho, aponta que parte dos eleitores que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 e ainda não definiu voto para outubro deste ano avalia o governo de forma crítica após episódios como a “taxa das blusinhas”, o escândalo de descontos fraudulentos no INSS e o prejuízo registrado pelos Correios.
Quem foi ouvido
O levantamento envolveu 20 entrevistas em profundidade com moradores de oito capitais, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o pesquisador Eduardo Sincofsky, responsável pelo estudo, o grupo reúne principalmente pessoas da classe média baixa — um degrau acima dos beneficiários de programas sociais e muitas vezes interessadas em empreender — e da classe alta, que escolheram Lula em 2022 para barrar Jair Bolsonaro e agora cobram um discurso focado em inovação e crescimento econômico.
Percepção de estagnação
Para esses entrevistados, as políticas defendidas por Lula em mandatos anteriores perderam força. Há a impressão de que as melhorias vêm em “gotejos” e que as mudanças estão “em banho-maria”. Entre as queixas, estão ganhos considerados limitados no salário mínimo, dificuldade em manter o poder de compra diante de preços instáveis e ausência de perspectiva de futuro. “Os ganhos do Lula estão no passado”, resumiu um participante.
Impacto da “taxa das blusinhas”
A cobrança de 20% sobre produtos importados de até US$ 50, revogada pelo governo em maio, permanece como fator de desgaste. Mesmo com a suspensão, os indecisos questionam a demora para anular a medida e a forma como a arrecadação perdida será compensada, avaliando a mudança como “tardia” e potencialmente eleitoreira.
Escândalo do INSS e crise nos Correios
O grupo também associa a gestão Lula à fraude de descontos em benefícios do INSS, apurada pela Polícia Federal desde o ano passado. A falta de apoio a uma CPI sobre o tema foi citada como sinal de omissão. Já o prejuízo de R$ 3,1 bilhões registrado pelos Correios no primeiro trimestre de 2026 levantou dúvidas sobre transparência e prioridades orçamentárias. “Como pode faltar dinheiro e o governo patrocinar eventos como o Lollapalooza?”, questionou um entrevistado.

Imagem: Cristiano Mariz
Números da Quaest
Dados do levantamento Genial/Quaest, divulgado nesta quarta-feira, reforçam o cenário de divisão: entre eleitores com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos, 50% desaprovam o governo e 45% aprovam. Nesse segmento, 38% declaram voto em Lula no primeiro turno, enquanto 29% preferem o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Romeu Zema (Novo) com 3% e Cabo Daciolo (Mobiliza) com 3%.
Por se tratar de pesquisa qualitativa, os resultados do Instituto Plaza Publica não permitem generalizações, mas oferecem indícios sobre as expectativas e frustrações de um nicho importante para a campanha petista.
Com informações de O Globo
